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Efésios 6:10-24 - Vida é Guerra: A Armadura de Deus e a Oração

31 de dezembro de 202223 min de leitura

Efésios 6:10-24 - Vida é Guerra: A Armadura de Deus e a Oração

Vida é guerra. Ef. 6:10-24

Como permanecer firmes em meio a guerra espiritual.

I – esteja consciente a respeito da luta (10-13)

II – Vista a armadura de Deus (13-17)

III – Dedique-se à oração (18-20)

IV- considerações finais da carta.

Meu chute é que as pessoas olham para este texto de 3 formas: alguns acham muito legal. É gente que gosta de assistir filmes como gladiador, 300, coração valente, resgate do soldado Ryan. Gente que gosta de paintball ou airsoft. Para eles, a armadura de Deus é algo muito interessante.

Outros acham o texto antiquado ou até ridículo ao descrever uma roupa militar antiga. Alguém com roupa de couro não traz a ideia de força, de vitalidade ou de segurança no sec. XXI. Preferimos tanques, granadas, armas guiadas a laser, helicópteros, bombardeiros e drones. Para adultos que cresceram jogando counter strike, alguém vestindo um armadura antiga pode ser algo ridículo.

Para outros, essa linguagem militar parece fanática e obscurecida. Já não deu dessa conversa de guerra santa? Essa dicotomia de bom/ mau não é o subproduto de escritos supersticiosos? Nossos reais problemas não são sociais, psicológicos, relacionais, econômicos ou políticos? Como devemos responder a essas posições?

Essa passagem não é antiquada. Ela é atemporal. Embora use uma metáfora antiga, ela não poderia ser menos relevante. Não dá para substituir os itens por coisas modernas: bazuca da justiça, drone da verdade. Isso seria uma tolice e afastaria a aplicação da metáfora. Parte da ideia é que a armadura protege determinadas partes do corpo. Um drone militar de última geração não se aplica.

Essa passagem é atemporal porque a humanidade é a mesma. As necessidades espirituais são as mesmas e o nosso inimigo ainda é o mesmo e permanece ativo. Ele está tão ativo quanto esteve no Eden. Crentes de Éfeso e do Jardim Botânico tem a mesma necessidade de Cristo e de seu imenso poder.

Além disso, a passagem não é ridícula, ela é baseada no Antigo Testamento. Claro que Paulo conhecia a armadura dos soldados romanos, e ele poderia estar olhando para um que o vigiava na prisão no momento em que escrevia. Mas a linguagem é baseada na armadura real de guerra do AT, especialmente em Isaias, que faz várias referências a Deus e ao Messias como um guerreiro e ao seu povo como seu exército que precisa da força de Deus.

Isaias 42:13O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra. Clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará sua força contra os seus inimigos.

Isaias 11:5O cinto dele será a justiça, e a verdade será a faixa na cintura.

Isaias 49:2 sobre o Messias ele diz:

2 Ele fez a minha boca como uma espada aguda, na sombra da sua mão me escondeu. Ele fez de mim uma flecha polida, e me guardou na sua aljava.

Paulo escolheu essas figuras que faziam sentido para seus leitores e que precisam fazer para nós. Ele usou a linguagem que descreve o Rei dos reis com roupas de guerra e que apontam para a natureza do Messias como um guerreiro com poderosos feitos.

A passagem não é bizarra; é uma conclusão brilhante. É o clímax de uma carta brilhante. A armadura não é um acréscimo. Paulo a usa como um lembrete das ideias ideias centrais da carta.

Poder de Deus (10) lembra das orações iniciais da carta (1:19-20; 3:16,20)

O conceito de Já e ainda não. Este texto nos lembra que já somos vitoriosos contra as forças da escuridão (1:21; 3:10; 4:8), que recebemos nova vida e que não precisamos temê-los (2:2), mas ainda não experimentamos todos os frutos da vitória, porque embora o mal ainda tenha poder, ele já foi derrotado. Mas a guerra ainda está aí.

As virtudes semelhantes a Cristo. Cada uma dessas virtudes já foi mencionada na carta.

Oração: a ordem para orar contida em 18-20 resgata a ideia de orar por todos os santos (3;18); de que temos acesso a Deus por

Cristo. (3:12)

Revestir: em 4:24, Paulo já havia dito para nos revestir de uma nova natureza e, em 5:1 para seremos imitadores de Deus. Agora somos chamados a vestir toda a armadura de Deus. A armadura dada a nós é a própria armadura de Deus. Vestir a armadura de Deus é se revestir do próprio Cristo. Significa se identificar com Ele, lutar com sua força e demonstrar o caráter dEle.

Então estamos diante de uma conclusão brilhante perfeitamente construída que serve para recapitular o que vimos e para nos incentivar. Lembrem-se que a batalha principal já foi vencida. Agora estamos numa operação de limpeza do território.

A ideia não é apenas memorizar a armadura e ir orando para nos revestir de cada pedaço. O conceito é o de viver de acordo com as características e virtudes que já são nossas pela nossa união com Cristo.

Revestir de Cristo, como no 4:24, é reconhecer quem estamos em Cristo e viver de forma consistente com essa identidade e com os recursos espirituais que são nossos. Por causa dessa realidade, temos confiança e esperança. Não viver escravizados ou atemorizados.

Finalmente, a passagem é lúcida. Paulo tratou de desafios relacionais até o 6:9. Agora ele trata de uma guerra cósmica e espiritual. Há realidades além do vemos, além do mundo físico. Não descartem causas espirituais para questões relacionais. Claro que há componentes físicos e psicológicos, mas somos mais complexos do que isso. Muitos de nossos problemas são espirituais.

Paulo sai da perspectiva moral e vai para a perspectiva cósmica. Stott afirma: abaixo da superfície, uma guerra espiritual invisível está acontecendo.

Nossa cultura quer resolver problemas sem falar do mal, da fé ou do espírito. Quem fala disso é rotulado como fanático, bobo, medieval ou desinformado. Nossa cultura acha que a fé pode ser algo fofo, mas nada além disso. Lá no fundo, eles consideram guerra espiritual como algo idiota.

Pensamos ser avançados, modernos, mas nossas ruas são rios de sangue; pessoas vivem opressas, tratadas com animais; famílias estão sendo destroçadas em todos os lugares e assim por diante. Vivemos num mundo quebrado influenciado pelo Deus dessa era.

A bíblia não permite uma resposta simplista para os problemas. Claro, há espaço para a biologia, sociologia, etc, mas elas não dão todas as respostas. Precisamos trazer o pecado e o diabo para a equação quanto tentamos avaliar os problemas mundiais. Paulo é um apóstolo inspirado, não um homem primitivo sem conhecimento da realidade. Ele está nos informando a respeito da realidade espiritual existente sob os problemas visíveis. Vamos tratar disso hoje.

Como permanecer firmes numa guerra espiritual?

Em Ef. 6:10-17, Paulo nos chama para permanecer firmes, pela força de Deus, com a armadura de Deus, em meio à guerra espiritual. As três ordens são: sejam fortalecidos; vistam toda armadura e permaneçam firmes. Essas ordens dominam o texto, o restante é explicação. A sentença principal está no v. 10.

sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.

O trecho seguinte nos diz como nos apropriamos dessa força, pela armadura de Deus, e por queisso é necessário: para permanecer firmes contra as ciladas do Diabo.

O ponto é permanecer firme na força de Deus com a armadura de Deus em meio a guerra espiritual. Vejam a repetição: ficar firme (11); permanecer inabaláveis (13) e ficar firme (14). Essa é abordagem defensiva. Devemos resistir às tentações. Não devemos ceder espaço. “não vou ceder às tentações, não vou ouvir mentiras, nem retroceder”.

Mas há também um elemento ofensivo. Devemos usar a espada do Espírito (17) e evangelizar mesmo enfrentado oposição (19-20).

Além disso, temos um elemento corporativo: Juntos, no plural, devemos nos revestir de toda a armadura de Deus, conforme Fp 1:27-28.

27 Acima de tudo, vivam de modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo até aí para vê-los ou estando ausente, eu ouça a respeito de vocês que estão firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé do evangelho; 28e que em nada se sentem intimidados pelos adversários. Pois o que para eles é prova evidente de perdição para vocês é sinal de salvação, e isto da parte de Deus.

Essa ideia de lutarmos juntos me lembra o filme 300, na guerra em que os gregos conseguiram, com poucos homens, deter o poderoso exército persa por 3 dias. Como eles, devemos permanecer firmes, enfrentando sem temor o inimigo. Somos fortalecidos pelo poder de Deus. Lutamos juntos revestidos com a armadura de Deus que nos permite apagar as flechas inflamadas do nosso inimigo.

O Texto será dividido em três partes: Estar consciente da guerra, equipar-se com a armadura de Deus e dedicar-se à oração. É assim que permanecemos firmes contra os ataques inimgos e como avançamos o evangelho em meio à oposição.

Estajam conscientes da batalha (10-13).

**Precisamos do poder de Deus (10-11,13)**Paulo começa:

“quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder”.

Precisamos ser fortalecidos pelo poder de Deus porque não queremos cair quando formos tentados pelo maligno. Não procure forças no lugar errado. Sua força não está nas suas habilidades ou recursos, no seu tempo de cristão, no seu conhecimento de coisas da Bíblia. Nossa força vem de nossa união com Cristo (1:19). Paulo diz para Timóteo:

(2 Tm.2:1) “seja fortalecido na graça que há em Cristo Jesus”

Devemos procurar forças no lugar correto, na pessoa certa, em Jesus: diga: “sim, sou fraco, mas não preciso permanecer fraco. Eu encontro forças no Senhor”

Precisamos lembrar a quem pertencemos e o que temos em Cristo. A força mencionada nos vs. 10-11 e 13 demonstram que podemos resistir ao Diabo ao andarmos na força de Deus.

Conheça seu inimigo (11-13).

Paulo já mencionou o Diabo em 4:27. O significado do seu nome em grego é acusador. Ele se opõe, ele acusa. O significado de Satanás em hebraico é adversário, inimigo. Ele tem outros títulos:

Diabo, dragão, serpente (ap. 20:2); belzebu, princípe deste mundo, Deus deste mundo, o maligno

Esses nomes indicam que ele é perverso, poderoso e astuto. Paulo descreve o Diabo como mal. Precisamos da armadura de Deus porque enfrentamos aquele que opõe a Deus. Paulo menciona forças espirituais do mal e dia mau.

Além disso, ele é astuto. No v. 11, Paulo fala de ciladas. Ele é esperto, furtivo e engenhoso. Paulo já mencionou que Satanás nos tenta a falar mentiras, a ficarmos irados de forma descontrolada, a roubar e a falar de forma não edificante. Essas são práticas da velha natureza, praticadas por quem não conhece Jesus. O diabo faz com que essas coisas pareçam sedutoras e desejáveis distorcendo a verdade e disfarçando o mal de bem.

Além disso, o diabo luta. V. 12. Luta aqui descreve uma batalha, como a da luta olímpica que era um esporte comum no primeiro século. É uma batalha de soldados, intensa e próxima, cheia de manipulação e estratégia. Ele não está atirando misseis à distância, ele está em cima de nós. Jesus disse para Pedro: Lucas 22:31-32

eis que Satanás pediu para peneirar vocês como trigo! 32Eu, porém, orei por você, para que a sua fé não desfaleça. E você, quando voltar para mim, fortaleça os seus irmãos.

Alguém pode perguntar: o que significa que a luta não é contra carne ou sangue? Paulo levou chicotadas, foi preso, deixado para morrer, foi dado como morto. Como assim a batalha não é física? O próprio Paulo é que está dizendo que por trás dessas batalhas físicas existe outra batalha invisível, cósmica e espiritual em que estamos envolvidos.

Nesse contexto, precisamos lembrar que Satanás foi derrotado (1:19-22;4:8). Nós não precisamos vencer. Precisamos ficar firmes. O poder das autoridades espirituais foi quebrado e a derrota final é certa.

Porém, como um inimigo derrotado, Satanás está furioso. Inimigos derrotados lutam ferozmente para se defender. Um exército derrotado se rende com dificuldades. Eles se tornam mais nervosos e implacáveis, afinal, já perderam e temem. Nossa vitória não está em dúvida. A batalha principal já foi vencida. Tudo está sob os pés de Cristo.

O dia mal, do v. 13, tem interpretações diversas. Eu entendo como uma combinação dessa era má em que vivemos (5:16) com ocasiões de tentações mais intensas.

Na tentação de Jesus, o texto afirma que o Diabo deixou Jesus. A ideia era que o Diabo estava ativo para tentar. É certo que o Diabo sempre perseguiu Jesus, mas a tentação no deserto parece ter sido mais intensa.

Precisamos permanecer firmes em dias em que a batalha é mais intensa. Sou mais tentado a ficar irado quando estou muito cansado. Nestes momentos é melhor eu ir ler minha bíblia e orar para receber da graça de Deus que me faz permanecer.

Há um componente corporativo também. A igreja precisa entender que há dias maus para comunidades. Precisamos mergulhar na palavra de Deus e ter orações ferventes para que possamos resistir. Estamos em guerra. Fiquem conscientes disso.

**Usem a armadura de Deus. (13-17).**Depois de ordenar que usemos a armadura, Paulo a descreve. Lembrem: ela é a armadura de Deus. É a roupa que descreve o próprio traje de Deus, é a roupa do Messias. Usamos a mesma armadura de Cristo, o mesmo equipamento de guerra. Não devemos ceder um milímetro para Satanás. Contudo, precisamos estar preparados e equipados. Não usamos roupa de banho ou pijamas na guerra. Usamos uniformes. Dormimos de coturno.

**Cinto da verdade (14a)**A verdade é tema importante na carta. Ela se revela no evangelho e os crentes devem falar a verdade. Quando afivelamos essa parte da armadura de Cristo, vivemos na sua verdade e falamos a verdade dEle, demonstrando as características do nosso Rei vitorioso. Não deem espaço para o Diabo negligenciando ser uma pessoa da verdade no falar, agir e nas atitudes.

A fonte da verdade é Cristo, em 4:21. Ir para Cristo, crer nEle, descansar nEle é viver a verdade. Confiem em Jesus todos os dias. Pregue o evangelho para você mesmo e vive a verdade ao longo do dia.

**Couraça da justiça:**A couraça cobre o peito contra golpes e flechas. Paulo pega a ideia de Is. 59:17. Precisamos nos revestir das virtudes do nosso Messias.

Aqui não é justiça que recebemos da cruz. Ela é nossa de forma permanente. Aqui é a justiça prática. Um viver justo, conforme 4:24 e 5:9. Precisamos viver as qualidades justas associadas com nossa nova vida em Cristo, as mesmas qualidades que se refletem na vida de Jesus.

Devemos viver uma vida justa. Não ceda um milímetro em questões ligadas a avareza, impureza, luxúria ou injustiças. Compreenda quem você é em Cristo e viva de forma compatível com sua identidade nEle.

Calçados do evangelho (15)

15 Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz

Soldados devem usar calçados apropriados. Sapatos importam. Vá numa loja. Tem bota, sapatilha, tênis de corrida, de trilha, para andar na água, chuteiras, havaianas e sapatos com sola vermelha. A mensagem das lojas é: “calçados importam e você precisa de diferentes calçados para diferentes atividades”.

Paulo não está falando de um tipo específico de calçado (mas há algo implícito) mas a ideia aqui é que o cristão deve estar preparado para compartilhar o evangelho na sua caminhada.

Os calçados romanos eram muito bons. Eram meias botas que possibilitavam longas caminhadas. Eles avançavam longas distâncias em pouco tempo e perseguiam os inimigos em caminhos ou escorregadios.

Precisamos estar prontos para levar o evangelho a qualquer lugar.

Lembrem-se que devemos usar toda a armadura. Ninguém deve usar o cinto da verdade por achar a verdade boa e deixar de buscar a justiça porque não gosta da santidade. Devemos usar todo a armadura de Deus porque toda ela reflete o caráter de Cristo.

O que deve ser anunciado? O evangelho da paz. Isaias diz: 52:7

7 Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: “O seu Deus reina!”

Em 2:11-24, Paulo nos ensinou que pelo sangue de Jesus fomos aproximados de Deus. No v. 14, Paulo diz que Jesus é nossa paz. Fomos reconciliados com Deus e desfrutamos de paz com Deus por intermédio da morte de Cristo (Rm. 5:1).

Jesus é aquele que tem os pés mais lindos. Ele veio calçado com a preparação do evangelho, anunciando paz aos judeus e gentios. Quem conhece Jesus tem a mesma missão.

No meio desta passagem sobre a guerra existe uma mensagem de paz. Esse é uma das diferenças do cristianismo. Nós oferecemos vida, não tiramos vidas. Nós estamos dispostos a dar a nossa vida porque Cristo deu sua vida por nós e sabemos que Ele nos ressuscitará.

**Escudo da fé: (16)**A palavra para escudo não é a usada para aquele escudo pequeno, do capitão América, que deixa o corpo meio exposto. Escudo aqui é aquele grandão, do tamanho de uma porta, que cobre todo o corpo. Deus é chamado de nosso escudo, na Bíblia. Nós temos um escudo para nos proteger dos dados inflamados de Satanás quando nos revestimos de Cristo, crendo nas promessas de Deus. Quando cremos no que Ele diz sobre nós, o que Ele diz se torna nosso.

**Capacete da salvação (17a)**Os capacetes romanos eram feito de ferro e bronze e desciam pelas laterais para cobrar as bochechas. Por dentro, eram forrados com esponjas que ajudavam a suportar o peso. Penso que a maioria de nós não teríamos um pescoço forte o suficiente para aguentar o uso. Tinha que ser algo como um machado para penetrar esses capacetes. Novamente há uma alusão ao Isaias 59:17.

O Senhor, o guerreiro vitorioso, usa o capacete da salvação. Em Ts. 5:8, Paulo cita o capacete da esperança da salvação. O povo de Deus espera, aguarda, está seguro em Cristo.

Para resistir ao Diabo, devemos ter certeza de nossa salvação. Volte para Deus todos os dias e se lembre do sujeito de nossa fé: Cristo. Nossa esperança está nEle. Se você confia em Cristo, não dê ouvidos para as mentiras do Diabo. Diga: “fui salvo do preço do pecado, estou sendo salvo do poder do pecado e serei, um dia, salvo da presença do pecado”. Diga: “estou vivo com Cristo, redimido, perdoado, reconciliado, ressuscitado com Cristo, assentado com Cristo”. Coloque seu capacete da salvação e não deixe que o Diabo atinja sua mente.

**Espada do Espirito (17b)**A peça final do equipamento é uma arma ofensiva. O crente deve pegar sua espada e enfrentar o inimigo. A palavra se refere a uma espada pequena ou uma adaga usada em combate pessoal. Ela é a espada “do Espírito”, o que significa que o Espírito é que a torna poderosa e efetiva.

Paulo a identifica como a “palavra de Deus”, termo usado também para evangelho. Aqui é Rhema e não logos o que significa que é o evangelho proferido, ele é poderoso e efetivo pelo Espírito de Deus.

Novamente a ecos aqui de Isaias (49:2, 11:4 e de Ap. 19.:15). Temos acesso as armas de guerra do Messias quando estamos unidos com Ele. Devemos proferir o evangelho no reino da escuridão para que os cativos sejam libertos.

Algumas espadas antigas expostas em museus chegam a pesar mais de 50 kg. São armas interessantes, mas sem uso para nós. Ninguém pensaria em entregar uma dessas para um soldado hoje. Isso é muito similar com a opinião que algumas pessoas têm sobre a Bíblia. Ela é admirável, mas deve servir apenas para exibição num móvel de uma casa. Eles têm Bíblias, mas não as usam. Por que? Porque acham que ela é como uma espada antiga, inútil para uma guerra moderna.

Isso não deve nos surpreender. No Eden, a serpente levantou dúvidas a respeito da palavra de Deus. Mas não se enganem. Podemos confiar na Palavra de Deus. Precisamos dela. Não vá para a guerra sem sua espada. Leia-a, medite nela, ore baseado nela, proclame-a.

E as costas do soldado? Não há nenhum equipamento para as costas. No livro Peregrino, John Bunyan diz que porque o cristão não tem nenhum equipamento para proteger suas costas, o melhor que ele deve fazer é permanecer firme em seu território. Vamos permanecer firmes contra o diabo, com nossa armadura, enquanto avançamos com o evangelho pelo mundo.

Seja dedicado à oração (6:18-20)

Paulo não começou uma nova sentença no v. 18. É uma continuação de pensamento. Permanecemos firmes contra as ciladas do nosso inimigo por intermédio da oração. Devemos tomar a espada do Espírito em oração.

Diferentemente dos outros itens mencionados, a oração não é algo que está associada a alguma parte da armadura. Contudo, uma componente moderno que pode nos ajudar é a do Walkie-talkie. Piper usa essa figura para descrever a oração:

Não podemos saber para quê serve a oração até que saibamos que estamos em guerra. A vida é guerra. Não é tudo que a vida é, mas certamente é parte dela. Nossa fraqueza em orar é devida em grande parte a nossa negligência sobre essa verdade. Oração é como um rádio de comunicação em guerra para a missão da igreja, enquanto ela avança contra os poderes da escuridão e da descrença.

Não deveria nos surpreender que a oração não funcione direito quando nós tentamos transformá-la num interfone residencial para pedirmos algo a um empregado que torne nossa vida mais confortável. Precisamos pensar na oração como um rádio de guerra pelo qual pedimos ao nosso quartel general tudo o que é necessário para o avanço do reino de Cristo no mundo.

Claro que Paulo não poderia estar pensando num rádio de guerra, mas a oração é o meio pelo qual pedimos que Deus nos ajude no meio da batalha. É um grande presente poder se comunicar com Deus.

Quando Paulo diz: “orando em todo tempo no Espírito”, não pensem que ele está se referindo a “orar em línguas ou coisas do gênero”. É necessário entender o que Paulo diz pelas lentes do restante da carta de Efésios. O fato é que toda oração verdadeira é feita pelo Espírito. Nós nos dirigimos ao Pai, mediante o Filho, pelo Espírito. É por causa do dom do Espírito, que o soldado cristão tem acesso constante a Deus em meio a Guerra.

Ef. 2:18:

18porque, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai em um só Espírito.

3:16 6Peço a Deus que, segundo a riqueza da sua glória, conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um.

Judas 20: 20Mas vocês, meus amados, edificando-se na fé santíssima que vocês têm, orando no Espírito Santo,Ef 6.18

Romanos 8:26 26Da mesma maneira, também o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza. Porque não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

Mas como essa oração capacitada pelo Espírito se caracteriza?

Ela se caracteriza por ser abrangente:

Paulo usa a expressão toda ou todo 4 vezes. Oramos em todo o tempo. Isso significa que podemos orar em qualquer lugar e em todo momento.

Oramos com todo tipo de oração e de súplica. Penso que aqui não existe uma distinção clara para essas duas palavras. Paulo está enfatizando que devemos orar de maneira constante, fiel.

Devemos orar com “toda a perseverança”. Como bons soldados, devemos ficar alertas e não adormecer em serviço. Essa ideia aparece no ministério de Jesus, que encorajou seus discípulos a “orar e vigiar” por que somos tentados e a carne é fraca (Mc. 14:38) e por que a volta de Jesus está próxima (Mc. 13:32-38; I Pd. 4:7).

Nós vemos a necessidade de persistir e de perseverar em oração em outros lugares do NT (At. 2:42; 4:23-31; 6:4; 12:5; Rm 12:12; Cl 4:2).

Perseverar em oração é necessário para vencer a fadiga, o desencorajamento, as dificuldades, as tentações e para termos coragem em nosso testemunho.

O último “todo” é a intercessão por “todos os santos”. A unidade na igreja é uma das principais preocupações da carta. Paulo está dizendo que devemos orar por todos os cristãos. Quando você se torna um cristão, você adquire uma nova família, o que significa que você tem uma nova responsabilidade: orar por ela.

O foco no “todo” enfatiza o fato de que porque a vida é guerra, toda a vida precisa ser vivida em oração. Como existe guerra, ore. Ore o tempo todo. Ore com perseverança e súplica. Ore com vigilância e persistência. Ore por todos os santos.

Ore por coragem para evangelizar: (6:19-20)

Paulo, prisioneiro em cadeias, humildemente pede orações de outros por que ele deseja comunicar o evangelho de forma corajosa e eficiente. O maior teólogo missionário de todos os tempos pede oração! Isso deve nos encorajar. Ele tinha o encargo de embaixador (como nós temos), um representante de Jesus, mas, ele sabe que não tinha os recursos suficientes para comunicar o evangelho de forma efetiva, então ele pede que a igreja ore por ele. Ao invés de sentir pena de si mesmo ou ressentimentos, ele pede orações para sua missão.

Ore pelos outros enquanto eles pregam. Por quê? Satanás não quer que tenhamos as palavras certas para dizer ou que tenhamos a coragem necessária para enfrentar conflitos. Evangelismo é uma guerra espiritual. A cultura se opõe a ele. Então precisamos do poder de Deus para evangelizar. Paulo experimentou a presença de Deus em seu tempo de encarceramento. Ele escreveu: (2 Tm. 4:16-17):

16 Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto na conta! 17Mas o Senhor esteve ao meu lado e me revestiu de forças, para que, através de mim, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem. E fui libertado da boca do leão.

Saudações e considerações finais.

Depois de tratar de sua necessidade do poder de Deus para pregar a Palavra e de seu emprisionamento, Paulo fecha a carta com um lembrete de sua situação. Aqui vemos que Paulo não é apenas um teólogo missionário plantador de igrejas. Ele amava pessoas. Em suas cartas ele agradece as pessoas.

Tiquico é um dos irmãos que compõem a família de Deus. Ele serviu com Pualo durante um tempo (At. 20:4; Cl 4:7; 2 Tm 4:12; Tt 3:12). Tíquico pode ter sido o portador da carta para Efésios (e também da carta para os Colossenses). Você consegue imaginar ter essa tarefa?

Paulo o envia para que ele “console os corações” (v.22). Que grande ministério. De certa forma, Ele faz o que todo o cristão deve fazer: levar a palavra e consolar os santos.

Na sua benção (v. 23-24), Paulo conclui usando as palavras com que ele começou a carta: graça e paz (1:2). Ele também menciona fé e amor. É apropriado mencionar amor por três vezes nessa carta que enfatiza o amor incompreensível de Deus. Esse amor, a fé, a graça e a paz todos fluem de Deus quje é o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas percebe que Paulo adiciona algo aqui que ele não havia mencionado explicitamente (mas que sempre esteve implícito), a saber, o amor deles por Cristo.

Ele fecha sua carta com uma afirmação a respeito da relação pessoal daquelas pessoas com Cristo. Paulo ensinou sobre o grande amor de Deus. Mas a pergunta para nós é: amamos a Cristo? Você o ama? Você é um cristão? Você se arrependeu de seus pecados e depositou sua fé em Cristo Jesus? Você o ama com um amor que não morre? Com um amor que seguirá para a eternidade?

Que excelente pergunta para encerrar essa carta e para abrir um ano novo. Vamos amar Jesus. Em breve vamos vê-lo, e iremos então deixar de carregar nossas armas espirituais. Nós não iremos nos arrepender de ter confiado em sua obra perfeita, não vamos nos arrepender de termos sido soldados fieis completamente engajados na missão de Cristo.

10 Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo. 12Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. 13Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis.

14 Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça. 15Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz 16segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

18 Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos. 19E orem também por mim, para que, no abrir da minha boca, me seja dada a palavra, para com ousadia tornar conhecido o mistério do evangelho, 20pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazer.

Saudações

21 E, para que saibam como estou e o que estou fazendo, Tíquico, o irmão amado e fiel ministro do Senhor, lhes dará todas as informações. 22Eu o estou enviando a vocês com esta finalidade: para que conheçam a nossa situação e para que ele console o coração de vocês.

Bênção

23 Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. 24A graça esteja com todos os que amam sinceramente o nosso Senhor Jesus Cristo.