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Hebreus 9:11-22 - A Superioridade da Redenção em Cristo

07 de julho de 202414 min de leitura

Hebreus 9:11-22 - A Superioridade da Redenção em Cristo

Resumos são ferramentas poderosas para simplificar e entender informações complexas de forma rápida. Eles nos ajudam a captar os pontos principais sem perder o contexto essencial. Da mesma forma, as Escrituras frequentemente usam resumos para nos guiar no entendimento das grandes verdades teológicas. Paulo faz isso em Romanos e os sermões de Moisés em Deuteronômio são resumos do Pentateuco. Hebreus 9-10 também funciona como um resumo crucial da obra redentora de Cristo. Portanto, vamos explorar Hebreus 9:11-22 e compreender a superioridade da redenção em Cristo.

Assim como os resumos são importantes para nosso entendimento diário e nossa organização, entender o resumo da obra de Cristo em Hebreus é essencial para a nossa fé e vida cristã. Vamos ver como isso se aplica diretamente a nós hoje.

A Superioridade de Cristo sobre os Sacerdotes Levíticos Hb 9:11–12

11 Quando, porém, Cristo veio como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos humanas, quer dizer, não desta criação, 12e não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santuário, uma vez por todas, e obteve uma eterna redenção.

A palavra inicial, quando, também traduzido por mas ou por contudo, é muito importante aqui. O trecho da semana passada nos lembrou que a antiga aliança tinha um templo e uma prática regular de sacrifícios conduzidos pelos sacerdotes filhos de Levi, mas tudo isso era “ineficaz para aperfeiçoar aqueles que prestavam culto” (v. 9). Mas quando Jesus intervém há um contraste enorme. Jesus completa a salvação que a antiga aliança apenas conseguia apontar.

Em contraste com os sacerdotes da antiga aliança, o nosso sacerdote da nova aliança faz expiação completa e final dos pecados do seu povo e inaugura os “bens já realizados” da redenção, pelo que eles sempre esperaram.

A palavra “veio” também é importante porque destaca que o plano de salvação se tornou visível em Cristo. A aparição de Cristo como sumo sacerdote aponta para o amanhecer das promessas escatológicas – promessas que, em certo sentido, chegaram com Cristo, mas que só estarão completas quando ele vier novamente.

É por isso que o autor identifica Jesus como o sumo sacerdote dos “bens já realizados”. Embora aspectos da nossa redenção – vida com Deus no céu, glorificação e plena santificação – ainda sejam futuros, somos herdeiros destes bens já realizados no presente. O que são esses “bens já realizados”? São os frutos da expiação de Cristo que culmina na nossa “eterna redenção” (v. 12).

O autor de Hebreus também indica que a obra sacerdotal de Cristo ocorre num “maior e mais perfeito tabernáculo” onde ele passa para o “Santuário”. É claro que este não é um tabernáculo terrestre. O lugar santíssimo do tabernáculo terreno era, portanto, uma imagem das realidades celeste. Nele, o sumo sacerdote levítico só podia ir entrar meio do sangue do sacrifício animal, mas Cristo entrou no lugar santíssimo, eterno e celestial, por meio de seu próprio sangue.

Esta entrada no lugar santíssimo foi “de uma vez por todas”. Isto enfatiza que o sacrifício de Cristo foi integro e eterno, em oposição aos sacrifícios repetitivos dos levitas. Eles continuamente tinham que oferecer sacrifícios a Deus; Cristo ofereceu apenas um, uma única vez, a si mesmo.

Ao fazer isso, ele garantiu uma redenção eterna para nós e demonstrou a suficiência de sua expiação para aqueles que lhe obedecem. Esta segurança e suficiência eternas fundamentam a nossa confiança em Cristo e na exortação do autor para perseverar. Quem foi redimido, não irá ser perdido. A expiação de Jesus foi uma vez para sempre, aceita incondicionalmente pelo Pai e oferecida no santuário celestial. Certamente podemos ver agora como esses versículos resumem de forma tão sucinta e espetacular a missão de Cristo.

Assim como Cristo é superior aos sacerdotes levíticos, o seu sacrifício é superior aos sacrifícios levíticos. Vamos agora explorar essa superioridade em Hebreus 9:13-14.

A Superioridade de Cristo aos Sacrifícios Levíticos Hebreus 9:13–14

13 Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam quanto à purificação da carne, 14muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!

Para se aproximar-se de Deus, na antiga aliança, era exigido estar ritualmente limpo. Até o sumo sacerdote precisava oferecer sacrifícios por si antes de entrar no Santo dos Santos no Dia da Expiação. Tornar-se ritualmente limpo é o que o autor quer dizer com “purificação da carne”.

Os sacerdotes da antiga aliança precisavam participar dessas cerimônias de purificação externa para ter acesso, mesmo que apenas brevemente, ao lugar santo e oferecer sacrifícios pelo povo. Contudo, as cerimônias e sacrifícios não conseguiam limpar o interior da pessoa ou a consciência.

Cristo, porém, é completamente superior. Ele não precisava purificar-se por lavagens ou sacrifícios de sangue como os sacerdotes da antiga aliança. Jesus não precisava de limpezas rituais pois já era limpo. Jesus não se oferece puro pelo sangue de animais, mas pelo Espirito eterno, por ser sem mácula. A frase Espírito eterno sugere uma referência ao Espírito Santo.

Segue-se um contraste ainda maior entre Cristo e os sacerdotes da antiguidade. Enquanto eles tiveram que ser purificados externamente para oferecer sacrifícios, o auto sacrifício de Cristo purifica internamente, incluindo a consciência, daqueles por quem ele morreu.

Finalmente, as últimas palavras do v. 14 dizem: “das obras mortas para servirmos ao Deus vivo”. O que significa que a nossa consciência foi purificada “de obras mortas”? Qualquer pessoa da antiga aliança que reconhecesse o papel generalizado do próprio pecado saberia que precisaria de outro sacrifício assim que o Dia da Expiação terminasse. É por isso que era necessário repetir anualmente o Dia da Expiação.

Estas “obras mortas” apontavam para Cristo, mas não produziam salvação real. Muitos de nós, cremos que nossos esforços, obras morais e religiosas, podem tentar ganhar o favor de Deus. Mas a expiação que Cristo oferece limpa totalmente as nossas consciências, de modo que o peso do nosso pecado não nos condena mais. A obra de Cristo na cruz remove nossa culpa, limpa nossa consciência.

Devido a esta limpeza interna, podemos agora servir ao Deus vivo sem medo. Hebreus captura notavelmente o equilíbrio da vida cristã. As pessoas redimidas servem a Deus e encontram satisfação e alegria em fazer exatamente as coisas que fizemos por obrigação e determinação frenética para tentar justificar-nos antes da vinda de Cristo. A obra de Cristo nos resgata dessa tentativa tola de nos salvar por obras mortas.

Compreendendo a superioridade do sacrifício de Cristo, somos levados a reconhecer também a superioridade de sua mediação. Vamos agora ver como Cristo é o mediador da nova aliança, conforme Hb 9:15.

A Superioridade de Cristo como Mediador da Nova Aliança Hb 9:15

15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que os que foram chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que houve uma morte para remissão das transgressões que foram cometidas sob a primeira aliança.

Porque Cristo é o sumo sacerdote que garantiu a nossa redenção através da oferta de si mesmo, o autor de Hebreus diz que Jesus é “o mediador de uma nova aliança”.

Mediador na Bíblia não é como um diplomata ou um negociador entre Países rivais que faz alguma espécie de arbitragem entre as partes para tentar encontrar algum meio termo aceitável para ambos. Longe disso, não há meio termo entre um Deus santo e a humanidade caída.

Cristo, como mediador, não busca um acordo de Deus com pecadores porque não há como comprometer a santidade de Deus. Longe de sugerir paciência para Deus, Jesus concorda que merecemos o derramamento infinito da ira de Deus. Jesus, como o Pai, considera nosso pecado abominável. Ele concorda com o Pai que é necessário derramar sangue. Como nosso mediador, ele concorda em ser o sacrifício, aceitando a tarefa dada pelo Pai.

É nessa obra mediadora que Cristo obtém uma herança eterna para os que foram chamados (para a igreja). Herança aqui significa todos os benefícios presentes e futuros da obra salvífica de Cristo. Esta “herança eterna” é a mesma coisa que a “redenção eterna” em 9:12.

Mais uma vez, o autor de Hebreus destaca que é especificamente a morte de Cristo que conclui o que os sacrifícios da primeira aliança não conseguiram – a saber, a redenção e o perdão eternos. Os sacrifícios de animais da antiga aliança não poderiam garantir a redenção eterna. Eles eram temporários e precisavam ser repetidos. A morte de Cristo, por outro lado, assegura a redenção para sempre.

A morte de Jesus assegura o perdão das transgressões cometidas sob a primeira aliança. Pecados só foram efetivamente quitados em Cristo. Sangue de animais não poderia restaurar o relacionamento entre Deus e os homens. A antiga aliança só apontava para a nova.

Os sacrifícios de animais da antiga aliança apenas prefiguravam o sacrifício plenamente suficiente da nova: Jesus Cristo. Foi Cristo quem fez a mediação para uma aliança melhor. Ele é o sacrifício melhor capaz e suficiente para redimir as pessoas das transgressões cometidas sob a primeira aliança. Ao fazer isso, Cristo garantiu uma herança eterna para os que foram chamados.

Compreendendo a mediação de Cristo, é crucial entendermos também o custo de nossa salvação, a importância do sangue na nova aliança. Vamos explorar isso em Hebreus 9:16-22.

O Sangue Melhor da Nova Aliança Hebreus 9:16–22

16 Porque, onde há um testamento, é necessário constatar a morte de quem o fez. 17Sim, porque um testamento só é confirmado depois da morte de quem o fez, pois de maneira nenhuma um testamento tem força de lei enquanto ainda vive quem o fez. 18Por isso, nem a primeira aliança foi estabelecida sem sangue. 19Porque, havendo Moisés proclamado a todo o povo todos os mandamentos conforme a lei, pegou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã tingida de escarlate e hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também todo o povo, 20dizendo: “Este é o sangue da aliança que Deus ordenou para vocês.” 21Igualmente também aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os utensílios do serviço sagrado. 22De fato, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.

As igrejas, muitas vezes, reduzem o evangelho. Elas falam sobre como conhecer Jesus e ser salvo dos pecados, mas esquecem de dizer o que aconteceu para que essa promessa fosse verdadeira.

Hebreus mostra que Deus deseja que saibamos não apenas o que Cristo fez por nós, mas como Ele fez. A forma como fomos salvos demonstra a glória de Deus de forma mais plena. Não podemos honrar, apreciar e adorar a Deus de forma adequada sem compreender o quanto custou alcançar a nossa salvação.

Os v 16–22 começam a falar sobre como Cristo alcançou a nossa redenção. O autor explica que a aliança é como um testamento. Assim como um testamento deixa heranças e legados para outras pessoas após a morte do testador, a morte de Cristo nos entrega heranças benditas.

O relato da inauguração da antiga aliança no v. 18 nos leva para Êxodo 24:4–8.

4 Moisés escreveu todas as palavras do Senhor e, tendo-se levantado de manhã cedo, edificou um altar ao pé do monte e ergueu doze colunas, segundo as doze tribos de Israel. 5E enviou alguns jovens dos filhos de Israel, os quais ofereceram ao Senhor holocaustos e sacrifícios pacíficos de novilhos. 6Moisés pegou a metade do sangue e o pôs em bacias; e a outra metade aspergiu sobre o altar. 7Depois pegou o livro da aliança e o leu para o povo. E eles disseram: — Tudo o que o Senhor falou nós faremos e obedeceremos. 8Então Moisés pegou aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: — Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez com vocês de acordo com todas estas palavras.

Naquela cerimônia do início da primeira aliança, o sangue significava que a punição pela desobediência da aliança era a morte. Contudo, a morte dos animais também significava que Deus providenciou substitutos para ocupar o lugar dos violadores da aliança. Os que quebravam a aliança só podiam ser perdoados pelo derramamento de sangue.

O derramamento de sangue foi o sinal que inaugurou a primeira e também a segunda aliança, a morte de um substituto. Este é o significado do v. 18. O derramamento de sangue representava o início de uma aliança e o perdão dos pecados. Este é o cerne teológico do versículo 22. Cristo inaugurou uma nova aliança com o seu sangue e o perdão dos pecados.

Por que remissão por sangue? No Antigo Testamento, Deus diz ao seu povo: “A vida… está no sangue” (Lv 17:11). Você não precisa saber muito sobre anatomia e fisiologia para saber que isso é verdade. Experimente romper uma artéria e não correr para o hospital. Sem sangue não há vida. Os israelitas lembravam disso toda vez que um animal era oferecido como sacrifício. Ao ver o sangue se esvair, eles viam a vida esgotar.

Portanto, o sistema sacrificial mostrava a conexão entre o sangue, a morte, a aliança e a expiação. O pecado traz como salário a morte. Exigir o sangue do transgressor é exigir a sua morte. Todos aqueles sacrifícios na antiga aliança eram lembretes de que os transgressores mereciam a morte.

No entanto, através de sacrifícios de sangue por substituição, Deus ofereceu um modo para expiação de pecados. O sangue, portanto, é um símbolo do preço do pecado. É uma ilustração gráfica de que a morte é uma consequência do pecado.

O Calvário é a representação mais vívida desta realidade. Cristo –era totalmente Deus e totalmente homem, foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, porém não pecou. Ele entregou sua vida, permitindo o derramamento do seu sangue.

Quando Jesus se ofereceu como sacrifício em nosso lugar, quando seu sangue verteu em nosso favor, Ele tornou-se o mediador de uma nova e melhor aliança.

Por esse sangue, e somente por esse sangue, todos os que são chamados e perseveram recebem uma redenção e uma herança que duram para sempre.

Pense um pouco sobre a seriedade do pecado e o preço que Cristo pagou por nossa redenção. Como isso deve influenciar nossa atitude em relação ao pecado e à santidade?

Como essa obra redentora gera em nós gratidão? Como podemos expressar essa gratidão em nossa vida diária, em nossas ações e em nosso relacionamento com Deus e com os outros? Como a confiança no que Jesus fez por você fortalece a sua fé para viver de maneira digna do evangelho?

Isso nos chama a responder com vidas de adoração e serviço.

Nesta noite vimos a superioridade de Cristo em diversos aspectos: como nosso sumo sacerdote, como sacrifício, como mediador. Isso não são apenas verdades teológicas, elas devem impactar diretamente a maneira como vivemos.

Primeiro, reconhecemos que Cristo, como sumo sacerdote, não é apenas uma esperança, mas Ele já nos deu a redenção completa e final.

Segundo, esse sacrifício perfeito nos purifica internamente, nos liberta das obras mortas para servirmos ao Deus vivo com corações limpos e consciências purificadas.

Terceiro, como mediador, Cristo nós dá uma herança eterna.

Finalmente, o sangue de Cristo inaugurou uma nova aliança, a um preço altíssimo que nos chama a viver de forma grata, santa e confiante.

Que saímos hoje daqui com corações renovados e comprometidos a viver para a glória de Deus, em resposta ao sacrifício de Cristo. Oremos.

A Superioridade da Redenção em Cristo Hebreus 9:11–22

Idéia Principal: O sangue de Cristo, nosso grande sumo sacerdote, é superior aos sacrifícios de animais da antiga aliança, uma vez que seu sangue realiza uma redenção única, assegura uma herança eterna para nós, limpa nossas consciências e nos torna ele o mediador de uma nova e melhor aliança.

I. A Superioridade de Cristo sobre os Sacerdotes Levíticos (9:11-12)

II. A Superioridade de Cristo sobre os Sacrifícios Levíticos (9:13-14)

III. A Superioridade de Cristo como Mediador da Nova Aliança (9:15)

4. O Melhor Sangue da Nova Aliança (9:16–22)

O sacrifício de Cristo é perfeito e eficaz

11 Quando, porém, Cristo veio como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos humanas, quer dizer, não desta criação, 12e não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santuário, uma vez por todas, e obteve uma eterna redenção. 13Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam quanto à purificação da carne, 14muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!

15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que os que foram chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que houve uma morte para remissão das transgressões que foram cometidas sob a primeira aliança. 16Porque, onde há um testamento, é necessário constatar a morte de quem o fez. 17Sim, porque um testamento só é confirmado depois da morte de quem o fez, pois de maneira nenhuma um testamento tem força de lei enquanto ainda vive quem o fez. 18Por isso, nem a primeira aliança foi estabelecida sem sangue. 19Porque, havendo Moisés proclamado a todo o povo todos os mandamentos conforme a lei, pegou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã tingida de escarlate e hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também todo o povo, 20dizendo: “Este é o sangue da aliança que Deus ordenou para vocês.” 21Igualmente também aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os utensílios do serviço sagrado. 22De fato, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.