Hebreus 7:23-28 - Jesus, o Sumo Sacerdote Perfeito e Permanente
16 de junho de 2024 • 11 min de leitura

Você já se perguntou por que precisamos de um mediador? Imagine estar em um tribunal, esperando por uma sentença condenatória que seria inevitável. De repente, um advogado perfeito se apresenta, alguém que nunca perdeu um caso e está sempre disponível para defendê-lo. Esta é a imagem de Jesus como nosso sumo sacerdote. Hoje, vamos explorar como Ele, sendo perfeito e permanente, intercede por nós de uma maneira insubstituível.
Os capítulos 7–10 explicam de forma grandiosa como Jesus é o nosso sumo sacerdote perfeito. Mas a questão dominante para quem essa carta foi escrita talvez escape para nós. Eles tinham um sistema de sacrifícios de animais que era central para a vida deles, um sistema que é distante de nós, hoje.
Antes de Jesus, Deus se aproximava da humanidade pelo templo e pelo sistema sacrificial conduzido por sacerdotes. Os sacerdotes ofereciam sacrifícios diários e anuais, contudo esses sacrifícios eram incapazes de efetuar de forma definitiva o perdão de pecados. Se o perdão perfeito tivesse sido alcançado, Cristo seria dispensável.
Se eles não efetuavam o perdão definitivo de pecados, para o que serviam? Eles antecipavam ou prefiguravam o verdadeiro perdão dos pecados. Quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo no Dia da Expiação e oferecia sacrifícios, aquilo apontava para o dia em que a ira de Deus iria ficar plenamente satisfeita contra o pecado. Todo aquele sistema servia apenas para apontar para Jesus.
O autor vem argumentando que Jesus é superior a todas as realidades que o antecederam: anjos, Moisés, Aarão, Josué e todo o sistema sacerdotal. Ele conclui seu argumento em 7:22 afirmado: “Jesus também se tornou a garantia de uma aliança melhor”.
Nós já sabemos que a aliança que Deus promulgou em Cristo é muito superior a qualquer outra. Essa afirmação não nos choca. Mas os as pessoas que receberam esta carta a escutaram com perspectiva diferente. O que poderia ser melhor do que a aliança que Deus fez com Abraão? A resposta é simples: uma aliança que salva.
A aliança de Deus com Abraão não salvou, embora tenha concedido muitas bênçãos. Ela formou um povo que sobreviveu a muitas lutas pelo cuidado de Deus. Eles desfrutaram das bênçãos dos sacrifícios, experimentaram da paciência de Deus com o pecado deles e provaram do perdão antecipado de pecados pela fé. No entanto, essa aliança não poderia salvar. Jesus é a garantia absoluta que Deus fez uma nova aliança e Ele é o grande sumo sacerdote da nova aliança.
I. O Sacerdote Permanente (7:23–25) A. A Natureza Contínua do Sacerdócio de Cristo
23 Ora, os outros são feitos sacerdotes em maior número, porque a morte os impede de continuar; 24Jesus, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. 25Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
Esses versículos exploram a ideia de que o sacerdócio de Cristo e o seu poder para salvar são permanentes. Ao contrário dos sacerdotes anteriores, Cristo é um sacerdote que dura para sempre e que pode salvar. Assim, seu ministério de intercessão por aqueles que se aproximam de Deus por intermédio dEle nunca termina. Dessa forma, Cristo é o sacerdote perfeito, em tudo superior.
B. A Natureza Intercessória do Sacerdócio de Cristo
A natureza contínua do sacerdócio de Cristo.
Do início do cap. 7 até o v.22 vimos que o autor redefinindo a ideia de sacerdócio, mas isso não é tudo. Ele agora vai demonstrar como, de formas específicas, Jesus substituiu o sacerdócio anterior.
Ao longo da história de Israel, os filhos de Levi foram se sucedendo no sacerdócio. Cada geração tinha que produzir novos sacerdotes para repor os que morriam. Cristo, por sua vez, continua para sempre, um sacerdote imutável. Hoje não precisamos repor sumo-sacerdotes. Jesus continua para sempre. Hoje vivemos sobre o ministério contínuo de um único sacerdote: Jesus, nosso sumo sacerdote.
25 Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
Tendo isso em mente olhem para o v. 25. Ele diz que “Jesus pode salvar totalmente” É útil imaginar duas dimensões dessa salvação total: Ela tem uma dimensão de abrangência e outra de tempo.
Primeiro, Cristo salva de forma abrangente, ao fazer tudo o que precisávamos para ser salvos. A salvação que vem de Jesus não precisa de qualquer outra fonte. Jesus cumpriu todos os critérios necessários para redimir seu povo. O pecador que busca a salvação não deve procurar nenhuma outra autoridade ou pessoa além de Cristo. O sacerdócio de Jesus fez tudo, totalmente.
A segunda dimensão é a temporal. Assim como o sacerdócio continua para sempre, também a salvação que ele conquistou é para sempre. Não precisamos buscar mais ninguém além de Cristo. Ele é nosso sacerdote para sempre. Ele intercede por nós para sempre. Esse sacerdócio eterno de Cristo é o fundamento de nossa salvação eterna.
Israel vivia sob uma contínua sucessão de sacerdotes. Eles tinham uma tribo inteira dedicada a essa função. Eles precisavam de mediadores e nós também precisamos de um sacerdote – de um mediador entre nós e Deus. Sem um sacerdote ninguém seria salvo em Israel. Sem o sacerdócio de Cristo ninguém é salvo. A salvação eterna é obra do ministério sacerdotal de Jesus. Ele salva quem se aproxima de Deus por intermédio de si mesmo.
A Natureza Intercessória do Sacerdócio de Cristo. Na parte b, do v. 25, o autor muda o foco da obra realizada na cruz e na ressurreição para a obra presente, a obra da intercessão.
Os cristãos dependem agora não só da obra da cruz e da ressurreição, mas também da obra da intercessão que Jesus faz agora à destra do Pai. Os cristãos não apenas de um mediador, mas também de um intercessor.
Jesus é um mediador muito melhor do que os que vemos nos tribunais de pequenas causas. O mediador do TJ tenta ajudar as pessoas a construir um acordo. Elas precisam renunciar algum desejo ou exigência para obter um acordo. Em outras palavras, para ter um acordo, alguém renuncia algum direito. O mediador divino, porém, alcança a paz perfeita. Ele de forma alguma compromete a santidade de Deus. Em vez disso, ele satisfaz plenamente a justiça de Deus.
Jesus é esse mediador perfeito: que cumpre as demandas justas da santidade de Deus e que nos outorga justiça que não possuímos. Ele está sempre disponível para defender a nossa justificação nele e a santidade do Pai. Assim é Jesus, nosso sumo sacerdote, que intercede continuamente por nós diante de Deus.
A vida cristã não termina na conversão. Ela prossegue aqui e na eternidade. Nós somos salvos e pecamos ainda. Nós somos fracos, vivemos em meio ao pecado e temos desejos que precisam morrer e outros que precisam crescer. Precisamos de um sacerdote que interceda por nós e nos ajude em momentos de necessidade.
15 Porque não temos sumo sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas; pelo contrário, ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. 4:15
. Ele nos representa diante do Pai, Ele intercede por nós e nos dá acesso, por meio dele, ao Pai. Não precisamos de mais nenhum outro intercessor ou mediador. Cristo vive para interceder pelos cristãos, e os cristãos têm acesso direto a ele. Ele é a penhor de uma aliança superior e o sumo sacerdote permanente que intercede pelo seu povo.
II. O Sacerdote Perfeito (7:26–28)
A. A Natureza Perfeita de Cristo
A permanência não é a única característica que distingue Cristo dos demais sacerdotes. Seu sacerdócio, além de contínuo, é perfeito em todos os sentidos. Nesta passagem, o autor volta-se para a perfeição de Cristo tanto na sua impecabilidade como no sacrifício que oferece a Deus em nome do povo. Jesus Cristo é um sacerdote superior porque é um sacerdote perfeito.
26 Porque nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus, 27que não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer sacrifícios todos os dias, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo ofereceu.
A Natureza Perfeita de Cristo. “Convinha” não sugere que merecíamos ter um sumo sacerdote como Cristo. A ideia é a de que precisávamos, necessitávamos, de um sumo sacerdote como este.
Cristo é o tipo específico de sacerdote que necessitamos porque o seu sacerdócio é o único que responde perfeitamente às nossas necessidades. Ele cumpre tudo o que a Lei perfeita exige. Seu sacerdócio é perfeito porque Ele é perfeito. A Lei nunca aperfeiçoou ninguém, mas Cristo é perfeito. Ele é santo, inculpável, sem mácula.
A santidade de Cristo aponta para sua perfeição. Somente um sacrifício santo poderia cumprir os requisitos da lei. Ele também é “inculpável”, pois foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado (Hb 4:15). Ele era “sem mácula”. A palavra é usada com mais frequência como uma alusão a ser contaminado pelo mundo. Deus chama a temer rejeitar até mesmo as roupas contaminadas pelo mundanismo. Mas a verdade é que todos nós nos contaminamos.
Por causa de sua santidade, Cristo se diferencia dos outros homens, se separa. Mas por causa de sua humanidade, ele se identifica conosco. Por essa conjunção de perfeição, o Pai o exaltou “acima dos céus”. Isso não pode ser dito a respeito de nenhum outro homem. Só Cristo é totalmente humano e totalmente divino. Ele é o Deus-homem.
B. Um Sacrifício Definitivo
Os sacerdotes levíticos ofereciam sacrifícios “todos os dias” porque os sacrifícios eram limitados e temporários. Os cordeiros sacrificados prefiguravam Cristo, eles eram incompletos. Os sacrifícios diários e os anuais precisavam ser repetidos. Cristo, porém, não precisava oferecer sacrifícios repetidamente. Ele realizou o perdão total dos pecados em seu único sacrifício quando se ofereceu na cruz.
Os sacerdotes anteriores precisavam oferecer primeiro sacrifício pelos seus próprios pecados. Somente depois de lidar com os próprios pecados ele poderiam oferecer sacrifício pelos pecados do povo. Cristo, por outro lado, não precisou oferecer nenhum sacrifício por si mesmo por não ter qualquer pecado. Ele é sem pecado, perfeito, santo, imaculado, inocente e separado dos pecadores.
Jesus não precisa oferecer sacrifícios repetidamente porque a cruz e a ressurreição não são acontecimentos que se repetem. Eles foram “de uma vez por todas”. O sacrifício de Cristo não é perpétuo, é histórico. Foi feito uma vez por todas e foi concluído. Nada pode ser nele acrescido ou retirado. É um sacrifício perfeito, feito de uma vez por todas.
Jesus não realizou esse sacrifício perfeito oferecendo o sangue de outra pessoa ou de animal, ele mesmo se ofereceu. Quando o sacerdote entrava no lugar santíssimo, levava consigo sangue de um animal sem defeito para fazer o sacrifício correspondente.
Aquele sangue pertencia a um animal morto no lugar do povo, simbolizando o custo do pecado e do perdão. Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. Quando Cristo ofereceu seu sacrifício, ele ofereceu o impensável. Ele se entregou, pagou a pena do pecado com o próprio sangue.
A oferta de si mesmo demonstra porque o sacerdócio de Cristo é singular, definitivo, permanente, perfeito, contínuo e irrepetível.
C. O Plano Eterno de Deus
28 Porque a lei constitui homens sujeitos a fraquezas como sumos sacerdotes, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.
As comparações entre menores e o maior é um tema comum em Hebreus. Cristo é um grande sumo sacerdote superior porque seu sacerdócio veio através de um juramento. Este juramento veio depois da lei, portanto é superior à lei. Nesta nova aliança, Deus “constitui o Filho, perfeito para sempre”.
O sacrifício de um animal não era perfeito, embora o animal escolhido não tivesse defeitos. Ele não era perfeito porque não realizava tudo o que era necessário ser feito.
Se um sumo sacerdote levítico tivesse entrado no templo e derramado o seu próprio sangue, mesmo assim ele não teria nos salvado. Os sacerdotes anteriores não podiam expiar pecados porque não eram perfeitos. Somente alguém sem pecado é que pode expiar perfeitamente os pecados. É precisamente por isso que temos Jesus Cristo como garantia de uma nova e melhor aliança.
As Escrituras mostram que houve uma grande sucessão de sacerdotes ao longo da história de Israel. Esta sucessão foi importante e vital, mas ela evidenciava sua própria inadequação. Seria um erro imaginar que esse sistema falhou e então Deus teve que enviar Jesus para remediar. O sistema não falhou. Ele foi planejado para demonstrar sua própria inadequação para apontar para Cristo.
O plano de Deus desde o início sempre foi Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus que foi morto antes da fundação da terra (Ap 13:8). A antiga aliança não é um plano inicial que falhou. Ela é um sucesso glorioso. Ela nunca teve o propósito de salvar; seu propósito era o de demonstrar a necessidade que temos de um Salvador.
Sob a antiga aliança, os sacerdotes faziam sacrifícios diários sabendo que teriam que os repeti-los muitas vezes. Quando Deus fez o sacrifício perfeito, Jesus proferiu estas palavras: “Está consumado.”
A antiga aliança demonstrou que Deus foi tolerante aguardando o envio de Cristo. Ela serviu para ajudar as pessoas a se convencerem de seus pecados e da sua necessidade de um Salvador. Sem a lei, o homem não saberia da sua necessidade de um Salvador. Mas agora esse Salvador veio. A antiga aliança testemunhava sobre a vinda do Salvador.
Cristo é o nosso sacerdote – nosso sumo sacerdote perfeito. Só podemos compreender a plenitude do que isso significa quando compreendemos que Cristo cumpriu as expectativas da antiga aliança, se tornando para nós o sumo sacerdote da nova e melhor aliança.
Aplicação Prática:
Vamos orar. Senhor Jesus, obrigado por ser nosso sumo sacerdote perfeito e eterno. Ajude-nos a confiar em sua intercessão contínua e a viver de acordo com sua salvação completa. Amém.
Chamado à Ação: Hoje, confie mais uma vez em Jesus como seu sumo sacerdote. Deixe que sua intercessão e sacrifício perfeitos renovem sua fé e esperança.
Chamado à Ação: Hoje, confie mais uma vez em Jesus como seu sumo sacerdote. Deixe que sua intercessão e sacrifício perfeitos renovem sua fé e esperança.