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1 João 3:11-18 - Amor em Ação: O Testemunho de Pertencer a Cristo

10 de junho de 202613 min de leitura

1 João 3:11-18 - Amor em Ação: O Testemunho de Pertencer a Cristo

11 Porque a mensagem que vocês ouviram desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros. 12Não sejamos como Caim, que era do Maligno e matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas. 13Irmãos, não se admirem se o mundo odeia vocês. 14Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino, e vocês sabem que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si. 16Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos. 17Ora, se alguém possui recursos deste mundo e vê seu irmão passar necessidade, mas fecha o coração para essa pessoa, como pode permanecer nele o amor de Deus? 18Filhinhos, não amemos de palavra, nem da boca para fora, mas de fato e de verdade.

I. Amem uns aos outros e não sigam o exemplo de Caim (3:11-15).

II. Sirvam uns aos outros e sigam o exemplo de Jesus (3:16-18).

Uma das melhores formas ensinar é por contrastes e comparações. A gente está acostumado faz uso desse recurso o tempo todo. É fácil diferenciar dia e noite, norte e sul, amor e ódio. João usa desse recurso com frequência para ensinar verdades espirituais. Andar nas trevas ou na luz, amar o Pai ou amar o mundo. Como começamos a ver no domingo passado, ele trabalha mais um contraste: amar ou odiar os irmãos.

João usa disso no contexto do amor cristão. O contraste aqui é muito claro: de um lado, Caim; do outro, Cristo. De um lado, ódio assassino; do outro, amor sacrificial. Um vem do mundo, outro de Deus.

O amor aos irmãos é um tema extremamente relevante. Se Deus é amor, devemos amar uns aos outros. O amor é uma evidência necessária. Odiar um irmão equivale a desejar sua morte, como Caim. Por outro lado, amor os irmãos é um testemunho magnético sobre Jesus:

João 13:35 “Nisto todos conhecerão que vocês são meus discípulos, se tiverem amor uns pelos outros”.

João começou a tratar desse assunto nos vs anteriores. Ele usou de um contraste para distinguir os filhos de Deus dos do Diabo. Quem é de Deus pratica a justiça e ama seus irmãos. Agora ele vai testar isso na vida de amor dos cristãos. Nossa forma de tratar os irmãos, de servi-los de maneira prática revela se amamos como Caim ou como Jesus.

A afirmação de João é simples e direta: quem pertence a Jesus ama como Jesus, não como o mundo. Se isso é verdade, então o amor não é opcional na fé cristã. Amor é uma evidência, um fruto, um sinal de vida.

E, se isso é verdade, então a ausência de amor também grita e soa um alarme muito grave: não basta falar coisas certas, cantar, frequentar uma igreja, saber versículos, explicar a fé. Tudo isso é bom, mas se a vida não for caracterizada por amor real há algo profundamente errado.

O texto mostra dois modelos. De um lado, o modelo de Caim. Do outro, o de Cristo. Caim representa ódio, inveja, morte, rejeição da justiça, dureza do coração. Cristo representa amor, entrega, sacrifício, vida.

João não quer apenas ensinar você a perceber quem é do maligno ou é de Deus. João quer que você reflita e responda: qual dessas formas descreve sua vida? O sermão vai explorar esses modelos: primeiro, João nos chama a amar uns aos outros e a rejeitar o modelo de Caim; depois, ele nos chama a servir uns aos outros e seguir o exemplo de Jesus.

1. Amem uns aos outros e não sigam o exemplo de Caim (3:11–15)

O v 11 começa com algo que não era novidade para a igreja:

“Porque a mensagem que vocês ouviram desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros.”

Ou seja: amar não é um detalhe, não é um esforço opcional para lidar com crentes carentes. Amar uns aos outros está no coração da mensagem cristã desde o começo. Quem foi alcançado pela graça de Deus em Cristo é chamado a amar os irmãos.

Amar os irmãos é algo que está por toda as Escrituras.

João 15:12 — O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros,  assim como eu os amei.

João 15:17 O que eu lhes ordeno é isto: que vocês amem uns aos outros.

Há mandamentos como esse em Romanos, Gálatas, Efésios, 1 Tessalonicenses, Hebreus e Pedro. Em 1 João, aparece 5 vezes.

João repete Jesus e ensina que o amor deve ser consistente, abrangente, continua e individual. Esse amor não deve fazer distinções ou abraçar preconcepções. Ele não deve fazer discriminação entre irmãos e irmãs. Afinal, somos família! O amor pelos outros flui do amor de Deus por nós. Está no coração do evangelho.

João não trata o amor como uma meta para quem busca a maturidade cristã. Para ele, amar é uma marca de autenticidade da fé. Quem crê, demonstra em amor. Então ele faz o contraste:

12 Não sejamos como Caim, que era do Maligno e matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas. 13Irmãos, não se admirem se o mundo odeia vocês.

Para exemplificar, João volta ao começo e relembra o primeiro assassinato, a morte de Abel pelas mãos de Caim. Ele conta o que aconteceu, a fonte maligna e a motivação do coração. Assim como Deus se deleita em conceder vida, o Diabo ama a cultura da morte e a incentiva.

João comenta o que aconteceu. Primeiro, ele mostra a origem espiritual: Caim era do Maligno. Segundo, ele mostra a motivação moral do ato: as obras de Caim eram más, e as de Abel eram justas.

Caim não matou porque perdeu a cabeça. Caim matou porque o coração dele odiava a justiça. A obediência de Abel expôs a maldade de Caim. E, em vez de se arrepender, Caim preferiu destruir o irmão. Esse é o espírito do mundo.

O mundo não apenas pratica o mal; muitas vezes ele odeia o bem. O mundo não somente rejeita a luz; ele se aborrece com ela. O mundo não apenas vive em injustiça; ele se irrita com quem pratica a justiça. O mundo rejeitou Cristo. Portanto, não se surpreendam se eles rejeitarem quem pertencem a Cristo.

Mas João quer mais do que explicar o mundo. Ele quer examinar a igreja. É como se ele dissesse: cuidado para o espírito de Caim não aparecer dentro de vocês. Não sejam como Caim.

E como esse espírito transparece? Nem sempre se mata de forma literal. Mas isso certamente se manifesta na inveja; na comparação amarga; no prazer secreto quando o outro cai; no ressentimento contra quem busca a santidade; na frieza diante da dor alheia. Ou seja, um coração alinhado com Caim pode estar escondido dentro de uma igreja.

Por isso João diz:

14 Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.

Vejam como o amor revela a conversão e nos dá certeza que ela aconteceu. Amar os irmãos não compra salvação, mas a revela. Amar os irmãos não produz novo nascimento, mas evidencia que já passamos da morte para a vida. Daí vem a conclusão oposta:

Quem não ama permanece na morte.

Se você não ama, você permanece morto espiritualmente. Não há espaço para uma religiosidade vazia. Uma pessoa que não ama não é um cristão imaturo. Quem não ama não é crente. Simples assim.

João prossegue:

15 Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino, e vocês sabem que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.

João está ecoando Jesus no Sermão do Monte. O ódio tem natureza homicida. O assassinato mesmo quando não pode ser cometido externamente encontra um alinhamento de morte no coração de quem odeia. Em outras palavras: amor e ódio não são apenas diferentes. Elas indicam reinos diferentes. Amor cheira vida. Ódio tem cheiro de morte.

Alguém que tem a vida marcada por dureza, ressentimento, inveja, alegria de ver pessoas se dando mal, incapacidade real de amar, não tem um problema de personalidade, não é apenas alguém ranzinza. O problema é falta de conversão, alguém que permanece na morte.

João diz que é muito simples: sem amor, não há vida. Amor e ódio são tanto opostos morais quanto espirituais. Ambos não podem coexistir ao mesmo tempo no mesmo coração.

Isso é ainda mais contraditório em quem já crê. Amar os outros por causa do que Jesus fez por nós é prova de que passamos do reino da morte para o reino da vida espiritual. O amor demonstrado nos dá segurança sobre a vida eterna. Ao amar meus irmãos e irmãs na comunidade de fé, tenho a certeza de pertenço à família de Deus.

Esse amor precisa ser expresso quando somos tentados a agir como Caim, mesmo sem violência externa, quando estamos fazendo comparações, desprezando ou nutrindo hostilidades. Isso precisa ser confrontado, confessado e abandonado.

Uma igreja que abriga frieza, competições ou ressentimentos entre irmãos começa a parecer com o mundo, não com Cristo. Uma igreja saudável não apenas rejeita o ódio explícito; ela também combate a inveja, a rivalidade e a dureza que apodrecem a comunhão por dentro.

João mostrou o que precisamos rejeitar e agora veremos o que ele quer que abracemos. João não quer apenas nos afastar de Caim, Ele quer no conduzir a Cristo, porque a cruz define plenamente o que é amor.

2. Sirvam uns aos outros e sigam o exemplo de Jesus(16–18)

João diz:

16 Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós;

As pessoas estão muito confusas sobre o que é amor verdadeiro. O mundo pensa, fala, canta, escreve sobre amor. Mas será que realmente sabemos o que é o amor? O amor não é definido pelo mundo, pela cultura, nem por poesias. O amor não é definido pela intensidade que sentimos algo por alguém ou por nossos bichinhos. O amor que pode ser conhecido é o de Cristo na cruz.

Se você quer ver o amor, olhe para a cruz. Se você quer entender o amor, olhe para a cruz. Se você quer medir o amor, olhe para a cruz. Nela Cristo deu sua vida por nós.

Amor, em sua essência, não é autopreservação. É autodoação. Amar não é proteger a si mesmo, blindar o ego. Amor é sacrifício, é custo real. Jesus fez muito mais do que dizer que amava. Ele foi além do discurso. Ele se entregou por nós.

Só podemos amar quando consideramos e confiamos na oferta que Jesus fez de Si mesmo em nosso favor. Ele viveu a vida que deveríamos ter vivido, mas não vivemos. E Ele morreu a morte que deveríamos ter morrido, mas que agora não precisamos morrer. Jesus nos colocou acima de sua autopreservação. Nosso Rei morreu em nosso favor!

Quando entendemos a grandeza do que foi feito por nós e as implicações eternas disso, iremos muito além da obrigação de demonstrar gratidão. Isso nos compele a oferecer nossas vidas com alegria como um sacrifício vivo em adoração. A outra consequência inevitável é:

portanto, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.

Acho que ninguém precisou doar um rim ou algum outro órgão. Ninguém aqui precisou literalmente morrer por algum irmão. Quem diz eu morreria por você pode soar nobre ou espiritual, mas estaria disposto a emprestar seu carro e ficar de uber por uma semana?

O ponto aqui é que o amor cristão sempre custa alguma coisa. Pode ser tempo, energia, conforto, dinheiro, paciência, renúncia. Seja o que for, o amor verdadeiro tem sempre um custo. Um amor sem custo é, via de regra, da boca para fora. João chega neste ponto rapidamente:

17 Ora, se alguém possui recursos deste mundo e vê seu irmão passar necessidade, mas fecha o coração para essa pessoa, como pode permanecer nele o amor de Deus?

É fácil ser herói na imaginação ou no discurso. É fácil dizer:

“eu daria minha vida por você.” Mas João pergunta: você daria seu tempo? Seu dinheiro? Sua atenção? Seu lindt? Seu casaco? O último pão de queijo do café da igreja? Seus ouvidos? Sua presença?

Na prática, a maioria das pessoas nunca vai precisar que você morra por elas. Mas é provável que elas precisam que você renuncie alguma comodidade para servi-las. Isso é amor cristão.

Temos facilidade em prometer amor para o futuro: quando eu passar no concurso X, quando eu quitar meu imóvel, quando eu me formar. João mostra que não podemos agir assim.

João diz que, se alguém vê a necessidade real do irmão e fecha o coração, surge uma pergunta inevitável: como pode permanecer nele o amor de Deus? O coração controla as mãos. Coração fechado gera mãos fechadas. Coração aberto pelo evangelho tende a produzir olhos atentos, ouvidos atentos e mãos abertas. Tiago escreve sobre isso também:

15 Se um irmão ou uma irmã estiverem com falta de roupa e necessitando do alimento diário, 16e um de vocês lhes disser: “Vão em paz! Tratem de se aquecer e de se alimentar bem”, mas não lhes dão o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? 17Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Quem tem uma fé morta não se preocupa em servir os outros. João conclui seu pensamento no v. 18:

18 Filhinhos, não amemos de palavra, nem da boca para fora, mas de fato e de verdade.

Essa frase é simples, mas devastadora. Falar de amor é fácil. Postar nas redes sociais é fácil, cantar sobre amor é fácil, prometer amor é fácil. Amar de fato e de verdade é o grande teste. E João acrescenta “de fato e de verdade”. Por que de verdade?

Por que até boas ações podem ser hipócritas. É possível dar esmolas por vaidade, ajudar pessoas para manipular, parecer ser generoso, quando se quer, na verdade, controlar pessoas, fabricar uma imagem ou buscar alguma recompensa. Então Deus não quer apenas boas ações. Ele quer amor verdadeiro, um amor coerente com a cruz, amor moldado por Jesus.

Vimos que é possível falar de amor sem conhecer o amor verdadeiro. O amor verdadeiro é uma pessoa que tem nome e cicatrizes de uma cruz. Procure conhecer essa pessoa e ama-la. Isso vai mudar a forma como você ama e a percepção que você tem sobre o que é amor.

Se a cruz define o amor, então amor sem sacrifício é muito provavelmente apenas discurso. Quem foi amado por Cristo tem seus pés, mãos e coração impelidos para a generosidade e para o serviço.

E como igreja, precisamos amar de fato e de verdade. Nossos amigos e vizinhos tem sede de presença, de serviço, de generosidade e de sacrifício real. Uma comunidade moldada pela cruz aprende a perceber necessidades, abrir o coração e agir concretamente. Isso começa entre os irmãos, como a Bíblia ensina, e então se expande. Se apenas falarmos sobre amor, sem serviço, sem oferta de socorro, sem compartilhamento, contradizemos o que pregamos.

Então, no fim, João nos deixa com dois modelos: Caim e Cristo. Um tira a vida. O outro a dá. Um produz morte, o outro revela amor. com qual dos dois a nossa vida se parece mais?

É por isso que esse texto funciona como diagnóstico espiritual. A pergunta é: como está sua vida de amor? Ela se parece com Caim ou com Cristo? Seu coração se fecha ou se doa? Seu amor é apenas discurso ou é real? Você ama de palavra ou de fato e de verdade?

O mundo é marcado pelo ódio. A igreja deve ser marcada pelo amor. O protótipo do mundo é Caim. O protótipo da igreja é Cristo.