Hebreus 10:18-25 - Confiança e Perseverança na Presença de Deus
25 de julho de 2024 • 14 min de leitura

Os destinatários da Epístola aos Hebreus enfrentavam perseguição e desafios para manter sua fé. Esta carta os encoraja, lembrando-os da superioridade de Cristo e da nova aliança. Hoje, nós também podemos nos identificar com esses desafios e encontrar encorajamento na mensagem de Hebreus.
O autor aos Hebreus está fazendo uma revisão do que falou até aqui. Nessa recapitulação ele vai dando ênfases ligeiramente diferentes das anteriores para chamar a atenção de seus leitores.
Depois de considerar o aspecto “único e para sempre” do sacrifício de Jesus, no início do capítulo 10, agora ele vai destacar as obras maravilhosas que Jesus alcançou para seu povo e como o Seu povo deve agir com base nisso.
Confiança em Cristo HEBREUS 10:19–22
19 Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, 20pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne, 21e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura.
O texto inicia com a palavra “portanto”. É uma nova seção que traz implicações baseadas nas verdades anteriores. Essas implicações tê’m por base o que Jesus fez por nós como nosso sacerdote e mostram como essa intermediação é maravilhosa.
**Acesso pelo Sangue.**Observe estas palavras: “tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus”. Gente, presta atenção nisso. “O santuário” faz referência ao lugar santíssimo do tabernáculo. Lá só o sumo sacerdote podia entrar, uma vez por ano, seguindo regras muito específicas. Qualquer outra pessoa que lá entrasse, morreria.
Agora, porém, por causa da obra de Cristo na cruz, os crentes podem entrar no lugar santíssimo com ousadia, com confiança. Obviamente não entramos num santuário físico, já que tanto o tabernáculo, quanto o templo já não existem. Nós entramos na própria presença de Deus com confiança por causa de Cristo. A graça da cruz derrubou a parede de separação. A porta está permanentemente aberta. Isso é revolucionário.
Não podemos tirar o sangue do cristianismo e falar sobre o amor de Jesus. O sangue de Cristo é parte integrante da teologia cristã. O sangue separa ovelha e cabritos. O sangue de Jesus une uma família de fé. Se perdermos a linguagem do sangue, perderemos o evangelho. O hino “438 – Alvo mais que a neve” capta lindamente o papel do sangue de Cristo:
Seja bendito o Cordeiro Que na cruz por nós padeceu
Seja bendito o Seu sangue Que por nossos pecados verteu
Eis que no sangue lavados No Seu poder e perdão
Os pecadores remidos Por Jesus têm com Deus comunhão
O v. 19 afirma que os cristãos têm acesso a Deus porque o sangue de Jesus Cristo tornou isso possível. Sem o sangue de Jeuss não há acesso a Deus. Não há remissão de pecados sem derramamento de sangue.
Assim como a antiga aliança exigia sacrifícios, a nova aliança também exige. O sacrifício perfeito não foi obtido pelo derramar do sangue de um animal sobre o altar, mas por intermédio do sangue do próprio Filho de Deus vertido na cruz. E por causa desse sangue perfeito e sem pecado, desse sacrifício perfeito, que temos ousadia para entrar no santuário.
Após compreender a importância do sangue de Cristo em nos dar acesso a Deus, exploraremos agora como Jesus, nosso sumo sacerdote, abriu um caminho novo e vivo para essa presença.
Acesso pelo sacerdote: O v. 20 continua explicando como Cristo abriu a porta para a presença de Deus. Ele abriu um “novo e vivo caminho”. Essas palavras “novo e vivo” demonstram novamente a superioridade da nova aliança. Como vimos no cap. 7:25, Jesus pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Jesus é assim um sacerdote perfeito de uma nova aliança.
Este caminho novo e vivo é aberto “por meio do véu” que o próprio texto explica como sendo a “sua carne”, numa referência ao corpo de Cristo, que foi humilhado e verteu seu sangue por nós na cruz.
No tabernáculo, o véu separava o lugar santo do lugar santíssimo. Cristo, ao morrer na cruz, abriu o caminho para a presença de Deus. Isto é representado quando o véu do templo se rasgou no momento da morte de Jesus, conforme Mt 27:51.
Em virtude da obra e do sacrifício sacerdotal de Jesus, já não somos impedidos de entrar na presença de Deus por um véu. Agora temos acesso por intermédio de Cristo, que é nosso sumo sacerdote.
Jeremias profetizou sobre uma nova aliança onde Deus colocaria Suas leis no coração do Seu povo e se lembraria de seus pecados e maldades não mais. Cristo é o cumprimento dessa promessa, inaugurando uma nova aliança superior à antiga. Esta nova aliança envolve um acesso direto a Deus.
Tendo entendido o papel de Jesus como nosso sumo sacerdote, refletimos agora sobre a postura com que nos aproximamos de Deus, com corações sinceros e cheios de fé.
Acesso com um coração sincero e repleto de certeza de fé.
Por causa da obra sacerdotal de Cristo, podemos ter toda confiança para entrar na presença de Deus tendo um coração sincero. De quem podemos nos aproximar? Do Pai. Como podemos nos aproximar dele? Com um coração sincero e cheio da certeza de fé. Em outras palavras, pecadores redimidos podem entrar na presença de Deus com a certeza de que nossos pecados foram perdoados em virtude de nossa fé em Jesus.
A plena segurança da fé é algo que pregamos aqui. Muitos cristãos têm dificuldades com a certeza da própria salvação. Mas o Novo Testamento exorta os cristãos a confiarem e a terem certeza que são salvos.
A segurança vem não com base na fé do homem, mas baseada na fidelidade de Cristo. O apóstolo João escreve em 1 João 5:13:
13 Estas coisas escrevi a vocês que creem no nome do Filho de Deus para que saibam que têm a vida eterna.”
Romanos 10:9,13 assegura que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Assim, alguém que foi salvo pode ter plena certeza de fé, não em si mesmo, não na sua capacidade de obedecer, mas naquele que é o objeto da fé, o digno de fé, Jesus Cristo.
Isso é tão verdadeiro como é verdadeiro que um verdadeiro crente produz frutos. Uma fé infrutífera não salva. Não adianta ter fé se essa fé não muda o jeito que você vive. O autor aos Hebreus faz advertências sobre isso.
Acesso com coração purificado:
A linguagem aqui é a da aspersão, retomando o sistema sacrificial do Antigo Testamento. No Dia da Expiação, o sacerdote aspergia o sangue do sacrifício sobre o propiciatório para propiciar, declarar a paz, de Israel com Deus. (Lv 16:14). Fazer propiciação é pacificar, transformar a ira em aceitação.
Assim como o sangue aspergido purificava o povo de Deus na antiga aliança, agora o sangue de Cristo nos purifica de uma maneira muito superior. O seu sangue, ao contrário do sangue de animais, purifica a consciência. Ele nos purifica do pecado interno, em nossa essência e aperfeiçoa nossos corações.
A lavagem com “água pura” também remete ao sistema da antiga aliança. A lavagem do corpo era necessária para a limpeza. No entanto, essas lavagens não eram capazes de purificar perfeitamente as pessoas. Uma lavagem que verdadeiramente purifica é o que o autor tem em mente aqui. Uma água pura que lava completamente o pecado, não apenas o exterior, mas também o interno.
Essa figura de linguagem também nos remete a representação feita pelo batismo por imersão. No batismo somos de forma gráfica sepultados com Cristo e ressuscitados com ele em novidade de vida. É um testemunho externo da obra interna realizada por Cristo.
Transição: Com a certeza de nossa fé e a pureza que Cristo nos concede, somos chamados a viver de forma que reflita essa esperança, guardando firmemente nossa confissão.
Guardemos nossa confissão. Hb. 10:23–25
23 Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. 24Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. 25Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o Dia se aproxima.
Você conseguiu perceber que o autor aborda o passado, o presente e o futuro neste trecho?
- Passado: A Fidelidade de Deus às Promessas feitas em Cristo
- Presente: segurança por intermédio da comunhão cristã
- Futuro: Antecipação e expectativa do Retorno de Cristo O autor começa falando do passado, mencionando a fidelidade de Deus às suas promessas. Ele aborda que no presente é necessário a comunhão e o encorajamento mútuo dos cristãos. E ele aponta para o futuro, reconhecendo que o Dia do Senhor se aproxima.
A fidelidade de Deus às suas promessas.
Com base na plena certeza de fé, o autor nos chama a “guardar firme a confissão da esperança”. Confessar Jesus demonstra a fé. Confessar é a manifestação verbal de corações arrependidos. Qual é a confissão da esperança cristã? Jesus é Senhor e Jesus salva.
Para o autor, confissão aqui é a confissão central de que Jesus salva pecadores. Os cristãos nunca devem vacilar ou se esquecer em qualquer grau dessa confissão. Devemos nos apegar a essa declaração inicial de fé na qual um dia depositamos nossa esperança.
O cristão persiste não pelo seu esforço, mas pela fidelidade de Deus. Perseveraremos até o fim porque Deus não abandona seus filhos. Deus provou ser fiel às suas promessas ao longo das Escrituras. Jesus afirmou a fidelidade do Pai em João 6:37:
“37Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.“
É o poder de Deus que protege seus filhos. O homem não tem capacidade para perseverar sozinho. A segurança da proteção e da provisão de Deus é que permite que a igreja guarde a confissão da esperança sem vacilar.
A nossa segurança não está na nossa própria capacidade, mas na fidelidade de Deus. Como João 10:28 afirma, 'ninguém as arrebatará da minha mão'. Nossa confiança não está em nossa própria força, mas na promessa de Deus de nos manter seguros. Essa certeza deve nos encorajar a viver vidas que honrem a Deus, produzindo frutos que demonstrem a transformação que Ele opera em nós.
**Segurança em meio pela comunhão cristã.**O autor aborda agora o presente no v. 24. Ele quer enfatizar o papel da comunhão cristã e da igreja para ajudar os crentes a perseverarem até o fim. Não há confiança e plena certeza de fé fora da igreja. A peregrinação cristã não é superada em isolamento. Todo crente precisa intensamente do corpo de crentes para ser encorajado. Para continuar crendo com certeza de fé, precisamos que outros crentes continuamente nos lembrem.
Os discípulos de Jesus são desafiados a estimular e a revelar o que há de melhor uns nos outros. Precisamos ser estimulados ao amor e às boas obras. Uma igreja tóxica falha nisso. Ao invés de trazer o melhor, ela traz à tona o pior. insalubre falha em fazer isso. Infelizmente, algumas igrejas trazem à tona o que há de pior em seus participantes, em vez do melhor. O hino 431 que cantamos no louvor “Benditos laços são” fala sobre essa comunhão abençoada e o valor de carregar o fardo uns dos outros.
2. Ao mesmo trono vão As nossas petições; É mútuo o gozo ou aflição De nossos corações.
3. Aqui tudo é comum: O rir e o soluçar. Em Cristo todos somos um, No gozo e no lidar.
Os cristãos não devem negligenciar a comunhão para adoração coletiva e para momentos de oração e encorajamento. Os v 24 e 25 são fortes palavras de julgamento contra aqueles que têm o hábito de negligenciar a comunhão significativa com outros crentes.
Quem negligencia a comunhão acaba por se isolar dos meios pelos quais Cristo alimenta, assegura e protege o seu povo. Dizer: “eu e Deus” é desafiar a ordem de Cristo.
Sim, você vai encontrar facilmente sermões melhores que os nossos na internet e a vida é atarefada para todos. Essas realidades, contudo, não servem para desculpar um coração desobediente. Ao invés de procurar desculpas ou justificativas, deveríamos fazer tudo que está em nosso alcance para nos congregar.
O objetivo não é apenas ser alimentando por um sermão ou derramar a alma diante de Deus. O objetivo de não deixar de se congregar é o de também encorajar sues irmãos à prática do amor e das boas obras. Quando você decide ser inconstante na comunhão, você priva seus irmãos dos dons que Deus te concedeu. É um ato de egoísmo e de orgulho.
**Expectativa do futuro retorno de Cristo.**Por fim, olha para o futuro. Muitas traduções colocam a palavra Dia em maiúsculo porque ela remete a um dia específico da história, o dia do retorno de Cristo e do julgamento de Deus (2Pe 3:10).
10 Porém, o Dia do Senhor virá como um ladrão. Naquele dia os céus passarão com grande estrondo, e os elementos se desfarão pelo fogo. Também a terra e as obras que nela existem desaparecerão.
Cristo vai reunir a sua igreja e irá julgar os que não pertencem a ela. Essa expectativa fiel deve pulsar na vida da igreja. Pensar sobre essa realidade futura torna mais urgente o encorajamento mútuo e a necessidade de nossa comunhão.
O tempo está escoando. O autor da carta espera que a igreja se torne cada vez mais fiel. Ninguém sabe quando esse Dia irá irromper, mas a Palavra de Deus confirma que é iminente. Devemos permanecer prontos.
Hoje, refletimos sobre o sacrifício de Cristo que nos abriu um caminho novo e vivo para Deus. Vimos a importância de guardar firme nossa confissão de esperança, de manter uma comunhão sólida com outros crentes e de viver com a expectativa do retorno de Cristo. Que essas verdades nos motivem a uma vida de fé ativa e amorosa.
I. Confiança em Cristo (10:19–22)
A. Entrando pelo sangue
B. Entrando pelo sacerdote
C. Entrar com um coração verdadeiro e plena segurança
D. Entrando com o coração limpo
II. Apegando-se à Confissão (10:23–25)
A. A fidelidade de Deus às promessas passadas
B. Apresentar segurança através da comunhão cristã
C. Antecipação pelo futuro retorno de Cristo
19 Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, 20pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne, 21e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura. 23Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. 24Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. 25Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o Dia se aproxima.
Reflita e discuta
Identifique o propósito e o resultado dos resumos do autor em Hebreus, particularmente na passagem estudada acima.
Por que o sangue de Cristo é uma doutrina importante para os cristãos? O que o Cristianismo perderia se a língua de sangue fosse removida? O que o sangue de Cristo torna possível para nós? Por que?
O que o autor de Hebreus quer dizer quando afirma que Cristo abriu “um caminho novo e vivo através da cortina”? Como entramos na presença de Deus agora? Explique o papel que a obra e o sacrifício sacerdotal de Cristo desempenham neste caminho novo e vivo.
Por que somos capazes de nos aproximar do Pai com um coração verdadeiro e plena segurança? Como as Escrituras afirmam que os cristãos podem ter plena certeza de sua salvação? Dar exemplos.
Como a aspersão do sangue de Cristo está relacionada com a aspersão do sangue no Antigo Testamento? Como a aspersão de Cristo é superior à aspersão dos sacrifícios da antiga aliança? O que esta aspersão simboliza e realiza para o crente?
Como a lavagem com água mencionada no versículo 22 é superior às lavagens mencionadas no Antigo Testamento? Como essas lavagens estão ligadas ao batismo? Qual é o papel do batismo na salvação? Quão significativo é o batismo para a nossa santificação? Explicar.
Qual é a confissão da nossa esperança? Por que é imperativo que não percamos esta confissão? Qual o papel que a fidelidade de Deus desempenha no nosso apego à nossa confissão? Que papel as promessas de Deus desempenham no encorajamento dos crentes? Onde nas Escrituras você vê Deus cumprindo suas promessas? Como essas instâncias o incentivam a persistir?
Por que um cristão precisa da igreja? O que a igreja oferece a um crente individual que ele não consegue obter em outro lugar ou por conta própria? Como é que a igreja local nos ajuda a perseverar na fé e a manter a nossa confissão?
Qual é o papel do discipulado na igreja local na ordem que o autor dá nos versículos 24 e 25? Como podem os cristãos ajudar os seus irmãos e irmãs a construir confiança na salvação? Quais são algumas maneiras práticas pelas quais os crentes podem encorajar uns aos outros a ter segurança?
Como poderia uma igreja enfatizar melhor a vida em antecipação à vinda de Cristo? Como a escatologia influencia a vida diária? Como isso afeta sua vida diária? Como isso deve afetar nosso discipulado e a vida da igreja?
Mohler, RA, Jr. Exaltando Jesus em Hebreus (p. 154–160). Referência Holmann.