Gálatas 1:1-5 - Livres em Cristo
25 de fevereiro de 2023 • 17 min de leitura

A índia é conhecida como a terra de um milhão de deuses. Há deuses por todos os lados. Motoristas têm deuses nos painéis dos carros, as ruas são coalhadas com vendinhas de produtos religiosos, gente adorando árvores nas calçadas. Os indianos são extremamente religiosos e se esforçam para serem aceitos pelas divindades; Contudo, paz não exatamente um termo para definir a Índia.
A ideia de graça, Deus fazer paz conosco (e não nós com Ele) é quase desconhecida para a maioria dos povos orientais, mas também, infelizmente, é incomum até mesmo em muitas igrejas evangélicas brasileiras. A ideia de termos acesso ao imerecido favor de Deus é incomum, revolucionária e transformadora. A verdade é que todos temos dificuldades para compreender a verdade da graça divina.
Todos nascemos com uma natureza que insiste em afirmar que conseguimos, de alguma forma, reparar nossos erros com Deus. Mesmo salvos, salvos pela graça, precisamos continuar lutando contra a mentalidade da performance espiritual. Nós queremos merecer o favor de Deus pelo que fazemos. Essa disposição mental entranhada de autojustificação por obras dificulta nossa interpretação de passagens que tratam de obediência e discipulado. É muito fácil perder de vista a graça que é o coração de nossa fé.
Os ensinos duros de Jesus podem nos fazer perguntar: “onde está a graça?” Essa pergunta é importante porque se abandonarmos a graça nos tornamos semelhantes a qualquer outra religião do mundo. Ao perdermos a graça, perdemos o que no evangelho é distinto e transformador. Perdemos a própria mensagem que somos chamados a proclamar. Em resumo, perdemos nossa fé.
Vejam as palavras severas de Paulo para quem se atreve a pregar algo além do evangelho da graça(1:9)
9 Como já dissemos, e agora repito, se alguém está pregando a vocês um evangelho diferente daquele que já receberam, que esse seja anátema.
É isso. Uma Condenação eterna aguarda aqueles que pregarem algo contrário ao gracioso evangelho de Jesus Cristo.
Gálatas é um livro escrito para atacar o legalismo e para afirmar a centralidade da graça na igreja. Ao olharmos para esse livro, veremos com mais clareza o que a graça significa, seremos saturados com ela e aprenderemos a reconhecer quando ela é ensinada corretamente. Assim, quando ouvirmos um falso evangelho, teremos discernimento para reconhecer o erro. Essa era a necessidade dos Gálatas, uma igreja que começava a crescer. Ensino para evitar o erro.
Lembrem que quando Deus age poderosamente na igreja, o adversário semeia dúvidas, discórdias e divisões. Precisamos estar atentos. Quanto mais nos dedicarmos a Deus, mais devemos ser diligentes para manter a graça no centro de tudo, até mesmo quando queremos apenas obedecer. Estejamos vigilantes contra tudo que pode comprometer o núcleo da graça, que faz do evangelho algo digno de ser celebrado. Gálatas nos apresenta essa graça boa e gloriosa.
Paulo, nesta carta, confronta os judaizantes, um movimento legalista, que se infiltrou nas igrejas da Galácia. Eles estavam perturbando a igreja (7), confundindo crentes e pervertendo o evangelho. Como esse desafio do primeiro século se apresenta para nós hoje? Ainda hoje existem grupos judaizantes ativos nas igrejas. Além disso, há outros riscos à pureza do evangelho. O legalismo é um deles que se apresenta de múltiplas formas. O que é então legalismo?
Definindo legalismo. A) Servir com as próprias forças
Identificar e diagnosticar o legalismo corretamente é importante porque algumas vezes definimos como legalismo algo que não é. Então o que é legalismo? Veremos três aspectos do termo.
O primeiro é servir com as próprias forças. Os judaizantes falavam sobre Jesus em seus ensinos. Hoje eles estão por aí, chamando Jesus de Yeshua. A questão é que para eles é sempre Jesus mais algo da contribuição humana. Creia em Jesus, mas se esforce para obedecer às leis e aos rituais do AT. Uma forma moderna desse tipo de erro é a ideia de que somos salvos pela graça, mas que agora depende só de nós para viver a vida cristã, em essência abandonando a graça. Isso é legalismo porque significa servir pelas próprias forças.
Segundo, legalismo é servir segundo suas próprias regras. Isso envolve adicionar regras além das que Deus já definiu como a base do nosso relacionamento com ele. O NT é cheio de ordens de Cristo dadas para nossa felicidade eterna. Não precisamos acrescentar nada. Somos criativos para inventar regras adicionais, além das que já temos e que balizam nossa caminhada de imitação de Cristo.
Além de servir com as próprias forças e segundo nossas regras, o terceiro aspecto do legalismo é o de servir para merecer o favor de Deus. Algumas vezes o legalismo é praticado para agradar pessoas, mas a ideia central é fazer algo para aumentar nosso crédito com Deus. É campo da fé baseada na performance. Os judaizantes ensinavam que a obediência à lei de Deus seria o caminho para assegurar uma posição favorável diante de Deus. Consequentemente, você poderia melhorar sua condição diante de Deus pelo que você faz. Essa disposição mental é prevalente e somos tentados a assimilar essa conduta.
Pensamos assim: “se eu ler minha bíblia, orar, for a igreja, fizer coisas boas, então obterei o favor de Deus”. Mas, quando falhamos na leitura bíblica, deixamos de ir à igreja, começamos a pensar que Deus não está mais feliz conosco. A verdade estonteante do Cristianismo é que o prazer de Deus em nós não se baseia em nossa performance.
O legalismo entranhado em nós resiste a essa afirmação. Pensamos assim: “nossa, é claro que eu preciso fazer algo”. Talvez por isso a heresia dos judaizantes obteve tanto apelo entre os crentes de Gálatas. É por isso que Paulo os acusa de abandonar o evangelho, no v. 6). É por isso que Paulo diz que quem prega que o favor de Deus é baseado em obras deve ser considerado como anátema, que significa amaldiçoado. O legalismo é uma deturpação muito séria do evangelho.
Gálatas era o livro preferido de Lutero, que viveu num tempo em que a igreja adicionava muitas regras e regulações ao evangelho. Se você se esforçasse, seguindo as regras da igreja, você obteria favor para você e até para outros diante de Deus. Convencido desse erro, Lutero propõe as máximas Sola Fide, Sola Gratia, Solus Christus. Somente pela fé. Somente pela graça. Somente por Cristo.
O evangelho da graça precisa ser defendido com zelo, como Paulo e Lutero fizeram. Para isso precisamos confrontar e destruir o legalismo. Como? Como lutar contra essa mentalidade tão entranhada em nós que acredita que podemos fazer Deus nos amar mais mediante nossa performance? Encontramos essa resposta em Gálatas 1. Vamos ver nessa noite duas verdades fundamentais, que transformam vidas e destroem o legalismo.
**Legalismo destruído.**A primeira verdade Gálatas 1 que destrói o legalismo é que: O Evangelho é gratuito.
Veja como Paulo começa a carta: “Que a graça e a paz estejam com vocês”. Essa é uma saudação especificamente cristã. Paulo começa e termina a carta com ela: suas palavras finais são: 6:18 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o espírito de vocês, irmãos. Amém!
Paulo usa o termo graça 100X no NT. 7X aqui em Gálatas. É do começo da carta que Paulo ensina que o favor de Deus é gratuito. A salvação é gratuita, o Seu amor, Sua misericórdia, Sua provisão são de graça. Não é baseada em nossa performance, mas na performance dEle. Veja como isso e dá na obra de Deus Pai e de Deus Filho.
Deus Pai dá início à nossa salvação. A saudação inicial, nos v. 3 e 4, contém as seguintes expressões: Que a graça e a paz estejam com vocês, da parte de Deus, nosso Pai, 4 ... segundo a vontade de nosso Deus e Pai,
A graça vem de Deus. O evangelho vem de Deus. É da vontade dEle que Seu povo conheça a Sua graça; ele projetou dessa forma. Mais a frente, Paulo descreve como ele foi conduzido para a fé em Jesus. Ele descreve sua vida antes de Jesus da seguinte forma (13-16);
13 Porque vocês ouviram qual foi, no passado, o meu modo de agir no judaísmo, como, de forma violenta, eu perseguia a igreja de Deus e procurava destruí-la. 14E, na minha nação, quanto ao judaísmo, levava vantagem sobre muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições dos meus pais.
Observe agora uma mudança. O sujeito ativo nesses dois versículos era Paulo, mas depois há uma mudança no sujeito ativo:
15 Mas, quando Deus, que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, achou por bem 16revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não fui imediatamente consultar outras pessoas,
Paulo reconhece que seu legalismo raivoso não era páreo para o bom desejo de Deus. Deus o separou, Deus o chamou, Deus o salvou revelando Cristo. Isto tudo aconteceu pela graça. Nós não temos a mesma história de vida de Paulo, mas todo discípulo de Jesus tem o mesmo tipo de testemunho. Nas Palavras de Ef. 1:4-6:
Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor 5nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito de sua vontade, 6para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado.
Louve a Deus. É a vontade do próprio Deus em nos revelar sua graça, não a nossa vontade. É por isso que Paulo diz (Rm. 9:16);
16Assim, pois, isto não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus, que tem misericórdia.
Paulo não merecia misericórdia; ele nem mesmo pediu por ela. Ela o perseguiu. Essa é a verdade a respeito de nós: não merecemos misericórdia, nem sabemos procurá-la. É ela quem nos procura e acha. Misericórdia corre em nossa direção; a graça nos persegue em amor. O prazer de Deus em nós não depende de nós o buscarmos, mas dele nos buscar. Esse ensino levava os judaizantes a criticar o evangelho da graça gatuita e a tentar desacreditar o ministério de Paulo.
Paulo reage às críticas de duas maneiras. Primeiro Ele diz em Gálatas 1 e no começo do cap 2 que o evangelho não foi inventado por homens. Paulo diz: “eu não inventei isso”. Ele dá detalhes de seu tempo na Arábia, de uma viajem curta para Jerusalém e de seu tempo na Síria e na Cilícia (17-21). E seu esforço foi para mostrar que ele não aprendeu sobre o evangelho de outra pessoa, mas diretamente de Cristo, e que esse evangelho foi o mesmo revelado por Cristo aos apóstolos, enquanto Ele viveu e caminhou com eles.
O segundo aspecto da reação de Paulo às críticas do Judaizantes, e é o outro lado da moeda da afirmação de que o evangelho não foi inventado por homens, consiste na afirmação que o Evangelho foi revelado por Deus. Não há nada do homem nele. Jesus encarnou, viveu vida perfeita, morreu na cruz pelos nossos pecados e foi ressurreto da morte vencendo o pecado para que todo aquele que nEle crê seja salvo, não pelo que faz, mas somente pelo que Jesus fez.
Esse evangelho confronta todo traço de orgulho que domina nosso coração, o que indica que ele é uma obra de Deus. Deus inicia nossa salvação, por isso Paulo afirma que abandonar o evangelho da graça equivale a abandonar o próprio Deus. É um erro mortal.
Até aqui, vimos o trabalho do Pai iniciando nossa salvação, mas há um aspecto complementar disso. Deus Filho efetuou nossa salvação. Graça e Paz não vem só de Deus Pai no v.3, mas também do “nosso Senhor Jesus Cristo”. Pai e filho estão intimamente ligados na obra da salvação. O Filho é aquele que “ entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos livrar deste mundo perverso, 4.
Essa é a verdade central do evangelho. Salvação não é algo que o homem pode fazer; salvação vem do que Cristo já fez, e Ele já fez tudo o que é necessário para nossa salvação”.
Paulo afirma que Ele se entregou pelos nossos pecados. A palavra “pelos” é importante. Paulo usa essa expressão novamente em 2:20 e 3:13. O Apóstolo fala de Jesus dando sua vida no lugar de pecadores que merecem o julgamento divino. Ele pagou a nossa dívida.
O prazer de Deus não é baseado em nossa performance, mas somente na performance de Cristo, que se entregou pelos nossos pecados. A única forma de sermos aceitos diante de Deus é por intermédio de Cristo. A igreja de Gálatas estava perdendo o significado da morte de Cristo acrescentando outros requisitos. Quando fazemos isso, difamamos o Evangelho ao adicionar algo à graça. Era o que os judaizantes estavam ensinando.
Não esqueça, contudo, que muito do ensino judaizante seguia a Bíblia literalmente. Eles reconheciam Jesus como o Messias, criam na morte e ressurreição. Eles afirmavam crer no que os cristãos criam, e certamente eles não achavam que negavam o evangelho. Eles criam, porém, que estavam restaurando o evangelho, trazendo padrões do Antigo Testamento à nova aliança. Mas a verdade é que quando você acrescente algo à graça, você a perde. Não há meio termo.
Pense nisso: Imagine um copo de água cristalina onde alguém pinga uma gota de veneno. Você ainda vai beber? Claro que não, ficou contaminado, deixou de ser potável quando o veneno tocou na água. O mesmo se dá com o evangelho. Se você adicionando algo, você perde o evangelho inteiro. É por isso que Paulo se opõe a adicionar obras humanas à obra de Cristo na salvação.
O evangelho não nos ensina regras para agradar a Deus; ao invés disso, ele anuncia que Deus está satisfeito conosco baseado apenas no que Cristo fez com sua morte, ressurreição e com nossa identificação com Ele. Não precisamos de Cristo mais isso ou aquilo. Precisamos de Cristo. Ponto.
Paz só é alcançada por intermédio de Cristo, e precisamos crer nisso. Muitas vezes acreditamos que Deus nos ama, mas secretamente imaginamos que seu amor depende das nossas notas na escola da jornada cristã. Lembrem-se, Deus é reconciliado com você, não por sua performance, mas baseado na obra de Cristo feita em nosso favor. O mesmo Cristo vive em nós, e até mesmo nossas boas obras são resultado de Seu poder e presença em nós.
Nós difamamos o evangelho não apenas quando adicionamos algo à graça, mas também quando o compreendemos de forma equivocada, quando o barateamos.
Uma das acusações que sempre acompanha o evangelho gratuito da graça é: “mais isso não significa que as pessoas podem continuar a viver do jeito que quiserem? (Rm. 6:15).”
É certo que um dos riscos é que pessoas irão abusar da graça e irão considerar que o presente gratuito é uma licença para fazer o que quiser. Paulo vai tratar disso em Gl. 5:13, mas basta dizer aqui, que essa é uma má compreensão da graça.
Primeiro, a graça não é barata. O custo dela é a cruz, onde Jesus se entregou por nossos pecados. Segundo, a graça transforma. Você não pode ter recebido a graça sem ser mudado por ela. Em 2:14, Paulo confronta Pedro e seus companheiros por terem se “desviado da verdade do Evangelho” por causa de suas atitudes hipócritas. Suas ações contradiziam a graça que eles criam e proclamavam. Graça presente significa mudança contínua de vida em direção à santidade.
Sejamos honestos, diferentes partes da bíblia parecem evangelhos diferentes. Jesus disse para o jovem rico: vai vende tudo o que tens, dá aos pobres e você terá um tesouro nos céus (Mt. 19:21). Isso parece diferir do que Paulo ensina em Gálatas. De fato, se não fosse o próprio Jesus falando, poderíamos dizer: isso é legalista. Pense em outra fala de Jesus: (Mt 7:26-27)
26 E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e bateram com força contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.
Dá para se meter em muita confusão citando Jesus numa igreja. A relação entre Paulo e Tiago, às vezes, também pode ser difícil de entender. Paulo cita Habacuque e diz que somos justificados apenas pela fé. Tiago diz em 2:20:
20Seu tolo, você quer ter certeza de que a fé sem as obras é inútil?
Essa é uma das razões pela qual Lutero, que amava Gálatas, gostaria de jogar a carta de Tiago na geladeira. Quem está certo? Jesus e Tiago? Paulo? Antes de responder pense de novo em Paulo. Ele sozinho nos confunde.
Aqui em Gálatas ele fala sobre a graça gratuita. Em Ef. 2:8, Ele diz: “somos salvos pela graça mediante a fé”, mas ao falar sobre a segunda vinda Ele afirma que Jesus virá: 2 Ts. 1:8
em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus.
Se a gente não conhecesse mais um pouco, chamaríamos Paulo de legalista. A solução para o dilema é entender que em todo NT só existe um evangelho. A verdade não muda, mas os diferentes livros foram escritos para destinatários diferentes.
Em Gálatas, Paulo escreve para pessoas que queriam adicionar regras ao evangelho. Tiago escreve para pessoas que gostariam de baratear a graça diminuindo a importância da obediência. Faces de um mesmo evangelho e não devemos difamá-lo ou compreendê-lo mal.
Precisamos nos maravilhar com o evangelho crendo na graça. A palavra-chave é “confiar” muitas vezes traduzidas por “fé”. Precisamos crer que o evangelho é gratuito. Deus iniciou nossa salvação, Jesus a completou, de forma completamente separada do que fizemos ou jamais poderíamos ser capazes de fazer. É por isso que o Evangelho é chamado de Boas Novas. Este tipo de graça oferecida a pecadores indignos é digna de espanto, de maravilhamento.
O evangelho é libertador.
Vimos que existem duas verdades capazes de destruir o legalismo. A primeira é que o evangelho é gratuito. A Segunda é que o evangelho é libertador. No v.4, Paulo afirma que Jesus se entregou pelos nossos pecados para **“**para nos livrar deste mundo perverso“
A palavra livrar significa resgatar, como os israelitas foram resgatados da escravidão no Egito ou como Pedro foi liberto da prisão, ou como Paulo foi resgatado por Claudio de um linchamento.
A palavra livrar aqui fala não apenas de sermos libertados da culpa do pecado, o que é verdadeiro, mas também de sermos libertados de um sistema, um jugo, do poder da presente era perversa.
Este mundo perverso se refere ao tempo e a cultura em que vivemos. Obviamente continuamos vivos no Brasil em 2023, mas há um senso pelo qual já não somos escravos deste momento, não precisamos vier como este mundo vive, buscando os mesmos propósitos que movem as pessoas, amando o que o mundo ama, tendo deleite no que o mundo se deleita. Somos livres.
Os judaizantes acusavam Paulo de pregar um evangelho que permitia uma vida desregrada. Eles valorizam a lei e a moral do AT e acham que a retirada da Lei levaria uma vida licenciosa que permitiria o pecado. Paulo explica que não é isso em Gl. 5. Não são libertos para o nada; somos libertos para Cristo, que nos transforma pelo seu Espírito de dentro para fora. Somos livres para viver uma vida baseada no poder de Cristo que trabalha em nós.
Não perca o ponto: Obedecer não é legalismo. Não servimos com nossas próprias forças, de acordo com nossas próprias regras para obter o favor de Deus. Não, nós servimos com o poder de Cristo de acordo com as regras dele e sabemos que já temos o favor dEle,não baseado no que fazemos, mas baseado no que Ele fez. O evangelho nos liberta para viver como fomos criados para viver – Em Cristo!
Pela sua graça, fomos libertados da prisão do pecado neste mundo. Fomos salvos desse sistema perverso, de suas atitudes, ações e valores pecaminosos. As ordens duras de Jesus nos evangelhos, as orientações de Paulo nas cartas, não são legalistas. Por que Cristo vive em nós, e porque o Espírito nos capacita, somos livres para obedecer.
Pela Sua graça, somos livres para compartilhar no mundo.
Paulo diz, no v. 5. a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!
Deus nos dá sua graça gratuita para Sua Glória. Paulo faz uma aplicação correlata nos v. 15-16:
15 Mas, quando Deus, que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, achou por bem 16revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios
Pq Paulo recebeu essa graça? Para pregar o evangelho para os gentios. Uma revelação pessoal para comunicação pública. Esse é o tipo de graça que nos capacita a falar, a testemunhar. Não foi apenas Paulo que foi salvo para proclamar o evangelho.
Seja a um grupo não alcançado, ou para testemunhar no seu local de trabalho, aqueles que receberam a graça de Deus são chamados a compartilhar o evangelho com todos. A graça nos liberta para compartilhar as boas notícias por onde formos.
Libertos pela Graça.
I – Definição de legalismo
II – O evangelho destrói o legalismo.