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3 João 1:9-15 - Quando Cristo Ocupa o Primeiro Lugar

21 de agosto de 202613 min de leitura

3 João 1:9-15 - Quando Cristo Ocupa o Primeiro Lugar

9 Escrevi algumas palavras à igreja, mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. 10Por isso, quando eu for aí, farei com que se lembre das obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras caluniosas. E, não satisfeito com isso, ele não recebe os irmãos, impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja. 11Amado, não imite o que é mau, e sim o que é bom. Quem pratica o bem procede de Deus; quem pratica o mal jamais viu a Deus. 12Quanto a Demétrio, todos dão bom testemunho dele, até a própria verdade. E nós também damos testemunho, e você sabe que o nosso testemunho é verdadeiro. 13Muitas coisas tinha para lhe escrever, mas não quis fazê-lo com tinta e pena, 14pois espero vê-lo em breve. Então conversaremos pessoalmente. 15A paz esteja com você. Os amigos mandam saudações. Dê saudações aos amigos, um por um.

A primeira parte da carta nos apresentou Gaio. Alguns irmãos foram hospedados por ele e fizeram um relato para o apóstolo João. Eles disseram que viram em Gaio verdade, amor e uma vida colocada a serviço de pessoas que haviam saído em missão.

João explicou a razão: “Pois foi por causa do Nome que eles saíram.” Esse era o centro da motivação correta: **O Nome de Jesus.**Gaio colocou seus bens, tempo e habilidades a serviço de um Nome maior que o seu.

Agora João apresenta outro homem: Diótrefes, v. 9:

9 Escrevi algumas palavras à igreja, mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

Algo chama muito atenção aqui. Uma frase revela muita coisa: **Diótrefes gostava de exercer a primazia.**Ele gostava do primeiro lugar. Ele gostava da posição que havia buscado, da influência que exercia, do poder de decidir. Diótrefes é o tipo de líder que produz abuso espiritual. Havia um desejo em seu coração e esse desejo motivou ações.

Mas não podemos pensar em Diótrefes apenas como uma espécie de dominador, um líder perverso, por que isso faria dele alguém muito distante, alguém que estaria atrás de um púlpito ou na liderança e longe dos bancos. Veremos que ele não é muito diferente de nós.

João expõe a raiz no coração de Diótrefes: Ele queria ser o primeiro. E esse desejo é muito presente nas igrejas, nas famílias, no trabalho, nos relacionamentos. Essa propensão está dentro de nós.

Nós conhecemos o desejo de sermos notados, o prazer de achar que temos razão, a irritabilidade que ferve quando nossa opinião não prevalece. Pior, sentimos certo incômodo quando alguém recebe algum crédito e resistimos quando parece que estamos perdendo espaço. Essa tendência em nós abre espaço para uma pergunta difícil: Quem ocupa o primeiro lugar?

A verdade que vai conduzir o sermão aqui é simples de entender, mas difícil de viver: Quando Cristo ocupa o primeiro lugar, nós paramos de lutar para ocupar essa posição.

Nesse sentido, vamos olhar para três perspectivas João nos mostra três coisas.

1. A busca por primazia destrói a comunhão

9 Escrevi algumas palavras à igreja, mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

João identifica a raiz do problema: **Ele gosta da primazia.**Essa motivação egoísta faz com que frutos podres:

Um coração ensimesmado não é um coração que acolhe nem um coração que se submete. O apóstolo João diz que Diótrefes não o acolhe, mas não para por aí. Ele passa a combater a pessoa do apóstolo João com palavras caluniosas.

10 Por isso, quando eu for aí, farei com que se lembre das obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras caluniosas.

Diótrefes queria preservar sua posição de autoridade naquela igreja e João representava uma autoridade que ele não conseguia controlar. Por causa disso, aquele homem tentou destruir a imagem do apóstolo. Ele passou acusações falsas contra João. Ele liderou conversas para tentar diminuir quem ele temia que diminuísse seu controle da situação. E ele fez mais:

E, não satisfeito com isso, ele não recebe os irmãos, impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja.

Veja a progressão do problema. Ele quer exercer a primazia, é o desejo do seu coração. Por causa disso, ele rejeita João, calunia o apóstolo, rejeita os missionários, impede as pessoas que desejam recebê-los de o fazer, expulsando essas pessoas que não se submetem às suas diretrizes.

Quem deseja ter a primazia será governado por esse desejo. Não dá para manter esse desejo sem que ele transpareça. Essa propensão de domínio não fica escondida num canto do coração. Ela brota e começa a avaliar os relacionamentos por essa ótica.

Quando desejamos alcançar ou manter um lugar de primazia, começamos a classificar as pessoas como aliadas ou ameaças. Gente que precisa ser bajulada ou neutralizada. Classificamos as pessoas como úteis ao projeto ou obstáculos. Aquilo que era para ser vivido como uma comunhão se transforma num jogo diplomático. Quem me apoia? Quem me desafia? Quem reconhece minha importância? Quem questiona minhas decisões?

Diótrefes transformou a vida da igreja em uma disputa de poder. Isso é muito grave. Não é simplesmente ser uma pessoa chata ou desagradável. A busca pela primazia aniquilava a comunhão na igreja e afetava a missão. Homens haviam saído por causa do Nome de Jesus e Diótrefes fechava a porta na cara deles.

Percebam, é possível fazer da fé um instrumento para construir um reino pessoal. Isso é mais comum do quem pensamos. Gente que se fica ferida ao pensar: é minha função, essa decisão precisa ter passado por mim, se não me consultaram, tem algo errado; se alguém obteve algum reconhecimento, preciso entender o motivo.

Mas isso também acontece dentro do lar. Toda discussão precisa terminar com minha opinião prevalecendo, quando não achamos que temos que pedir perdão porque somos a mãe ou o pai, quando sugestões são recebidas como ameaças, ou quando lembramos do que fazemos e esquecemos do que os outros fizeram.

Em resumo, o desejo de ter a primazia se revela quando deixamos de perguntar **“Como posso servir?”**e começa a perguntar: **“Qual é o meu lugar aqui?”**Há um teste muito simples. **Como você reage quando não é reconhecido?**Quando sua ideia não é escolhida? Quando outra pessoa é elogiada? Quando alguém discorda de você? Quando as coisas funcionam muito bem sem você? Quando reagimos com amargura demonstramos que desejamos ter a primazia.

Diótrefes gostava da primazia e você? Aquilo que amamos começa a governar como vivemos e como tratamos as pessoas. Isso acontece conosco, também. Por isso João não apenas alertou Gaio que: “Diótrefes estava errado.” Ele diz algo ainda mais importante.

2. Não deixe o mal formar seu caráter

11 Amado, não imite o que é mau, e sim o que é bom. Quem pratica o bem procede de Deus; quem pratica o mal jamais viu a Deus.

Este versículo é o alerta mais importante aqui. João adverte Gaio para que não imitasse Diótrefes.

Diótrefes não era apenas um problema na igreja, um líder abusivo. Ele era um exemplo perigoso, um modelo a não ser copiado. Gente, o pecado ensina. Nós aprendemos a falar, a reagir, a lidar com conflitos, a liderar, e podemos aprender a pecar com mais tranquilidade.

Podemos aprender a chamar controle de liderança; agressividade de firmeza ou franqueza; a tratar a fofoca como um compartilhamento necessário; ou chamar vaidade de excelência. É possível tratar nossa busca por reconhecimento e projeção da imagem pessoal como zelo.

João diz: **Não imite.**Somos pessoas pecadoras também e podemos permitir que o pecado de outra pessoa nos influencie a pecar. Podemos aprender a ser agressivos com pessoas agressivas; responder com orgulho contra quem age de forma orgulhosa contra nós. Podemos reagir de forma defensiva da nossa imagem quando alguém nos calunia.

João alerta para que não permitamos que o mal seja nosso modelo. “Não imite o que é mau, e sim o que é bom.” Essa deve ser a resposta de quem procede de Deus. “Quem pratica o bem procede de Deus.”

Novamente o evangelho aqui. Não tornamos filhos de Deus ao fazer o bem, mas porque somos filhos de Deus fazemos o bem. É a mesma lógica que aplicamos com Gaio no sermão anterior. Primeiro a graça, depois frutos numa nova vida. Fazer o que é bom é um fruto e a nossa forma de agir revela quem estamos seguindo.

Por isso a segunda frase é tão séria: “Quem pratica o mal jamais viu a Deus.” A ideia aqui é de quem vive praticando o mau demonstra que jamais teve real conhecimento de Deus. Não dá para professar algo e viver de maneira completamente oposta de forma indefinida.

Quem merece a primazia? Diótrefes queria ser o primeiro. Lembram que os apóstolos também discutiam entre si quem deles deveria ser o maior? Eles desejavam projeção pessoal, mas Jesus lhes ensinou que, em seu Reino, ter grandeza é servir.

Quem deseja ser grande no Reino de Deus deve aprender servindo. Quem deseja ser o primeiro deve aprender a ocupar o lugar de servo. É essa é a atitude de Jesus em todo o seu ministério. Ele não apenas ensinou, ele entregou a própria vida.

O Filho do Homem veio para servir e dar sua vida por regaste de muitos, Jesus, o verdadeiro Rei, veio como servo. Aquele que é digno de ocupar o trono não precisou lutar para manter. Ele se entregou. E essa entrega não foi apenas para ser um modelo de servo ou um paradigma de liderança. Jesus serviu a humanidade com sua vida para salvar pecadores.

Cristo entregou sua vida por pecadores; morreu por gente dominada pelo desejo de primazia, por vaidade; pelo desejo de controle. Gente desesperada por aprovação, gente que insiste em ser dono do próprio nariz e em pisar em pessoas para preservar isso.

Mas Jesus, o Rei, se entregou numa cruz para morrer em nosso lugar. Ele ressuscitou para nos dar nova vida. Só o evangelho pode nos libertar da luta pela primazia. Quem entende o evangelho sabe que tem um Rei que ocupa o primeiro lugar e quem o merece.

**Quando Cristo ocupa o primeiro lugar, nós paramos de lutar por esse lugar.**Isso nos liberta para servir, para ouvir crítica sem morrer por dentro, para admitir erros e para pedir perdão. O evangelho nos dá o poder para ficar alegres quando Deus usa outras pessoas além de nós e para fazermos o bem sem precisar que os outros saibam que fizemos.

Não precisamos ser imitadores de Diótrefes quando Jesus nos oferece um caminho melhor, um caminho que produz vida, comunhão e propósito. Gaio tem exemplos melhores para seguir. João apresenta agora outra pessoa:

3. Quem anda na verdade pode deixar que a verdade o defenda

12 Quanto a Demétrio, todos dão bom testemunho dele, até a própria verdade. E nós também damos testemunho, e você sabe que o nosso testemunho é verdadeiro.

Demétrio aparece quase no final da carta. Não sabemos quase nada sobre ele, mas o que sabemos é bem suficiente. Ele tinha bom testemunho.

João apresenta três testemunhas. As pessoas davam testemunho dele, o próprio João dava testemunho e, de forma mais surpreendente, João afiram que a própria verdade dava testemunho de Demétrio.

Lembram do último sermão: Gaio andava na verdade. Agora Demétrio tem a verdade como sua testemunha.

Entre Gaio e Demétrio, temos Diótrefes, um homem cujas atitudes contradiziam a verdade. João mostra que o evangelho não é apenas algo em que cremos, mas como vivemos. Como andamos. A verdade se torna um padrão que serve para examinar nossas vidas.

Demétrio era um homem que não precisava se defender. Ele não precisava dizer que era fiel ou que merecia confiança. A verdade, a coerência, estava a seu favor. A verdade falava em defesa dele. Quem vive na verdade não se preocupa com as pessoas pensam sobre ela; quem vive na verdade se preocupa em viver de forma fiel diante de Deus.

Quem vive preocupado com a própria imagem tenta controlar o que as pessoas sabem sobre si, mas quem tem um relacionamento com Deus se preocupa com a opinião de Deus sobre seus pensamentos e intenções.

Se a sua reputação dependesse exclusivamente dos testemunhos das pessoas, o que sua família diria, seus colegas de trabalho, seus irmãos no mesmo ministério? E acima de tudo isso, o que a verdade diria?

Que reputação você quer construir? Uma imagem editada para receber aplausos de quem não te conhece de verdade ou ter uma vida coerente com o evangelho? Então João concluiu:

13 Muitas coisas tinha para lhe escrever, mas não quis fazê-lo com tinta e pena, 14pois espero vê-lo em breve. Então conversaremos pessoalmente.

João deseja encontro, presença, comunhão, olho no olho. João deseja a comunhão com gente que ama Jesus e um aos outros. João deseja uma igreja. João deseja relacionamentos não superficiais e irá, mesmo já idoso, se esforçar para encontrar com aquelas pessoas cara a cara.

O último versículo da carta diz:

15 A paz esteja com você. Os amigos mandam saudações. Dê saudações aos amigos, um por um.

A carta termina com desejo de paz, com saudações de amigos, com gente sendo lembrada uma por uma. É isso que acontece quando Jesus ocupa o centro, ele forma uma comunidade em que há paz, amizade e comunhão não qual não se disputa primazia.

Numa igreja saudável, podemos ter amigos, imitar o que é bom na vida uns dos outros, viver uma paz que o mundo não conhece. Num ambiente em que Cristo é o cabeça, podemos deixar a verdade formar nosso caráter e desfrutarmos de paz.

Agora vimos a carta inteira. Gaio colocou sua vida, seu tempo e seus recursos a serviço do Nome. Diótrefes queria o primeiro lugar e Demétrio viveu de uma maneira que produziu um bom testemunho. A pergunta final é quem ocupa o primeiro lugar em sua vida?

Podemos gastar nossa vida tentando construir nosso castelo de cartas, protegendo uma reputação, tentando vencer discussões inúteis, construindo uma influência para tentar ganhar algo com isso, enquanto tentamos destruir qualquer coisa que abale nossa importância. Contudo, há um caminho melhor, reconhecer que já existe um Rei que é Jesus Cristo.

E quando Cristo realmente ocupa o primeiro lugar, nós paramos de lutar por esse lugar. Essa verdade muda a forma como nos relacionamos, paramos de precisar vencer, aparecer, controlar e somos libertos para servir, fazer o bem, pedir perdão, celebrar a vitória dos outros. Passamos a viver de forma que a verdade nos defenda.

Se você ainda não se rendeu ao reinado de Jesus, saiba que algo está no centro de sua vida. Pode ser sua reputação, seu sucesso, sua aparência, sua falsa independência. A sua ideia de felicidade vai governar sua vida. Porém, Jesus te chama para algo maior.

Aquele que é Rei, veio para servir e dar sua vida para resgatar você de você mesmo. Ele morreu e ressuscitou e te convida a abandonar a ideia de que você é a melhor pessoa para governar sua vida. Ele te chama para se arrepender e para crer nEle. Você não precisa fazer seu nome reconhecido, você só precisa crer no Nome dEle e viver isso.

Quem já crê, precisa perguntar em que áreas da sua vida você ainda está tentando ter a primazia. É no seu lar, no trabalho, na igreja, nas discussões? Ainda há em você uma sede por reconhecimento humano?

Um bom indicativo de que você está amadurecendo é perceber que você não precisa ser o primeiro porque este lugar já está ocupado por aquele que reina para sempre e é digno dessa posição.

Diótrefes queria a primazia, Gaio andava na verdade e Demétrio tinha a verdade como testemunha dele. João disse: “Não imite o que é mau, e sim o que é bom.” Esse é o chamado. Não permita que o orgulho dos outros molde como você reage. Não permita que sua sede por importância governe sua vida.

Olhe para Jesus, siga o Rei servo, faça e imite o bem, ande na verdade e tenha a verdade seja sua testemunha de que você não luta mais pelo primeiro lugar porque sabe e vive com a certeza de que Jesus ocupa o lugar do qual Ele é digno.