Hebreus 6:9-20 - A Promessa Confiável de Deus e a Âncora da Alma
19 de maio de 2024 • 13 min de leitura

I. Esperamos coisas melhores (6:9–12)
II. O Deus que promete e cumpre promessas (6:13–18)
III. A esperança por trás do véu (6:19–20)
9 Quanto a vocês, meus amados, ainda que falemos desta maneira, estamos certos de que coisas melhores os esperam, coisas relacionadas com a salvação. 10Porque Deus não é injusto para se esquecer do trabalho que vocês fizeram e do amor que mostraram para com o seu nome, pois vocês serviram e ainda estão servindo aos santos. 11Desejamos que cada um de vocês continue mostrando, até o fim, o mesmo empenho para a plena certeza da esperança, 12para que não se tornem preguiçosos, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.
13 Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, 14dizendo: “Certamente eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes.” 15E assim, depois de esperar com paciência, Abraão obteve a promessa. 16Porque as pessoas juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, põe fim a toda discussão. 17Por isso, Deus, quando quis mostrar com mais clareza aos herdeiros da promessa que o seu propósito era imutável, confirmou-o com um juramento. 18Ele fez isso para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, nós, que já corremos para o refúgio, tenhamos forte alento, para tomar posse da esperança que nos foi proposta. 19Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu, 20onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
Imagine-se em um barco durante uma tempestade no mar. As ondas são altas, o vento é forte, e a escuridão é completa. Em meio a essa tempestade, a única coisa que pode manter o barco firme e seguro é uma âncora sólida e bem fixada no fundo do mar. Da mesma forma, na tempestade da vida, nossa alma precisa de uma âncora segura para não se perder. Essa âncora é a esperança que temos em Jesus Cristo. Hoje, vamos explorar essa esperança inabalável e como ela nos sustenta, mesmo nos momentos mais difíceis.
Existem muitas respostas diferentes ao evangelho. O objetivo da parábola do semeador em Mateus 13 não era colocar dúvidas nos corações a respeito de quem somos, mas o de mostrar aos discípulos que o coração pode reagir de formas diferentes ao anúncio do evangelho.
Como vimos no domingo passado, o autor aos Hebreus fez algo semelhante. Ele mostrou a realidade de que numa igreja há corações que rejeitam o evangelho e que isso será manifesto nas atitudes dessa pessoa que a levarão ao abandono irreparável da fé.
A intenção do autor até o v. 8 é o de exortar os crentes da igreja a serem obedientes até o fim e a avançar para o que é perfeito, para a maturidade e para o discernimento espiritual que ele já vinha tratando.
O trecho desta noite mostra que o autor não tinha qualquer dúvida sobre a conversão dos crentes que permaneceram. Ele sabia que eles perseverariam até o fim e herdariam as promessas que lhes pertencem. Como eles iriam perseverar? Com fé e paciência, como Abraão fez. Ao confiar em Deus e perseverar até o fim, os cristãos demonstram que se apegaram à esperança que nos é apresentada. É disso que trata a última metade de Hebreus 6.
Assim como a âncora mantém o barco firme durante a tempestade, nossa esperança em Cristo nos mantém seguros. Vamos agora explorar como podemos esperar coisas melhores em nossa caminhada de fé.
I. Esperamos coisas melhores (6:9–12).
A advertência iniciada em Hb. 5:11 chega à sua conclusão nesta passagem. A advertência dura agora se transforma em palavras de segurança e de conforto. O autor está plenamente convencido de que aqueles a quem escreve, ao contrário daqueles que se afastaram, não cairiam. Em relação a eles o autor estava “certo de que coisas melhores os esperam, coisas relacionadas com a salvação”. Ele estava convicto de que o bom solo dos seus corações produziria uma boa colheita.
Uma das realidades que temos no Novo Testamento é o testemunho de algumas pessoas se doavam para cuidar dos outros na igreja primitiva. Eles eram aqueles que “serviam aos santos”. Paulo, por exemplo, dependia do auxílio de igrejas para o seu ministério missionário. O autor de Hebreus pode ter enfrentado a mesma necessidade.
Aqueles irmãos e irmãs demonstravam seu amor a Deus servindo seus irmãos e irmãs de forma prática. Este amor demonstrando por eles servia de fundamento para a certeza do autor a respeito da eficácia da fé daquelas pessoas.
Uma das melhores forma de ter confiança na vida espiritual de alguém é checar seus frutos. Enxergar uma conduta fiel alimenta a nossa segurança. Neste sentido, o autor deseja que esses cristãos demonstrem o mesmo zelo pela fé que demonstraram quando creram pela primeira vez. À medida que crescem o zelo e a diligência na sua fé, também cresceria a sua plenitude de esperança até ao último dia.
O termo preguiçoso no versículo 12 aponta para a lentidão que o autor abordou em 5:11. Ali ele repreendia os que se tornaram preguiçosos para ouvir e, portanto, surdos para o entender e discernir. Agora ele está encorajando os crentes a, ao invés de serem preguiçosos, continuarem a serem diligentes, pois isso resulta em esperança. Há um contraste aqui. Ao invés de ouvidos preguiçosos, tenham um coração frutífero que se manifesta em serviço cristão.
Assim como os primeiros cristãos demonstravam seu amor a Deus servindo aos outros, somos chamados a fazer o mesmo. Considere ajudar nos ministérios da igreja, apoiar financeiramente missões, ou simplesmente oferecer uma mão amiga a quem precisa. Quando servimos aos outros, demonstramos o amor de Deus de maneira tangível e nossa fé se torna evidente através de nossas ações.
O autor aos Hebreus está encorajando seus leitores a imitarem aqueles que pela fé e pela perseverança herdam as promessas. Ao longo do livro de Hebreus, o escritor incentiva os crentes a imitarem os santos do Antigo Testamento. No capítulo 11, que antecipa 6:12, encontramos uma lista impressionante de santos do Antigo Testamento cuja fé e paciência são dignas de nossa imitação.
O autor exorta seus leitores a enfrentarem suas dificuldades com fé e perseverança, assim como os santos que vieram antes deles enfrentaram as suas. Somente o zelo na fé até o fim garante o recebimento das promessas de Deus.
Tal como Abraão esperou pacientemente pela promessa de Deus, sejamos perseverantes em nossa fé, sabendo que Deus é fiel e cumprirá Suas promessas. Em momentos de dúvida ou dificuldade, lembremos das promessas de Deus e sigamos firmes, sabendo que Ele está ao nosso lado.
Agora que entendemos a importância de manter nossa fé e serviço, vamos nos aprofundar no caráter de Deus, que promete e sempre cumpre Suas promessas.
II. O Deus que promete e cumpre promessas (6:13–18)
Os juramentos feitos no antigo Israel eram muito diferentes dos juramentos feitos hoje. Os juramentos nos dias do antigo Israel não eram contratos, como temos hoje em dia. Eles não eram selados com uma assinatura num cartório.
Os antigos israelitas selaram seus juramentos com promessas pessoais. Foi assim o juramento de Deus em favor de Abraão, que é o foco desta passagem de Hebreus. Deus é um Deus que faz juramentos e sela seus juramentos com sua própria palavra e com seu próprio nome.
O contexto do versículo 13 aponta para Gênesis 22:16–17:
E disse: _ Porque você fez isso e não me negou o seu filho, o seu único filho, juro por mim mesmo, diz o Senhor, que certamente o abençoarei e multiplicarei a sua descendência como as estrelas do céus e como a área que está na praia do mar. Sua descendência tomará posse das cidades dos seus inimigos.
Deus disse “jurei por mim mesmo”. Deus jura por si mesmo porque não há ninguém maior por quem jurar. Na verdade, é por isso que os humanos invocam o nome de Deus quando juram... juro por Deus.
Abraão acreditou na promessa porque Deus era quem prometia. Ao jurar pelo seu próprio nome, Deus garantiu que a promessa seria cumprida, por isso Abraão esperou pacientemente e obteve o que foi prometido. Deus jurou pelo seu próprio nome declarar publicamente diante da criação, dos anjos, que Ele estava prometendo algo a Abraão e que Ele a cumpriria. Os primeiros “herdeiros” da promessa de Deus feita a Abrão foi o próprio Abraão e seus descendentes.
Para mostrar a certeza e a confiabilidade daquela promessa, Deus selou sua promessa com um juramento. Mas como a promessa feita a Abraão se relaciona com os destinatários desta carta? Como vimos em Hebreus 2:5–18, os herdeiros da promessa de Abraão são aqueles que foram adotados pela fé em Cristo como filhos e filhas de Deus. Essas pessoas, e nós, nos tornamos irmãos e irmãs de Jesus. Nós nos tornamos participantes das promessas, inclusive da promessa feita a Abraão.
As “duas coisas imutáveis” que o autor menciona no versículo 18 referem-se à natureza irrevogável do propósito e da palavra de Deus, e do juramento público que Ele fez. Porque é impossível que Deus minta, Deus nunca vai quebrar essas duas colunas imutáveis. Deus deixaria de ser Deus se Ele pudesse mentir.
O autor lembra que Deus tem como característica o ser imutável. Isso serve de encorajamento para que a igreja se mantenha firme. O povo de Deus é como um refugiado que deve ir em direção a Deus em busca de resgate e que precisa ser encorajado a aproveitar a esperança que lhe é oferecida.
Como a Palavra de Deus é verdadeira e é impossível que ele minta, temos toda a confiança do mundo para ter coragem e confiar nas promessas de Deus, assim como Abraão fez.
A fidelidade de Deus e a certeza das suas promessas não são proposições teóricas. São realidades imutáveis. Tal como Abraão, podemos apostar as nossas vidas nas promessas de Deus porque foi Deus quem as prometeu. Nosso Deus é um Deus que cumpre promessas. Em um mundo onde tantas coisas são incertas, podemos ter absoluta confiança na Palavra de Deus. Ele é imutável e Sua promessa nunca falha.
Que história da fidelidade de Deus você poderia compartilhar? Como o Senhor, de acordo com a palavra dEle, foi fiel a você? Que lutas você sabe que venceu por causa da fidelidade de Deus? Que caminhos contrários à Palavra de Deus que você se desviou e percebeu logo depois que o caminho de Deus, mesmo à princípio mais desafiador, era realmente o melhor?
Quando compreendemos que Deus é fiel para cumprir suas promessas descansamos e adquirimos mais esperança. Vamos entender como essa esperança serve como uma âncora para nossa alma, nos mantendo firmes e seguros.
III. A esperança por trás do véu (6:19–20)
O autor lembra de forma pungente ao seu povo a necessidade de “uma âncora para a alma”. Os problemas e as tentações deste mundo confundem as nossas almas com demasiada frequência. E ainda assim, temos uma âncora segura e firme que estabiliza nossas almas em meio às ondas deste mundo.
As promessas de Deus são firmes e seguras o suficiente para nos manter firmes durante uma tempestade. A promessa e o juramento de Deus ancoram a esperança que “entra no santuário que fica atrás do véu”, isto é, no lugar santíssimo.
Uma vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote ia ao lugar santíssimo e oferecia o sangue de um animal para desviar a ira de Deus de Israel. Jesus, como nosso sumo sacerdote, entrou no santuário que fica atrás do véu e ofereceu seu próprio sangue em nosso favor.
Nossa âncora, nossa certeza, nossa paz é Jesus. Ele foi adiante de nós como nosso precursor para realizar tudo o que a justiça de Deus exigia. Como nosso grande sumo sacerdote, Jesus comprou a nossa salvação com seu próprio sangue e assegurou-nos as promessas de Deus. Assim, a obra expiatória de Jesus na cruz é a proclamação da esperança do cristão e a âncora da alma do cristão.
Quem não conhece a história de um cristão que, apesar de enfrentar um diagnóstico grave, manteve sua fé inabalável. Essas pessoas afirmam que a esperança em Cristo era como uma âncora para alma, mesmo diante das notícias desanimadoras. A fé dessas pessoas inspira muitos ao seu redor a confiarem em Deus em meio às tempestades da vida.
Independentemente das tempestades que enfrentamos, Jesus é nossa âncora segura. Sua obra na cruz é a garantia de nossa salvação e da esperança eterna. Mesmo quando tudo ao nosso redor parece incerto, podemos encontrar segurança e paz em Cristo.
Vivamos diariamente com a esperança que Jesus proporciona. Deixe que essa esperança guie suas ações, decisões e seu relacionamento com Deus e com os outros. Quando nossas vidas refletem essa esperança, somos confortados no meio da tempestade por estarmos seguros e ancorados. Esta convicção produz um efeito multiplicador. Como você pode dormir em meio a isso tudo? Como você está em paz neste cenário? Como você tem essa alegria durante um tratamento dessa monta?
Nossas almas ancoradas em Cristo servem para acalmar outros passageiros desse barco tempestuoso da vida.
Em resumo, embora muitos possam rejeitar o evangelho, aqueles que tiverem fé e paciência herdarão as promessas de Deus. Podemos confiar totalmente em Sua Palavra e encontrar uma âncora firme para nossa alma em Jesus Cristo. Convido você hoje a renovar sua fé e esperança em Cristo. Seja em serviço, confiança nas promessas de Deus, ou vivendo com esperança, que possamos nos apegar firmemente à âncora de nossa alma.
Reflita e discuta
Como a confiança do autor nos crentes mencionados em Hebreus 6:9–20 complementa a severa advertência que a precede? Em outras palavras, como o autor usa sua advertência para encorajar os crentes na certeza de sua salvação?
O que fundamenta a confiança do autor naqueles que respondem ao evangelho com fé até o fim? Por que o autor está tão “confiante nas coisas que são melhores” para os crentes desta igreja?
Quais são algumas maneiras práticas pelas quais você e sua igreja podem servir e ajudar outras igrejas evangélicas com ideias semelhantes? Como você e sua igreja estão servindo e trabalhando atualmente com outras igrejas? Com cristãos individuais?
Quais são as evidências de que um coração recebe o evangelho em vez de alguém que o rejeita? O que significa confirmar seu chamado e eleição e ter seriedade na fé? Como é demonstrado o seu zelo no evangelho?
Cite os santos do Antigo Testamento, além de Abraão, que demonstraram fé nas promessas de Deus e esperaram pacientemente pelo seu cumprimento. Como você poderia imitar o exemplo deles?
Como o fato de Deus ter jurado por si mesmo encorajou e capacitou Abraão a esperar pacientemente pela promessa? Como deveria encorajar-nos e equipar-nos para esperarmos pelo cumprimento das promessas de Deus para nós?
Como as promessas de Deus a Abraão se aplicam aos crentes hoje? O que significa ser herdeiro de Abraão? Como ser herdeiro da promessa de Deus muda sua perspectiva sobre as promessas deste mundo?
Pense na natureza escatológica desta passagem e nas promessas de Deus. Como é que a certeza futura das promessas de Deus aos crentes equipa o nosso zelo no evangelho e nos encoraja a manter a nossa esperança?
Como a imutabilidade de Deus incentiva você a fugir para ele em tempos de dificuldade ou tentação? Ao pensar sobre suas experiências como cristão, quais são algumas maneiras tangíveis pelas quais a verdade da Palavra de Deus ancorou sua alma e o encorajou a se apegar à esperança que lhe foi proposta?
Considere as outras passagens em Hebreus nas quais o autor fala sobre Jesus como nosso sumo sacerdote. Que implicações tem para nós Cristo entrando no lugar santíssimo em nosso favor? O que significa Cristo ser nosso precursor?
Mohler, RA, Jr. Exaltando Jesus em Hebreus (p. 93–97). Referência Holmann.