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1 João 2:28-3:3 - As Bênçãos de Permanecer em Jesus

16 de maio de 202613 min de leitura

1 João 2:28-3:3 - As Bênçãos de Permanecer em Jesus

28 E agora, filhinhos, permaneçam nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados, tendo de nos afastar dele no dia da sua vinda. 29Se sabem que ele é justo, reconheçam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido de Deus. 1Vejam que grande amor o Pai nos tem concedido, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. 2Amados, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. 3E todo o que tem essa esperança nele purifica a si mesmo, assim como ele é puro.

Junto ao trono de Deus preparado, há, cristão, um lugar para ti;

Há perfumes, há gozo exaltado, há delícias profusas ali;

Sim, ali, sim, ali, de seus anjos fieis rodeado;

Numa esfera de glória e de luz, junto a Deus nos espera Jesus.

Há hinos que só fazem sentido para quem tem esperança. Quando cantamos sobre o céu, sobre a glória futura, sobre ver Jesus, isso pode soar como alegria santa para uns e como loucura para outros. Mas João nos lembra neste texto que essa esperança não é uma fuga ou fantasia religiosa. É uma promessa divina. Cristo vai se manifestar.

E essa verdade não serve apenas para alimentar nossa imaginação sobre o futuro; ela transforma a forma como vivemos agora. O futuro prometido por Deus invade o presente do crente. Meu futuro em Cristo muda minha vida hoje.

É isso que João ensina em 1 João 2:28–3:3. Ele escreve para cristãos que precisam perseverar em comunhão com Jesus, resistir ao erro e viver com firmeza enquanto aguardam a manifestação de Cristo. E ele mostra que permanecer em Cristo produz pelo menos quatro bênçãos: confiança para o dia da sua vinda, certeza de filiação, esperança de ser conforme Ele é e pureza no presente. A ideia é simples: o que seremos em Cristo molda a maneira como vivemos hoje.

A primeira dessas bençãos de permanecer em Jesus é ter confiança em sua vinda.

1. Permaneça em Cristo para ter confiança na sua vinda (2:28)

João começa com ternura: “E agora, filhinhos, permaneçam nele.” Esse é o coração do texto. Permanecer em Cristo é continuar unido a ele, agarrado ao evangelho, firme na verdade que foi ouvida desde o início. Não é uma experiência ocasional. É perseverança. É vida de comunhão. É apego contínuo a Jesus. Isso já vinha sendo enfatizado antes na carta, e agora João amarra essa permanência à volta de Cristo.

A palavra “permanecer” é uma ordem contínua. É comando que exige ação constante. Permaneçam em união e comunhão com Cristo. Absorva e se agarre ao Salvador e a mensagem do evangelho que você ouviu no início de sua experiência cristã (2:24).

Ele diz: “para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados.” Cristo vai voltar. Não simbolicamente. Ele vai se manifestar de forma real, pública e gloriosa. E João quer que o crente pense desde já: como será estar diante dele naquele dia? Com confiança ou com vergonha? Com alegria ou com recuo? Com o coração aberto ou com o desejo de se esconder?

Aqui, o ponto principal não é nos convidar a especulações sobre graus de embaraço escatológico. O ponto é mais direto: quem permanece em Cristo vive de modo compatível com a sua vinda. Quem vive longe dele, indiferente a ele, brincando com o pecado e acomodado espiritualmente, não tem razão para tratar esse dia com leviandade. João está pressionando a consciência. A forma como você encara a volta de Jesus revela muito sobre o estado do seu coração agora. Isso está no centro da sua exposição de 2:28.

Cristo não quer que seus filhos vivam esperando a sua volta como quem vergonha. Ele quer que o aguardemos com a confiança de filhos que amam o Pai e correm para os braços do Salvador. A volta de Cristo não deve soar como ameaça para o crente. Deve gerar esperança, expectativa. Mas essa é uma realidade dura para quem não crê. Jesus falou em Marcos 8:38:

38 Pois quem, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com os santos anjos.

E em Apocalipse 6:15-16 lemos estas palavras terríveis:

15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes 16e disseram aos montes e aos rochedos: — Caiam sobre nós e nos escondam da face daquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro!

Se a ideia da volta de Cristo lhe provoca apenas receio, isso não é um detalhe emocional. É um sinal espiritual muito sério. Você precisa se reconciliar com Deus por intermédio de Jesus.

Os que creem precisam permanecer em Cristo para ter confiança no Dia do encontro. Quem vive em Cristo não precisa olhar para sua vinda como uma ameaça, mas como um como consolo. E uma igreja que crê na volta de Cristo não despreza a alma das pessoas. Precisamos anunciar que há esperança para quem crê no dia do encontro.

Mas João não fala apenas do que acontecerá quando Cristo se manifestar. Ele também quer nos lembrar do que já somos agora. A esperança do futuro se apoia numa identidade presente.

2. Permaneça em Cristo para ter certeza de que você é filho de Deus (29–3:1)

29 Se sabem que ele é justo, reconheçam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido de Deus. 1Vejam que grande amor o Pai nos tem concedido, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.

João diz: “Se sabem que ele é justo, reconheçam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido de Deus.” O raciocínio é simples: o Cristo justo produz filhos caracterizados pela justiça. João está usando o argumento raiz-fruto. A prática da justiça segue o novo nascimento, revela o novo nascimento. O fruto visível aponta para a raiz.

Precisamos manter essa ordem com firmeza. O novo nascimento vem antes do novo comportamento. Ninguém pratica a justiça para nascer de Deus. Pratica a justiça porque nasceu de Deus. A vida nova produz sinais reais. Os filhos se parecem, progressivamente, com o Pai. Não perfeitamente, mas verdadeiramente. Não de maneira instantânea, mas de maneira real.

Então João sobe ainda mais o tom: “Vejam que grande amor o Pai nos tem concedido, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus.” Aqui está uma das declarações mais belas da carta. Não se trata apenas de um título bonito. Não é apenas um nome afetuoso. João diz: somos chamados filhos de Deus e, de fato, somos filhos de Deus. O amor do Pai não apenas muda nosso status jurídico; ele muda nossa condição relacional com Deus. Fomos adotados. Fomos trazidos para perto. Não somos apenas perdoados e afastados. Somos perdoados e acolhidos, somos filhos amados.

Isso produz equilíbrio espiritual raro. Não há espaço para complexo de inferioridade, porque sou filho de Deus. Não há espaço para arrogância, porque sou filho por graça. Não fui recebido por mérito, mas por adoção. Isso produz humildade e segurança ao mesmo tempo. Que coisa maravilhosa: em Cristo, Deus é meu Pai e Pai de meus irmãos.

Veja como isso é importante nos relacionamentos, namoro e casamento, como exemplos. Namorar uma crente é namorar uma filha de Deus. A opinião de Deus sobre como eu a trata importa. Estar casado com uma crente é estar casada com uma filha de Deus. Deus se preocupa como tratamos nossas esposas. Isso deve afetar a forma como servimos e amamos nossos cônjuges.

João ainda acrescenta algo importante: “Por essa razão, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.” O mundo não compreendeu o próprio Cristo. Portanto, não nos surpreendamos quando também não possa compreender o povo de Cristo. A incompreensão do mundo não invalida nossa identidade; na verdade, ela a confirma em muitos casos. Quem pertence ao Pai não deve esperar aplauso pleno de um mundo que rejeitou o Filho. João 15:18 e 19 fala sobre isso:

18 — Se o mundo odeia vocês,  saibam que, antes de odiar vocês, odiou a mim. 19Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas vocês não são do mundo — pelo contrário, eu dele os escolhi — e, por isso, o mundo odeia vocês.

Se você não aceitou Jesus, saiba que ser uma pessoa boa não é o suficiente. É necessário nascer de novo para ser salvo. Só assim você será recebido como Filho de Deus.

Já os crentes precisam sempre lembrar que nossas ações não compram, mas apenas revelam nossa filiação. Você precisa manifestar obras de justiça, pois é Filho de um Deus justo. Essas obras de justiça precisam aparecer até quando erramos e manifestamos fé ao nos arrepender, confessar e pedir perdão a Deus e aos outros.

Se Deus nos fez seus filhos, então tratamos os irmãos e irmãs da igreja como família. Isso precisa afetar nossa linguagem, nosso perdão, nosso casamento, nosso namoro, nossa vida comunitária. Filhos do mesmo Pai são irmãos e a a comunhão é esperada e deve ser protegida.

João continua para além da nossa identidade de filhos. Ele olha para o futuro e diz: ser Filho de Deus já é glorioso, mas há coisas melhores.

3. Permanecer em Cristo dá a esperança de ser como Ele é (3:2)

2 Amados, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

Primeiro, nós sabemos que somos amados e que somos filhos e filhas de Deus agora mesmo, neste exato momento. Eu sou, no sentido mais pleno, aquele para o qual Deus me criou e aquele para o qual Ele me redimiu por meio do novo nascimento (cf. 2:29; 3:9-10).

Em segundo lugar, o que seremos, isso no futuro, ainda não é completamente revelado hoje. Aqui está a tensão cristã do já e do ainda não. Já somos filhos. Isso é presente, real e seguro. Mas ainda não vimos a forma final daquilo que a graça vai realizar em nós. A salvação já começou, mas ainda não se consumou. Somos obra de Deus em andamento. Não podemos nem imaginar a glória que nos está reservada. I Coríntios 2:9 coloca desta forma:

Mas, como está escrito: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.”

I Coríntios 13:12 acrescenta:

12 Porque agora vemos como num espelho, de forma obscura; depois veremos face a face. Agora meu conhecimento é incompleto; depois conhecerei como também sou conhecido.

Isso nos leva a uma terceira observação e a uma das verdades mais surpreendentes de toda a Bíblia, na parte final do cap. 3:2:

Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

João admite que há muito que ainda não sabemos. Mas o que sabemos já é mais do que suficiente para encher o coração de esperança: veremos Cristo como ele é, e seremos semelhantes a ele. Não apenas resgatados do inferno. Não apenas admitidos no céu. Seremos conformados ao Filho. Isso é muito maior do que mera sobrevivência escatológica. É glorificação.

O Salmo 17:15 expressa isso de forma tão bela: “Mas eu verei a tua face em justiça; quando eu acordar, ficarei satisfeito com a tua presença.”

Não sabemos tudo o que significa ser feito à imagem de Jesus. O que sabemos é que será melhor do que jamais poderíamos esperar ou imaginar, e será a ocasião para uma vida eterna de louvor, adoração e reverência.

Se você não crê e não deseja crer, eu posso te afirmar que o futuro que te aguarda é de medo e de juízo. Se você estiver em Cristo, o futuro será glorioso.

Os que creem precisam lembrar que nosso futuro é definido. Nosso destino não é tentar melhor a cada vida num ciclo de reencarnações imaginárias e infinitas. Não, nosso destino é ser como Ele é. Não estamos à deriva, devemos perseverar com fé e com alegria.

Além disso, nossa comunhão cristã precisa ser marcada por essa esperança. Nossa igreja não está aqui apenas para os problemas do presente, nós somos um povo que caminha para a glória.

E, por que nossa jornada tem final seguro e glorioso, devemos experimentar um efeito inevitável na caminhada: Nosso futuro assegurado nós faz lutar para sermos mais santos aqui.

4. Permaneça em Cristo e seja constante na sua consagração (3:3)

3 E todo o que tem essa esperança nele purifica a si mesmo, assim como ele é puro.

O v. 2 define a esperança cristã. O v. 3 mostra a resposta natural a essa esperança. Quem espera ser como Cristo não faz as pazes com a impureza. Quem aguarda ver Jesus não trata o pecado como algo de estimação. Quem crê nesse futuro luta por pureza no presente.

Perceba a lógica: João não diz que buscamos pureza para conquistar a esperança. Ele diz que buscamos pureza porque temos essa esperança. A santificação cristã nasce da esperança, não do desespero. Ela nasce da promessa, não do medo. Ela nasce da união com Cristo.

A esperança de ser como ele nos move a desejar desde já ter uma vida parecida com a dele. Minha esperança no futuro me permite buscar a santidade no presente. Ter a mente voltada para o céu me torna apto para buscar o bem aqui.

Paulo disse a mesma coisa em Colossenses 3:1-4, onde escreveu:

1 Portanto, se vocês foram ressuscitados juntamente com Cristo, busquem as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. 2Pensem nas coisas lá do alto, e não nas que são aqui da terra. 3Porque vocês morreram, e a vida de vocês está oculta juntamente com Cristo, em Deus. 4Quando Cristo, que é a vida de vocês, se manifestar, então vocês também serão manifestados com ele, em glória.

Percebam que a visão que temos sobre Jesus tem tudo a ver com a nossa santificação. Seu Jesus é fiel? Ele vai completar a boa obra que Ele começou em você? Você está disposto a lutar por isso?

Então a pergunta final não é apenas: “Você acredita na segunda vinda?” A pergunta é: essa esperança está purificando você? Ela está moldando seus afetos, sua vida secreta, sua linguagem, seus hábitos, sua devoção, sua luta contra o pecado? Porque esperança escatológica sem santificação presente é apenas discurso religioso.

Entendam, você não foge da impureza antes de correr para Cristo. Se você continuar distante de Jesus, você continuará preso às tentações. É Jesus quem pode nos libertar.

Quem já crê na volta de Jesus precisa lutar contra o pecado. Não sem falhar, mas de forma sincera. Assim como é contraditório cantar sobre o seu e amar o mundo, uma igreja que canta sobre o céu, mas não busca santidade, contradiz a esperança que professa.

Começamos com uma canção sobre o céu. E terminamos com a mesma pergunta: seu coração canta de alegria com a expectativa de se encontrar com Jesus? Essa certeza só é possível para quem permanece nele. Essas são algumas das grandes bênçãos de permanecer em Cristo: confiança na sua vinda, certeza de filiação, esperança de ser como ele e pureza no presente. Tudo isso nasce da comunhão com Jesus.

Se assim é, por que você desejaria permanecer em qualquer outro lugar que não seja Jesus? Se você ainda não crê, o chamado é claro: corra para Cristo. Fora dele, a sua esperança não passa de ilusão espiritual. Nele, há perdão, adoção, futuro e vida.

Se você já crê, permaneça nele. Não trate sua comunhão com Cristo como detalhe. Seu presente e seu futuro dependem disso. E como igreja, que sejamos um povo que vive à luz da vinda de Cristo, seguro da filiação, cheio de esperança e sério na santidade.

Porque quem permanece em Cristo não apenas sobrevive até o fim. Quem permanece em Cristo experimenta, desde já, as bênçãos dessa comunhão. Amém.