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Gálatas 4:8-31 - Libertos para Crescer: O Coração Pastoral de Paulo

21 de abril de 202314 min de leitura

Gálatas 4:8-31 - Libertos para Crescer: O Coração Pastoral de Paulo

Gálatas 4:8-31 é um texto que abre uma janela para o coração pastoral de Paulo. Paulo foi duro até aqui. Ele chamou os Gálatas de insensatos e os confrontou com questões importantes do evangelho. Há um tempo onde ser firmeza é necessário, especialmente para alertar uma igreja que estava perdendo o evangelho, renunciando a Palavra.

Mas aqui, Paulo usa as maiores expressões de afeto pessoal que vemos em seus escritos. Lutero disse que esse trecho “respira as próprias lágrimas de Paulo”. O anseio de Paulo deve ser o anseio da liderança de qualquer igreja. Que sejamos conformes à imagem de Cristo.

Este texto inspira três orações que qualquer igreja que deseja ser fiel a Jesus deveria fazer. O texto é complexo, mas pela graça de Deus e na direção do Espírito, vamos analisá-lo.

Paulo chama os gálatas de “irmãos” 3 vezes. (12,28,31), no v. 19, ele os chama de “filhos”. Percebam o carinho, o afeto. Essas 3 orações nos conduzem a preocupação coração pastoral de Paulo. Vamos a elas.

Paulo não está trazendo novos fatos aqui. Ele está revisando ideias. 8-11 e na alusão a Sara e Hagar (21-31), ele retoma a imagem da escravidão, para mostrar a transformação que aconteceu em nossas vidas, de como passamos de escravos para filhos.

Precisamos orar para que Deus nos ajude a ter consciência do que Cristo fez por nós para que, assim, possamos viver de acordo com essa realidade. O argumento de Paulo, pode ser resumido em 3 momentos: Como chegamos neste ponto, quem somos e para onde vamos.

1 - Mostre-nos como chegamos aqui.

Paulo trata sobre a escravidão à lei, faz isso com uma ilustração a partir da história de Sara e Agar, assim os v 21-31 são uma espécie de resumo dos cap. 3 e 4.

Paulo lembra de Gn. 16-17, onde aparece uma mulher, Agar, escrava de Sara. Abraão e sua esposa, Sara, estavam preocupados por não terem ainda um herdeiro. Então Sara sugeriu que Abraão tivesse um filho com Agar para perpetuar seu nome. Esse menino foi Ismael. Abraão creu que Deus iria abençoar sua casa por intermédio de Ismael.

Deus, contudo, corrigiu Abraão e disse-lhe que o filho da promessa seria Isaque, filho de Sara. O nascimento de Isaque seria algo milagroso, uma vez que Abraão já tinha 100 anos e Sara, 90 anos.

Paulo usou essa história como uma ilustração. Ele contrasta Ismael, nascido da escrava, com o nascido da promessa, Isaque. Paulo também contrasta as mães, Agar, a escrava, com Sara; a livre. Paulo diz que Agar e Ismael representam a antiga aliança, a lei, que produz escravidão. É, por isso, que Paulo fala que somos escravos da Lei, em Gl. 3:23 e que fomos libertos dela em 3:25.

Não fomos feitos filhos pela Lei, pela antiga aliança, mas pela fé na promessa cumprida, a nova aliança. Em outras palavras, não somos salvos por obedecer a Lei, mas pela fé, por crer, na promessa

Com a ilustração de Sara e Hagar em 21-31, bem como a menção de nossa escravidão ao pecado em 8-11, Paulo retoma a ideia que ele desenvolve Gálatas: não conseguimos ser salvos pela Lei. A aliança do Monte Sinai exigia que o povo guardasse toda a Lei, mas todos nós falhamos, ou seja, jamais seriámos salvos pela Lei.

Então, como podemos ser salvos? A salvação aqui vem pela obra do Espírito. A chave está em v. 29, que diz que Isaque “nasceu segundo o Espírito”. Há uma grande diferença entre Isaque e Ismael.

Ismael nasceu segundo a carne, da forma como nascemos. Abraão e Sara, que era estéril, planejaram ter um filho pelos esquemas humanos. Assim nasce Ismael de Agar, do esforço humano. Mas Isaque é gerado de forma sobrenatural, um milagre que possibilitou a um homem centenário e uma estéril com 90 anos terem um filho. Esta ilustração nos remete a Gl 3:2, onde Paulo pergunta:

Quero apenas saber isto: vocês receberam o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

Assim, Paulo afirma que somente pela fé a condição de adoção como filhos. Somos filhos da promessa em Deus, pelo Espírito, não pelo esforço humano. Então, precisamos viver dessa forma. Precisamos lembrar que quem nós somos agora.

B- Mostre-nos quem somos. Já que somos Filhos por causa da fé, do Espírito, não somos mais escravos. Paulo usa a ilustração de Agar e Sara para afirmar que não devemos viver como escravos (4:30).

Não somos mais escravos da lei, somos filhos libertos. Fomos salvos pela fé em Cristo, não pela nossa performance, ou atos de obediência, como os judaizantes ensinavam.

Paulo descreve a situação anterior dos gálatas em 8-11. No v. 8, Eles eram escravos dos que não eram deuses, uma referência a falsos deuses ou demônios. Lembre-se de que a maioria daquela igreja era composta por gentios que antes eram pagãos adoradores de demônios.

No v. 9, Paulo diz que eles estavam voltando para a escravidão. Para o que eles estão voltando? O apóstolo é específico no v. 10, dizendo que a escravidão deles se manifestava agora na guarda de “dias, meses, estações e anos especiais”, uma referência geral às festas judaicas.

O que Paulo diz é surpreendente: Vocês adoravam demônios, mas foram libertos pelo evangelho. Agora vocês estão de novo se escravizando a ritos judaicos. Vocês entenderam o que ele fez aqui?

Paulo diz que crentes que celebram festivais judaicos como meios para se achegar a Deus se equiparam aos que vivem em paganismo antes de conhecer a Cristo. Em outras palavras, Paulo diz que essas ordenanças judaicas são demoníacas se feitas para buscar algum tipo de justificação diante de Deus, como os pagãos fazem em suas religiões sem Cristo.

Vamos traduzir isso para nós. Se formos à igreja, cantarmos louvores e estudarmos a Bíblia para obtermos o favor de Deus, somos iguais ao bilhão de hindus que se curvam para vários deuses. Se a sua fé for apenas uma lista de coisas para fazer para tentar salvar sua pele do inferno, então seu cristianismo não difere de todas as outras religiões e, em última análise, vai apenas te condenar.

Esse engano diabólico do primeiro século persiste no Sec. XXI. Ele é sutil e perigosamente enganador. E se a estratégia de Satanás para condenar sua alma não for te tentar a fazer coisas erradas, mas a fazer as coisas certas com a motivação errada?

E se o Diabo quiser que você frequente uma igreja, lidere um PG, faça parte de um discipulado e faça seus cultos familiares regularmente com a motivação errada? E se ele estiver aplaudindo suas tentativas de manipular Deus?

Você pode dizer: “eu oro”. Provavelmente você não ora 6 vezes ao dia como os muçulmanos. Você diz: “Bem, eu vou adorar a Deus”. Bem, os hindus adoram o dia inteiro. Você diz: “Bem, eu estudo a Bíblia”. Bem as Testemunhas de Jeová conhecem a Bíblia adulterada deles mais do que a maioria dos cristãos conhece a sua. “Pastor, eu faço viagens missionárias”. Os mórmons dedicam anos da sua mocidade nessa missão.

Entendem o ponto? Se o seu cristianismo consiste em ser escravo de religiosidade para tentar conquistar algo de Deus, é como se você vivesse fosse um pagão entregue a sua própria religião. Mas o cristianismo é radicalmente diferente dessas religiões.

Em vez de escravos da religiosidade, somos filhos que se relacionam com Deus. Paulo diz que os gálatas conhecem a Deus, e então ele faz uma pausa e diz: “ou melhor, vocês são conhecidos por Deus” (v. 9). Para usar a linguagem de 4:1-7, somos filhos de Deus.

Por que viver como escravos quando somos filhos que se relacionam Deus? Deus nos conhece. A ideia aqui é de conhecimento profundo e pessoal. Nós conhecemos a Deus, e Ele nos conhece!

Não precisamos pensar muito em como agradar quem convive conosco. É fácil presentear o Vini ou a Clara. Por quê? Porque eu e a Lydia os conhecemos. Amamos nossos filhos e queremos abençoá-los. Eles não são como colegas de trabalho que nos convidam para um aniversário e temos que pensar no que vamos fazer para agradá-los.

Nosso relacionamento com Deus é da mesma forma. Podemos reduzir nosso cristianismo a um mero ritual ou podemos desfrutar da intimidade com Deus. Não devemos ser o povo que um dia fez certa oração e que agora luta sozinho para ser bom. Devemos ser um povo que anda com Deus e que O conhece e conhecido por Ele intimamente.

Assim, como filhos, devemos servir a Deus de todo o coração, não porque queremos nos salvar, mas porque fomos alcançados pela graça de Deus. Assim, devemos andar como filhos que conhecem, amam, desfrutam e glorificam a Deus, não importa o que custar.

**c. Mostre-nos para onde estamos indo.**Já vimos como chegamos até e quem somos agora. Mas para onde vamos? Em 4:25 Paulo fala que Agar representa a Jerusalém terrena, símbolo da escravidão. Mas, a Jerusalém lá de cima é livre e é a nossa mãe. Ou seja, podemos viver como filhos da promessa aguardando o que virá. (v. 26).

Assim Paulo nos lembra que, por que somos livres, não devemos viver presos nos prazeres desse mundo, de seus rudimentos fracos e pobres (9). Ao invés disso, podemos viver com a mentalidade de um lar celeste. Não precisamos viver como quem não tem esperança. Não precisamos morrer pelo que as pessoas se matam. Tudo muda quando sabemos que temos um Pai que prepara para nós um lar celestial.

Que Deus nos mostre como andar em Sua graça. Fomos salvos pela graça; isso está claro. Mas Paulo deseja que a igreja perceba o que significa viver por essa graça. É viver não como escravo, mas como filhos que têm um relacionamento com Deus; não como pessoas presas no que é temporal, mas vivas para um lar celestial. Como nossa fé precisa avançar nisso. Não basta ter uma boa teologia, precisamos viver essa teologia hoje.

Essa é a primeira oração. A segunda oração é: Deus, ajude-nos a confiar em sua palavra Gálatas 12-16.

Paulo faz alguns elogios aos crentes da Galácia nesse trecho. No v. 12, Paulo afirma ter vivido como eles para conduzi-los a Cristo. Em outras palavras, Paulo, um judeu, viveu como gentio, sem observar ritos judaicos. Ele abandonou esses comportamentos por crer que a salvação não dependia deles. Agora ele implora que os gálatas façam o mesmo, que deixem de viver como se precisassem cumprir a lei para serem salvos.

Nos versículos 13-14, Paulo fala sobre como ele chegou doente na Galácia. Não sabemos de qual doença, mas era algo quase repulsivo. Mesmo assim ele foi aceito com alegria, quando teria sido fácil rejeitá-lo. No v. 15, diz que eles o acolheram até mesmo com sacrífico.

Mas o jogo havia mudado. Eles passaram a tratar Paulo como inimigo (v. 16). Isso deixou Paulo confuso, perplexo e, de certo modo, de coração partido. Paulo estava agora em provação.

**a) Ajude-nos a viver quando não é fácil.**As provações de Paulo nos lembram que precisamos de Deus para nos ajudar a confiar em Sua Palavra. Precisamos de ajuda para viver quando não é fácil viver.

O que Paulo pediu para aquela igreja não era fácil, abandonar os ritos judaicos - especialmente porque havia mestres na igreja dizendo que isso era algo necessário para a salvação. A situação era delicada.

Paulo sabia o que era ser condenado por ser fiel às escrituras. Ele sofreu nas mãos dos judeus por ter abandonado o judaísmo para seguir Jesus, o que os judeus consideravam uma seita. Paulo também sofreu na mão de judeus cristãos pelo desejo de alcançar os não judeus para Cristo.

Não era fácil se converter ao cristianismo, especialmente se você era judeu. Não era fácil entender que a antiga aliança, a lei, foi suplantada pela nova aliança. No v. 29, Paulo lembra que Ismael perseguia Isaque para enfatizar a ideia. Viver pela graça, pela Palavra, traz perseguição.

Lembrem-se que a perseguição não vem só de fora, mas também dos sistemas religiosos ao nosso redor. Esse tema está por toda a Bíblia. Os profetas foram perseguidos. Quem os perseguiu? As nações gentias vizinhas? Não, eles foram perseguidos pelos religiosos. Quem perseguiu Jesus? Os líderes religiosos. Paulo foi perseguido por esses judaizantes. O que há de comum nesses fatos?

Viver pela graça custa caro. Custa caro lá fora e custa caro na esfera religiosa. Ao longo da história do povo de Deus, algumas das maiores lutas vieram de dentro da própria igreja.

Isso continua a ser verdade hoje: quando alguém começa a viver de verdade na Palavra de Deus, a reconhecê-la pelo seu valor real, logo enfrentará oposição. Ela será rotulada como fanática. A questão para nós é: viveremos de acordo com a Palavra de Deus mesmo quando não for fácil? Para isso, precisamos da ajuda de Deus.

Deus nos ajude a ouvir sua Palavra quando ela não for popular. Sim, precisamos da ajuda de Deus para viver a Palavra quando não for fácil, mas também precisamos que Deus nos ajude a ouvir a Palavra quando ela não for popular.

Paulo encerra o versículo 16 perguntando: “Será que, por dizer a verdade, me tornei inimigo de vocês?”. Isso é tão notável em Paulo. Ele diz coisas pesadas por amor, não por ódio. Paulo arriscou a sua reputação para dizer a verdade, não o que eles queriam ouvir. A pergunta para nós é: preferimos ser populares a sermos fiéis às Escrituras?

No v. 17, Paulo fala sobre a estratégia dos judaizantes. Eles fingiam se importar com as pessoas, mas era mentira. A verdade é que os judaizantes queriam afastar os Gálatas dos ensinos e da pessoa de Paulo.

Eles apenas pareciam se importar com aqueles crentes, quando na verdade, eles os conduziam por um caminho que leva ao inferno. Os gálatas não queriam ouvir Paulo, porque suspeitavam que Paulo estava com inveja de seus novos “amigos”. Assim, Paulo reafirma seu amor e pede para não ser tratado com inimigo. Paulo deseja ser ouvido para arrancá-los das mentiras e para que se apegassem à verdade.

Nossa reação à Palavra deve ser de acolhimento. Mesmo quando ela expuser pontos cegos de nossa vida, questões que precisam de ajustes radicais, precisamos ser fiéis. A Palavra pode nos dizer coisas que não gostaríamos de ouvir, mas precisamos ouvi-la.

Deus, dê-nos grande zelo pelo seu propósito Gl 4:17-20

Chegamos ao final do sermão, nos v. 17-20 da passagem. No versículo 18, Paulo diz que precisamos ser zelosos do bem. Ou seja, precisamos ser zelosos – desde que seja para o propósito certo. Qual era o zelo de Paulo? V. 19

19meus filhos, por quem, de novo, estou sofrendo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês.

**a) Paixão para sermos conformes à imagem de Cristo.**Com base neste versículo, oramos para que Deus nos dê uma paixão para sermos conformes à imagem de Cristo. A palavra-chave aqui é “conformados” (morphoo), moldados, adquirir a forma.

Mais do que tudo, Paulo queria que Cristo fosse usado como um molde para nossas vidas. Paulo deseja que eles sejam parecidos com Cristo. Em 2:20, Paulo fala que Cristo vive nele. Em 2 Co. 4:10, Paulo fala sobre o porquê do sofrimento dos apóstolos: “para que a vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo”.

Esta é a liberdade em Gálatas: viver uma vida moldada por Cristo. É ser cada vez mais parecidos com Jesus, afinal fomos libertos para experimentar uma vida em Cristo, para Cristo, por Ele, por intermédio dEle e com a companhia dEle. Essa é oração que faço por mim, por minha família e pela igreja: Que Cristo seja formado em nós.

b) Paixão de ver os outros transformados para a glória de Cristo.

Quando Cristo é formado em nós, passamos a enxergar os outros de outra maneira. Passamos a desejar que Deus nos use para ajudar os outros a serem transformados para a glória de Cristo.

Paulo revela seu coração aqui. De acordo com o v. 19, ele trabalha para isso. Ele sente dores, ele deseja isso mais do que qualquer coisa. Como uma mãe anseia, mesmo em meio a dor, trazer à luz seu filho, Paulo ansiava por ver os gálatas transformados para a glória de Cristo.

Essa ideia deve mexer conosco. Devemos orar uns pelos outros, ensinar uns aos outros e apresentar a vida em Cristo uns para os outros porque desejamos que eles sejam transformados. Não seguimos Jesus apenas por nossa própria causa. Estamos aqui juntos, uns pelos outros.

Nossa igreja deve ser uma comunidade que chora uns com os outros, que anima, que confronta, se ou quando for necessário, que ora uns pelos outros. Devemos viver assim para ver o outro transformado, não à nossa imagem, mas à imagem de Cristo.

Paulo não iria desistir, como uma mãe que encontra forças na hora do parto. Que Deus nos ajude a ser um povo que não está satisfeito até que Cristo seja formado em nós, até que assumamos a forma de Cristo.

Livre para crescer Gálatas 4:8-31

Três Orações

I.Deus, Mostra-nos Como Andar na Tua Graça (4: 8-11,21-31).

A. Mostre-nos como chegamos aqui.

B. Mostre-nos quem somos.

C. Mostre-nos para onde estamos indo.

II.Deus, ajuda-nos a confiar na tua palavra (4:12-16).

A. Ajude-nos a vivê-la quando não for fácil.

III. Deus, Dá-nos Grande Zelo pelo Teu Propósito (4: 17-20).

A. Dá-nos a paixão de sermos conformes à imagem de Cristo.

B. Dê-nos uma paixão para ver os outros transformados para a glória de Cristo.