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1 João 5:6-12 - O Testemunho de Deus Acerca do Seu Filho

24 de julho de 202618 min de leitura

1 João 5:6-12 - O Testemunho de Deus Acerca do Seu Filho

O TESTEMUNHO DE DEUS ACERCA DO SEU FILHO1 Jo 5:6–12

6 Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo. Ele não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. 7Pois há três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito. 9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. E este é o testemunho de Deus, que ele dá a respeito do seu Filho. 10Aquele que crê no Filho de Deus tem, nele, esse testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus faz de Deus um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá a respeito do seu Filho. 11E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está no seu Filho. 12Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

Em um tribunal, não basta repetir uma afirmação muitas vezes. Para ganhar uma causa, é necessário provar seu direito com testemunhas confiáveis, evidências consistentes e um conjunto de provas que seja capaz de resistir ao exame e ao contraditório. Quanto mais séria for a questão, maior é a importância das provas apresentadas.

Uma questão fundamental para nossa vida e para a nossa fé é saber quem Jesus é. Ele foi apenas um mestre? Um homem comum usado por Deus de forma especial? Ele foi mais um dentre os profetas? Ou ele é mesmo o Filho eterno de Deus que veio salvar pecadores?

Essa pergunta não é mera curiosidade. Toda a fé cristã depende da resposta que damos a ela. A esperança diante da culpa e da morte, a reconciliação com Deus e a própria vida eterna dependem disso.

As pessoas têm diferentes opiniões sobre Jesus. Alguns o admiram, mas rejeitam sua divindade. Outros elogiam seus ensinos, mas não aceitam a cruz. Alguns querem Jesus como inspiração, mas não como Senhor. Outros desejam a alegria e o consolo que Ele oferece, mas não querem o perdão que só o sangue dEle pode comprar.

João escreveu essa carta num momento em que falsas doutrinas sobre Jesus ameaçavam a igreja. Falsos mestres que haviam convivido com a comunidade cristã agora separavam o homem Jesus do Cristo divino, negando a verdade acerca do Filho encarnado.

João não trata a identidade de Jesus como uma preferência pessoal nem como um assunto sobre o qual todas as opiniões sejam igualmente legítimas. Ele afirma que existe uma verdade objetiva e que o próprio Deus deu testemunho acerca de seu Filho.

O texto dessa manhã repete a figura do testemunho. João apresenta o testemunho histórico da água e do sangue, o testemunho do Espírito, a autoridade de quem testemunha e o conteúdo desse testemunho. Seu argumento é direto: Deus falou acerca de seu Filho e esse testemunho exige uma resposta. O testemunho de Deus é que a vida eterna está exclusivamente em Jesus.

A imagem de um tribunal nos ajuda a acompanhar a linguagem do texto, mas precisamos reconhecer uma diferença fundamental: Deus não está no banco dos réus, esperando nossa aprovação. Seu testemunho é verdadeiro e soberano. Nós é que somos colocados diante da verdade e chamados a responder por aquilo que fazemos com ela.

I. DEUS TESTEMUNHOU ACERCA DO SEU FILHO NA HISTÓRIA

6 Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo. Ele não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue.

A água e o sangue apontam para dois momentos decisivos do ministério de Jesus: seu batismo e sua crucificação. Esses dois acontecimentos não são colocados lado a lado por acaso. João deseja mostrar que o mesmo Jesus revelado no batismo é o Filho que derramou seu sangue na cruz.

**O testemunho da água.**O batismo de Jesus marcou o início do ministério público de Jesus. Quando Jesus saiu das águas, os céus se abriram. O Espírito Santo desceu sobre ele. E a voz do Pai declarou: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.”

O batismo revela o Deus trino. O Filho está nas águas. O Espírito desce sobre o Filho. O Pai fala dos céus. Jesus é publicamente revelado e identificado como o Filho amado e ungido para cumprir a missão que recebera do Pai.

A declaração do Pai reúne duas grandes expectativas do Antigo Testamento. Jesus é o Rei prometido no Salmo 2. Mas é também o Servo sobre quem Deus colocaria seu Espírito, como anunciado em Isaías 42, mas o caminho do seu reino passaria pelo sofrimento do servo descrito em Isaias 53.

Jesus não foi batizado porque precisava se arrepender de pecados. Ele nunca pecou para precisar de arrependimento ou de perdão. Ele entrou nas águas porque veio identificar-se com os pecadores que salvaria. No início de seu ministério, ele se coloca no lugar dos culpados. No final de seu ministério, ele morre no lugar dos culpados.

O batismo, portanto, não é um episódio decorativo da vida de Jesus. Ele anuncia sua identidade e antecipa sua missão. O Pai declara: “Este é o meu Filho”. O Espírito o unge. O Filho se identifica com aqueles que veio resgatar. Mas João acrescenta:

Ele não veio somente com a água, mas com a água e com o sangue.

Por que a ênfase? Porque é possível admirar o Jesus do batismo e rejeitar o Cristo da cruz. É possível gostar do Jesus que ensina, cura, acolhe e realiza milagres, mas recusar o Jesus que derrama o sangue como sacrifício pelo pecado. A Bíblia não permite essa separação, o Cristo que veio pela água é o Cristo que veio pelo sangue.

**O testemunho do sangue.**O sangue aponta para a cruz. A obra pública iniciada no batismo encontra seu cumprimento na cruz.

Na cruz, Jesus não morreu apenas por causa da maldade humana ou como um exemplo de coragem de um mártir que permaneceu fiel às próprias convicções. Jesus morreu como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo assumindo uma morte voluntária, substitutiva e expiatória.

A morte de Jesus na cruz satisfez a justiça de Deus e abriu o caminho para a reconciliação de pecadores com Deus. Na cruz, Jesus ocupou o lugar de seu povo. Aquele que não conheceu pecado foi tratado como pecador para que pecadores fossem recebidos como justos diante de Deus.

Por isso, pouco antes de morrer, Jesus declarou: “Está consumado.” Jesus declara a perfeição do seu sacrifício, que concluiu a missão dada por Seu Pai, que a dívida foi paga, que o sacrifício foi derramado, que a justiça de Deus contra o peado foi satisfeita, que o caminho para o Pai foi aberto.

João está dizendo que é impossível separa Jesus da cruz. Não existe cristianismo sem o sangue da cruz, não existe evangelho, perdão ou reconciliação sem a sem expiação. Não existe salvação sem a morte substitutiva do Filho de Deus.

Jesus não é só um modelo de bondade, alguém que veio para te ajudar com a autoestima, organizar nossa vida ou nos ajudar a alcançar objetivos pessoais. Um Jesus que existe apenas para melhorar sua caminhada neste mundo não é o Jesus anunciado pelos apóstolos.

O Jesus da Bíblia veio para tratar do nosso problema mais profundo que é o de sermos pecadores diante de um Deus Santo. Ele veio morrer no lugar de pecadores. A cruz proclama que o Rei do céu desceu. Ele veio para resgatar, para substituir seu povo no julgamento de Deus. Ele não veio para mostrar um caminho, Ele veio para ser o Caminho.

A água e o sangue concordam: Jesus é o Filho de Deus enviado para salvar. **O testemunho do Espírito.**João acrescenta:

E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.

O Espírito Santo esteve presente em todo o ministério de Jesus. Foi pelo Espírito que Jesus foi concebido no ventre de Maria. O Espírito desceu sobre ele em seu batismo. O Espírito o conduziu ao deserto. No poder do Espírito, Jesus anunciou o reino, curou enfermos e libertou oprimidos.

Depois da ressurreição e da ascensão de Cristo, o Espírito capacitou os apóstolos para testemunharem. Foi o Espírito quem inspirou a Bíblia que anuncia Jesus e sua obra. E o Espírito Santo que continua agindo para abrir os olhos de pecadores e revelar-lhes a glória de Cristo.

O Espírito não age para competir com o Filho nem para produzir uma espiritualidade independente de Cristo. Sua obra é glorificar o Filho e aplicar ao povo de Deus aquilo que Cristo realizou. Onde o Espírito da verdade age, Jesus é exaltado. Sua encarnação é confessada, sua cruz é proclamada, sua ressurreição é anunciada e seu senhorio é reconhecido.

Quando uma mensagem diminui a pessoa de Jesus, esvazia a cruz ou coloca o ser humano no centro, estamos diante de um discurso que não pode reivindicar a aprovação do Espírito Santo. O Espírito aponta para Cristo. João conclui:

7 Pois há três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.

João ensina que o Espírito, a água e o sangue são unânimes em seu testemunho. Eles não apresentam mensagens concorrentes. O batismo declara que Jesus é o Filho amado. A cruz revela o Filho que entrega a vida pelos pecadores. O Espírito confirma a identidade e a obra do Filho.

O testemunho é coerente, histórico e divino. Isso é muito importante para cristãos que enfrentam dúvidas. Nossa fé não reside primeiramente nas nossas emoções, nas experiências que tivemos ou na nossa capacidade de permanecer crendo com a mesma intensidade. Nossa fé repousa no que Deus fez na história.

Jesus veio, foi batizado, morreu, ressuscitou, apareceu vivo a numerosas testemunhas, ascendeu aos céus e enviou seu Espírito. O Espírito continua testemunhando acerca de Cristo por meio da Palavra que inspirou e capacita a igreja a proclamar fielmente esse testemunho.

Quando nossas emoções oscilam, Cristo permanece; quando nossas percepções mudam, o testemunho de Deus permanece. Quando nossa fé enfraquece, o objeto da nossa fé continua forte.

O testemunho de Deus não apenas nos fortalece, mas também exige uma resposta. II. O TESTEMUNHO DE DEUS EXIGE UMA RESPOSTA

João prossegue:

9 Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior.

Diariamente aceitamos testemunhos humanos. Confiamos em documentos assinados por pessoas, aceitamos laudos profissionais, tomamos decisões baseadas em relatórios feitos por outras pessoas. Formamos opiniões a partir de relatos que julgamos confiáveis e, às vezes, passamos até a rejeitar ideias por causa de recortes na mídia.

Em um tribunal, o testemunho de uma pessoa pode influenciar decisivamente o destino de outra. No Antigo Testamento, duas ou três testemunhas eram necessárias para estabelecer um fato. João argumenta, portanto, do menor para o maior: se aceitamos testemunhos humanos confiáveis, quanto mais deveríamos receber o testemunho do próprio Deus.

O testemunho de Deus tem uma origem superior. Ele conhece o Filho desde a eternidade e de forma perfeita. Deus não pode ser enganado e nem conhece apenas parcialmente. Deus não distorce a realidade e nem mente.

O testemunho apresentado pela água, pelo sangue e pelo Espírito é o testemunho que Deus dá acerca de seu Filho. O Pai não é uma quarta testemunha acrescentada à lista. Ele é a fonte e a autoridade de todo o testemunho.

Foi o Pai quem falou no batismo, Ele quem enviou o Filho ao mundo, Ele quem recebeu o sacrifício feito na cruz, Ele quem ressuscitou Jesus dentre os mortos, Ele quem enviou o Espírito para glorificar o Filho. Deus colocou sua própria autoridade por trás da afirmação de que Jesus é seu Filho. Por isso, João rejeita qualquer ideia de neutralidade:

E este é o testemunho de Deus, que ele dá a respeito do seu Filho. 10Aquele que crê no Filho de Deus tem, nele, esse testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus faz de Deus um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá a respeito do seu Filho.

Essa é uma das declarações mais fortes da carta. Rejeitar Jesus não é apenas cometer um erro intelectual nem escolher uma religião entre várias opções igualmente legítimas. Quem rejeita o Filho chama Deus de mentiroso. Não crer em Jesus é declarar que Deus não é digno de confiança e que aquilo que ele afirma acerca de seu Filho é falso.

Isso não significa dizer que toda dúvida é uma blasfêmia, mas há diferença entre apresentar perguntas honestas a Deus e usar nossas dúvidas como um escudo para que não precisemos nos arrepender. Certas pessoas desejam compreender para crer, outras exigem compreender tudo porque não querem crer.

A dúvida, então, pode ser parte de uma busca honesta, mas pode assumir a forma de uma defesa para evitar a submissão. Então é necessário examinar além dos argumentos e olhar para o coração. O que você fará com o testemunho que Deus deu acerca de seu Filho?

A imagem do tribunal encontra aqui seu limite. Não somos juízes soberanos decidindo se Deus apresentou provas satisfatórias. É o testemunho de Deus que pronuncia um veredicto sobre nós. Diante dele, só existem duas respostas: fé ou incredulidade, receber ou rejeitar o Filho, confiar em Deus ou acusá-lo de falsidade. João afirma:

10 Aquele que crê no Filho de Deus tem, nele, esse testemunho

Quem crê no Filho de Deus tem em si um testemunho interno que não é baseado apenas em sentimentos, mas nas Escrituras aplicadas pelo Espírito Santo. O evangelho que era apenas ouvido externamente passa a ser reconhecido como verdadeiro.

O crente não apenas sabe que os cristãos afirmam que Jesus é o Filho de Deus, mas ele passa a crer pessoalmente nessa verdade. O crente não apenas sabe que Cristo morreu por pecadores, ele descansa na suficiência dessa morte. Quem crê não apenas sabe da promessa da vida eterna, mas recebe essa promessa como palavra de Deus.

O testemunho externo, recebido pela fé, torna-se uma certeza interior. Isso tem grande importância para a segurança da salvação. Tem gente que olha para o passado e não sabe indicar exatamente o dia em que creu, não lembram de uma oração específica nem exatamente quando passaram da morte para a vida.

Saber identificar quando se creu é uma lembrança valiosa, mas nossa segurança não está em lembrar de uma data. A pergunta então não é “Quando você creu?”, mas “em quem você está crendo hoje”?”

Sua confiança está na sua vida na igreja, na sua tradição religiosa, na sua capacidade de ser melhor que o seu vizinho, ou você confia sua salvação apenas a Jesus?

A fé que salva não é a fé que nossos sentimentos aprovam, mas a fé na suficiência do Filho de Deus. Algumas pessoas passam tanto tempo examinando a própria fé que deixam de olhar para Cristo. A segurança da nossa salvação não está na força da mão que segura em Cristo, mas na força de Cristo para sustentar aquele que crê.

Uma mão trêmula ainda pode receber um remédio eficaz. A tremedeira da mão não reduz o poder do remédio. Da mesma maneira, não é a força da fé que salva, mas o Cristo recebido pela fé.

Isso, porém, não significa que os frutos da fé sejam irrelevantes. João já ensinou que quem conhece a Deus anda na luz, luta contra o pecado, guarda seus mandamentos e ama os irmãos. Não somos salvos por esses frutos, mas a fé que recebe o Filho não permanece estéril.

A ausência de perfeição não deve destruir a segurança do cristão verdadeiro. Entretanto, a ausência persistente de arrependimento, obediência e amor não deve ser encoberta por uma profissão religiosa. O evangelho consola o pecador que luta contra o pecado, mas não tranquiliza aquele que deseja permanecer nele sem arrependimento.

A pergunta central permanece: você tem o Filho? E isso nos conduz ao conteúdo do testemunho de Deus que nos assegura vida. **III. O TESTEMUNHO DE DEUS NOS ASSEGURA A VIDA.**João escreve:

11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está no seu Filho.

A vida eterna é o conteúdo do testemunho. O que Deus declarou acerca de seu Filho? Que Deus nos concedeu vida eterna por intermédio de Jesus.

A vida eterna é um presente de Deus, nós não a conquistamos, não a merecemos, não é a recompensa pelo nosso heroísmo por algum tipo de martírio. Deus dá a vida eterna. Ela nasce da graça de Deus.

Pecadores mortos em seus pecados não produzem vida. Não conseguimos compensar nossos pecados com boas obras, não pagamos nossas dívidas pelo esforço. Deus dá vida por intermédio do Filho.

A vida eterna não é apenas continuar existindo para sempre. Viver sem Deus para sempre seria algo péssimo. Ter vida eterna é ter a vida que procede de Deus, que traz reconciliação e comunhão com Deus para sempre. Ter a vida eterna é conhecer o Pai por meio do Filho, ser perdoado, recebido na família de Deus, viver sob o senhorio de Cristo.

Ter a vida eterna aqui é possuir algo que a morte física não pode destruir. A vida eterna começa aqui e continua por toda a eternidade. Mas João acrescenta algo que nossa cultura religiosa considera ofensivo:

e esta vida está no seu Filho.

A vida eterna depende de Jesus. A vida eterna não está em todas as religiões, na sinceridade das pessoas, na crença em algo superior ou na tentativa de viver segundo bons padrões. A vida eterna está no Filho.

Jesus não é apenas alguém que ensina como encontrar a vida, Ele é a fonte da vida. Não dá para separar Jesus do presente que Ele nos dá. Não dá para ter a vida eterna e rejeitar o Filho eterno. João conclui:

12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

Há apenas duas condições espirituais: Ter o Filho e ter a vida e não ter o Filho e permanecer na morte.

Ter o filho não é saber sobre coisas sobre Jesus, saber explicar a encarnação, defender doutrinas, frequentar igrejas, ter nascido em lar cristão ou servir na igreja. Tem gente que preenche tudo isso e não tem o Filho.

Ter o Filho significa recebê-lo pela fé, crer nEle, pertencer a Ele, descansar em Sua obra, ser submisso ao seu domínio, estar unido com Ele. Estar próximo da religião não é o mesmo que ter o Filho. Conhecer pessoas piedosas não é o mesmo que ser piedoso. Ser filho de cristãos não significa ser cristão. Participar de uma igreja não significa estar unido com Cristo.

Pais, lembrem disso. O que desejamos para nossos filhos vai muito além de serem pessoas de sucesso, educadas, disciplinadas e acostumadas com as práticas religiosas. Sim devemos ensinar bons hábitos, ensinar a Bíblia, conduzi-los à igreja, mas a educação cristã não produz o novo nascimento por si mesma. Somente Cristo salva, pelo poder do Espírito. A vida está no Filho.

Precisamos apresentar Cristo aos nossos filhos. Eles precisam aprender que necessitam de perdão, que a obediência não compra o amor dos pais e nem o favor de Deus. Eles precisam ser levados repetidamente à cruz, precisamos orar para que eles recebam o Filho.

Eles verão suas próprias fraquezas, como nós vemos as nossas. Eles perceberão a sua obediência imperfeita, as orações irregulares e um amor por Deus menos intenso do que gostariam. Eles lutarão contra pecados, cairão e podem desanimar.

Eles precisam crer que sua esperança não está em atingir um ponto em que não encontrem mais fraquezas em si mesmo. A esperança só pode estar em Cristo. A vida não está na nossa performance, na intensidade das nossas experiências, na ausência de dúvidas ou na estabilidade emocional. A vida está em Cristo.

Essa aplicação não serve apenas aos pais. Todo cristão precisa aprender a reconhecer suas fraquezas sem transformá-las em sua identidade final. Nossa identidade, nossa justiça e nossa vida estão em Cristo.

O mesmo texto confronta a igreja como comunidade. Nosso papel não é apenas ajudar pessoas a enfrentar melhor este mundo cheio de sofrimento. Também não é apenas ajudar famílias a se tornarem mais funcionais. Essas coisas podem acontecer como frutos do evangelho, mas não são o centro de nossa missão.

Nossa missão é testemunhar acerca do Filho, anunciar que ele veio pela água e pelo sangue, proclamar que o Filho de Deus morreu e ressuscitou e chamar pessoas ao arrependimento e à fé.

Isso deve orientar tudo o que fazemos como igreja. A pregação, o ministério com as crianças, os pequenos grupos, o aconselhamento e o cuidado mútuo não podem apenas ajudar pessoas a suportarem melhor a vida. Tudo precisa conduzir ao Filho, porque somente nele há vida.

Não basta termos atividades cristãs. Não basta mantermos uma comunidade acolhedora. Não basta oferecermos bons conselhos para casamentos, filhos, trabalho e sofrimento. Se não conduzirmos as pessoas ao Cristo encarnado, crucificado e ressuscitado, ofereceremos alívio temporário sem vida eterna.

A igreja não existe apenas para tornar a morte mais confortável. Existe para anunciar aquele que venceu a morte.

Conclusão.João nos conduziu a uma sala de audiência. As testemunhas foram ouvidas. As águas do batismo declararam que Jesus é o Filho amado, ungido pelo Espírito e enviado pelo Pai. O sangue derramado na cruz declarou que esse Filho ofereceu sua vida como sacrifício pelos pecadores. O Espírito confirmou que Jesus é o Cristo e continua glorificando-o por meio da verdade. Por trás de todo esse testemunho está a autoridade do próprio Deus.

Deus deu testemunho acerca de seu Filho. E o conteúdo do testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna. Essa vida está em seu Filho. Diante disso, precisamos responder:

Talvez você esteja tentando ser aceito por Deus. Para isso, você pode tentar confiar na sua moralidade, em sua religião ou imaginar que você é melhor que outras pessoas. Abandone a tentativa de justificar a si mesmo. Arrependa-se de seus pecados e confie no Filho que morreu e ressuscitou por pecadores.

Talvez você admire Jesus, mas rejeite o significado e a necessidade da cruz. Você precisa receber o Cristo inteiro: o Filho encarnado, crucificado, ressuscitado e Senhor.

Talvez você caminhe próximo da igreja, mas nunca tenha se rendido pessoalmente a Cristo. Estar próximo não significa ter vida. Conhecer o evangelho não significa ter recebido o evangelho. A vida está no Filho.

Talvez você seja um cristão angustiado com as variações de sua fé, preocupado com falhas e fraquezas. Olhe novamente para o testemunho de Deus. Sua salvação não está na perfeição de sua fé, mas na perfeição daquele em quem você crê. Não use a graça como proteção contra o arrependimento. Um crente de verdade confessa pecado, volta-se para Cristo, tem o desejo de obedecer e de aprender a amar.

Deus não está esperando que você mereça a vida eterna. Ele oferece vida como um dom concedido por intermédio de seu Filho. Creia no testemunho de Deus. Arrependa-se de sua incredulidade. Descanse na obra de Cristo. Receba o Filho pela fé.

Porque quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.