Pular para o conteúdo principal

Hebreus 7:11-22 - Um Sacerdócio Superior Segundo a Ordem de Melquisedeque

09 de junho de 202412 min de leitura

Hebreus 7:11-22 - Um Sacerdócio Superior Segundo a Ordem de Melquisedeque

Hoje, vamos falar sobre a perfeição, conceito muitas vezes banalizado. Usamos a palavra 'perfeito' de forma corriqueira, mas será que entendemos o verdadeiro significado quando aplicado a Jesus?

O título da tese de doutorado do Matheus foi “Modelos Constitutivos de Superfície de Retenção e de Condutividade Hidráulica para Solos Uni e Bimodais”. Não vou repetir. Quem entende, entendeu. Que não entendeu, não vai entender. Eu nem tentei.

Imaginem que ele tenha tirado nota máxima com louvor, que a tese dele não tivesse nenhum errinho de digitação, tirou a nota máxima. Esse trabalho intelectual seria de fato perfeito quanto a nota indica?

Mesmo que no trabalho não tenha sido encontrado nenhum erro, a tese não seria perfeita porque os seres humanos, por definição, são incapazes da perfeição. A queda mancha tudo. Mesmos os melhores projetos arquitetônicos, como o da Ponte JK que precisa ficar trocando juntas de dilatação, tem vícios ocultos. Nada aqui é impecável ou perfeito.

A palavra “perfeito” é central para entendermos o texto de hoje. Nós temos a tendência de banalizar a perfeição, sugerindo que podemos alcança-la deste lado da eternidade. Dizemos que pessoas são perfeitas, que performances e conquistas foram perfeitas. Usamos perfeito para comparar coisas: esse vestido ficou perfeito, ao invés de dizer que ele ficou bom ou que era o melhor da loja. Usamos o termo mais como um comparativo do que para declarar fatos.

O autor do texto usa a palavra perfeito no sentido verdadeiro. Jesus não é simplesmente um sumo sacerdote melhor que os outros. Ele é o sumo sacerdote perfeito. Quando o autor fala sobre a perfeição de Jesus (7:28), está comentando um fato sobre Cristo, um atributo dele. Dizer que Jesus é o sumo sacerdote perfeito, é afirmar a perfeição que só uma pessoa totalmente divina e totalmente humano pode incorporar. Jesus não merece apenas um dez com louvor na prova do sacerdócio. Ele é o Deus-homem, o padrão último de sacerdote real, objetivamente perfeito.

O Sacerdócio Perfeito do Filho Hebreus 7:11-12

11 Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? 12Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei.

Como vimos, a tese de Matheus, por mais impecável que fosse, não seria perfeita. Agora, vamos considerar como isso se aplica ao conceito de sacerdócio em Israel e, mais importante, ao sacerdócio de Jesus.

Esta passagem deveria nos chocar, como chocava os judeus. O autor afirma que o sacerdócio de Jesus é superior a todo o sacerdócio levítico. Ele afirma que Jesus substitui o sacerdócio levítico, uma das colunas de Israel, um padrão fundamental da aliança divina com Israel.

Pensem nisso. O sacerdócio definia Israel. Deus estabeleceu o sacerdócio como privativo dos filhos homens da tribo de Levi. Eles tinham tarefas pesadas para cumprir e as outras tribos aceitaram contribuir para cuidar e alimentar aquela tribo. Preservar a linhagem de Levi era fundamental. Eles eram os mediadores. Os sacerdotes representavam o povo de Israel diante Deus. E eles representavam Deus perante o povo cumprindo seus deveres sacerdotais.

Mas aqui se declara que existe um sacerdócio maior do que o firmado com a tribo de Levi. O sacerdócio de Jesus Cristo é superior porque o sacerdócio de Levi não era perfeito. Por melhor que eles tenham sido, eram insuficientes. Dessa forma, eles não podiam salvar o povo.

A Necessidade de um Sumo Sacerdote Maior.

Grande parte dos livros escritos por Moises tratam dos levitas e isso indica a importância do seu sacerdócio. Embora fossem fundamentais para o sistema mosaico, eles eram incapazes de fazer a mediação perfeita entre Deus e os homens.

Os sacerdotes levíticos não eram culpados pela insuficiência do seu sacerdócio. A própria concepção do sacerdócio indicava sua insuficiência. Se ele fosse suficiente, não precisaria ser substituído por outro e não precisava ser iniciado por outro. Nós já vimos Melquisedeque aparecendo para abençoar Abraão em Gênesis 14. Além disso, a referência a Melquisedeque no Salmo 110 não teria qualquer significado, já que o sacerdócio levítico já estava em vigor.

Se o sacerdócio levítico fosse suficiente, não precisaríamos de um Messias para ser nosso mediador entre Deus e o seu povo. Essas insuficiências do sacerdócio levítico demonstram que ele era apenas uma sombra para o sacerdócio plenamente suficiente, de Jesus Cristo.

Lembrem, Israel não estava procurando levantar um novo sacerdote. Eles não chegaram à conclusão de que o sacerdócio levítico era imperfeito e, portanto, precisavam de um novo. Foi uma ação de Deus. Ele enviou um novo sumo sacerdote para expiar os pecados do povo. Este sumo sacerdote, na sua ressurreição, foi levantado segundo a ordem de Melquisedeque. Jesus Cristo não tem comparações e é eterno. Seu sacerdócio não é perecível como a dos filhos de Aarão.

Assim como o sacerdócio levítico tinha suas limitações e foi substituído pelo sacerdócio perfeito de Cristo, nós também precisamos reconhecer as nossas limitações e nos voltar para Jesus como nosso mediador perfeito.

O Sacerdócio Real do FilhoHebreus 7:13–14

13 Porque aquele de quem são ditas estas coisas pertence a outra tribo, da qual ninguém prestou serviço ao altar; 14pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes.

Jesus é “aquele de quem são ditas estas coisas.” Contudo, ele não é da tribo de Levi; ele é da tribo de Judá. E nenhum descendente daquela tribo jamais prestou serviço no “altar” de Deus. As tribos tinham linhagens e funções definidas. O reinado vinha da linha de Judá. O sacerdócio, de Levi. O sacerdote não deveria ser rei, e o rei não deveria ser sacerdote. A tribo de Levi fornecia os sacerdotes, e a tribo de Judá, a tribo do Rei Davi, produziu reis.

Jesus Cristo, porém, não era um mero descendente de Judá. Ele é o Messias que restabeleceria o trono de Davi. No entanto, a distinção permanece: nenhum rei atuou como sacerdote e nenhum sacerdote podia agir como rei.

A obra de Cristo, contudo, é um tríplice ofício – profeta, sacerdote e rei – demonstrando uma perfeição totalmente ausente na antiga aliança. Nela, diferentes tribos desempenharam diferentes responsabilidades, e nenhuma tribo as desempenhava de forma eterna. Mas Cristo desempenha todos esses papéis de forma de forma singular e contínua.

O autor demonstra a novidade da obra de Cristo ao mostrar que Moisés não determinou sacerdotes da tribo de Judá. O escritor cita Moisés por ser ele a autoridade final nesses tipos de deliberações. Moisés era o divisor de águas para os debates judaicos. No entanto, como demonstração da novidade da obra de Deus em Cristo, o autor de Hebreus apresenta um novo divisor: sacerdote e rei se fundem na pessoa e na obra de Jesus.

Entender isso nos fazer sob uma nova perspectiva: aceitar Jesus como nosso rei e sacerdote. Ele tem o direito de nos governar e interceder por nós em todas as áreas de nossas vidas.

O Sacerdócio Eterno do Filho Hebreus 7:15–18

15 E isto é ainda muito mais evidente, quando, à semelhança de Melquisedeque, se levanta outro sacerdote, 16constituído não conforme a lei de mandamento carnal, mas segundo o poder de vida indissolúvel. 17Porquanto se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. 18Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade

O autor de Hebreus lança aqui mais um argumento: A aparição de Jesus Cristo como sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque revelava claramente a limitação e a inadequação do sacerdócio levítico. Os sacerdotes anteriores apenas preparavam o povo para a vinda do Messias que alcançaria a expiação final e completa. Deus, quando envia Cristo, estabelece o seu Filho como sacerdote final.

A permanência do sacerdote perfeito.

Cristo não descende da tribo de Levi. O sacerdócio de Cristo não se baseia na linhagem genética – o seu sacerdócio é muito mais profundo. O sacerdócio de Cristo baseia-se “no poder da vida indissolúvel, indestrutível”.

Esta é outra diferença fundamental: Os sacerdotes levíticos morriam e não ressuscitaram. Nenhum deles pode cumprir de forma eterna a função de mediador do sacerdote. Contudo, o sacerdote que surge segundo a ordem de Melquisedeque permanece para sempre. Seu poder e legitimidade derivam de possuir uma vida indestrutível.

Os contrastes são gritantes. Jesus não é o grande sumo-sacerdote por cumprir requisitos de linhagem. Ele tem uma qualificação infinitamente superior – “uma vida indissolúvel, indestrutível”. Isso se refere à ressurreição de Jesus Cristo. “Pois foi testificado”, observa o autor de Hebreus: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110:4).

Para sempre” é uma expressão incrível. Nossas mentes humanas não compreendem essa realidade ainda. Não sabemos o significado completo de algo que nunca acaba. Podemos cantar sobre isso, ensinar, louvar, mas compreendemos completamente. Podemos saber, no entanto, que o “para sempre” separa e exalta Cristo acima de todo sacerdote terreno. Cristo é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque.

Precisamos amar a ressurreição, que valida o sacerdócio eterno. Ela é a prova da vida indissolúvel, indestrutível de Jesus. Fortaleça a sua fé na obra redentora e confie que Jesus, sendo nosso sacerdote eterno, está continuamente intercedendo por nós. Isso nos dá segurança e esperança duradoura.

A incapacidade da lei.

Após afirmar a eternidade de Cristo, o autor passa a tratar das deficiências da Lei que os judeus tanto amavam. Paulo fala sobre isso em Romanos. Ele diz que a Lei não pode fazer o que Cristo fez por nós. Jesus cumpriu a Lei e nos salvou, a Lei só é capaz de nos condenar. A Lei de Deus é perfeita no sentido de fazer tudo que Deus planejou para ela, mas não pode salvar. Somente Cristo pode fazer isso.

O autor combina duas palavras no versículo 18 que são incrivelmente poderosas: fraqueza e inutilidade. A lei não era inútil no sentido de não ter utilidade - ela cumpre as responsabilidades a ela atribuídas. Paulo nos diz que devemos ser gratos pela lei, pois ela expõe a grande necessidade de um Salvador.

Em Romanos 7:7-8 Paulo explica que ele não saberia que era uma pessoa cheia de cobiça sem a lei. A lei, portanto, não é inútil no sentido de não ter qualquer utilidade, mas no sentido de que não é a obediência a ela que produz recompensas finais e eternas. A lei é usada para condenar, mas não pode ser usada para salvar. Para efetuar a salvação, a lei é incapaz.

Essa também é a fraqueza da Lei. Por um ângulo, ela é tão forte que está gravada no coração e na mente das pessoas, conforme Rm. 2:15. Para isso, a Lei é poderosa, mas não para salvar. A lei é fraca e inútil para salvar porque Deus não a designou para salvar pecadores.

Uma esperança melhor no sacerdote perfeitoHb 7:19

19pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma; e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus.

O autor de Hebreus novamente faz uma declaração sobre a perfeição. Desta vez ele destaca a incapacidade da lei de tornar alguém perfeito em contraste com Cristo, que ao nós unir com Ele, pelo Espírito Santo, purifica os rebeldes e os justifica diante de Deus.

A lei nunca aperfeiçoou ninguém. Ela nunca produziu um povo verdadeiramente santo e perfeito, e certamente nunca produziu um indivíduo perfeito. A lei revela o pecado e a lei mata – ela certamente não pode salvar, pois não foi planejada para isso.

A Lei, o primeiro mandamento, é deixado de lado e substituída por uma esperança melhor. Essa esperança é Cristo. A Lei ajudou os israelitas de muitas maneiras, de certa forma ela definiu a nação de Israel, mas não foi capaz de aproximá-los de Deus. A lei mostra o tanto que somos pecadores e nos ajuda a entender o quanto precisamos de grande Salvador.

Cristo faz o que a Lei não pode fazer. Ele salva. Jesus realizou a nossa salvação e deu-nos uma nova esperança – uma esperança através da qual agora nos aproximamos de Deus. Façamos o uso da Lei para identificar nossos pecados, mas precisamos nos voltar para Jesus que é o único capaz de salvar e transformar vidas.

Um sacerdote melhor para uma aliança melhor. Hb 7:20-22

20 E isto não se deu sem juramento. Porque os outros são feitos sacerdotes sem juramento, 21mas este foi feito sacerdote com juramento, por aquele que lhe disse: “O Senhor jurou e não se arrependerá: ‘Você é sacerdote para sempre.’” 22Por isso mesmo, Jesus se tornou fiador de superior aliança.

Os versículos finais reforçam o fato de que Jesus é o sumo sacerdote incomparavelmente superior aos levitas. Deus estabeleceu o sacerdócio levítico, mas nunca jurou que eles iriam continuar eternamente. Mas o autor de Hebreus mostra que no Salmo 110:4 Deus forjou o sacerdócio eterno de Cristo com um juramento imutável. O sacerdócio de Cristo está enraizado nas promessas inabaláveis ​​de Deus.

No versículo 22 o autor liga o sacerdócio a uma aliança superior. Esta ideia ele vai explicar no cap. 8. Aqui, ele está indicando que Jesus não é apenas um sacerdote melhor, mas que esse sacerdócio faz parte de uma aliança superior, uma nova aliança, mencionada em Jeremias 31.

Cristo é o “fiador” desta aliança. Nós podemos ter certeza de que as bênçãos da nova aliança nos alcançarão de forma infalível. A promessa da aliança de Deus não pode falhar porque o sacerdote de Deus, Jesus Cristo, não pode falhar.

Em resumo, o sacerdócio de Jesus é fundamentalmente superior e eterno, algo que o sacerdócio levítico nunca poderia ser. Que possamos nos apegar a essa verdade e confiar em Jesus como nosso sumo sacerdote eterno, cuja obra redentora nos dá uma esperança viva e segura. Amém.

Reflita e discuta

Como as noções e usos modernos da palavra perfeito turvam o significado da palavra perfeito nesta passagem? Descreva uma situação em que você ouviu a perfeição de Cristo ser confundida com a das coisas criadas.

Por que o sacerdócio de Cristo é mais perfeito do que outros sacerdócios? Como a natureza divina de Cristo contribui para a sua perfeição?

O que significa que Cristo é agora, através da sua obra perfeita, o sacerdote suficiente que medeia entre Deus e o homem? Em que sentido o ato final de expiação de Cristo é superior à lei mosaica?

O que torna o conceito de legalismo e de justiça merecida pelas obras tão atraente? Você ainda se encontra caindo numa religiosidade que nega a morte expiatória e suficiente de Cristo? Você tenta justificar-se comportando-se moralmente e fazendo o bem, em vez de seguir fielmente a nova lei inaugurada pela morte e ressurreição de Cristo? Se você respondeu sim a uma ou ambas as perguntas anteriores, explique seu raciocínio.

Como a lei do Antigo Testamento foi lucrativa e forte? Como foi inútil e fraco?

Por que a vida indestrutível de Cristo é tão importante para sua obra como grande sumo sacerdote? Como seu ministério eterno pode nos encorajar como cristãos?

O que o envio de seu Filho por Deus para ser o mediador perfeito revela sobre a natureza e o caráter de Deus?

Como você pode se lembrar ativamente da graça soberana de Deus e do amor redentor de Deus por você em Cristo, o sacerdote suficiente? Como é que a nossa salvação e nova esperança em Cristo nos permite aproximar-nos de Deus?

Por que precisamos de Cristo para cumprir os ofícios de profeta, sacerdote e rei? De que maneira Cristo cumpre isso? Como esse tríplice ofício demonstra a perfeição de Cristo?