Jeremias 29 - Prosperando no Exílio: Esperança para o Presente
21 de setembro de 2025 • 13 min de leitura

I. Prosperar no Exílio (29:4-9).
II. Prosperar no Exílio por Causa da Futura Libertação (29:10-14).
III. Aqueles que Recusam a Disciplina de Deus São Advertidos (29:15-31).
É fato que a comunicação mudou. Essas mudanças podem ser descritas de muitas maneiras. A comunicação mudou da forma oral para a escrita, da escrita para a impressa, da impressa para a radiodifusão, da radiodifusão para a comunicação digital. Lydia comentou comigo de algo que ela leu sobre uma nova mudança, com a profusão dos vídeos curtos podemos estar migrando novamente para uma forma de comunicação oralizada.
Todas essas são mudanças são muito profundas. Pense na primeira mudança, da oral para escrita. Ela permitiu a permanência do discurso com a ausência do mensageiro. A fala virou um texto. Quando algo era escrito e relido em outro momento, a presença do mensageiro estava separada da mensagem em si.
É interessante que nós estamos na busca de retornar à forma original. Tentamos tornar presente o falante original por intermédio do mensageiro que o representa. Pense numa chamada de vídeo. Quanto já foi investido nisso? Mas há claras limitações entre uma chamada de vídeo e um abraço de quem amamos. Dar um abraço no filho que mora longe é muito melhor do que ver o rosto numa telinha com pixels.
O cap. 29 é uma carta de Deus para o seu povo no exílio. Essa carta representa o coração de Deus para com seu povo no exílio. A palavra de Deus é diferente de outros escritos. A palavra de Deus é sempre acompanhada pela presença de Deus. Deus é espírito e onipresente. A sua presença se torna conhecida e percebida na Palavra que Ele comunica ao seu povo por intermédio dos profetas.
Esse capítulo 29, que é uma carta escrita, é uma metáfora da Palavra escrita inspirada por Deus. Deus é invisível, mas fala conosco por intermédio de Sua Palavra. O Deus que fala conosco é o Deus que está perto.
Esta presença de Deus comunicada por intermédio da carta escrita por Jeremias vai encorajar os exilados e advertir os rebeldes. Este talvez seja o trecho mais conhecido e notável do livro de Jeremias.
Contexto: os líderes de Judá agora são refugiados que moram distantes de suas casas. Jeremias está escrevendo para eles, mas o texto indica que quem levou a carta pode ter sido recebido pelo próprio rei da Babilônia (v.1-3)
Jeremias enviou de Jerusalém ao resto dos anciãos do cativeiro, aos sacerdotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor havia deportado de Jerusalém para a Babilônia. 2Isso aconteceu depois que saíram de Jerusalém o rei Jeconias, a rainha-mãe, os oficiais, as autoridades de Judá e Jerusalém e os carpinteiros e ferreiros. 3A carta foi levada por Elasa, filho de Safã, e por Gemarias, filho de Hilquias, os quais Zedequias, rei de Judá, tinha enviado à Babilônia, a Nabucodonosor, rei da Babilônia. Ela dizia o seguinte:
Prosperar no Exílio JEREMIAS 29:4–9
4 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia:
5 “Construam casas e morem nelas; plantem pomares e comam o seu fruto. 6Casem e tenham filhos e filhas; escolham esposas para os filhos de vocês e deem as suas filhas em casamento, para que tenham filhos e filhas. Aumentem em número e não diminuam aí na Babilônia! 7Procurem a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz. 8Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não se deixem enganar pelos profetas e adivinhos que vivem no meio de vocês. Não deem ouvidos aos sonhadores, que sempre sonham segundo o desejo de vocês. 9Porque eles profetizam falsamente em meu nome; eu não os enviei”, diz o Senhor.
Deus dá aos exilados instruções bem claras. Construam casas, trabalhem, constituam famílias. Em outras palavras, eles ter uma postura de quem se envolve, de quem está presente. Eles não deveriam ficar lamentando sobre o que perderam de onde vieram, mas deveriam prosperar na nova terra.
Não há dúvidas que eles são exilados, mas eles não deveriam viver com vítimas. Eles deveriam ter uma atitude abençoadora, produtiva. Ser um exilado tem raízes profundas no cristianismo. Abraão foi louvado porque viveu como estrangeiro na terra que Deus lhe prometeu. Hb. 11:9-10:
9 Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. 10Porque Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor.
Esta experiência de viver como peregrino é uma ótima metáfora para o que significa ser cristão. Um crente é, por definição, alguém que aguardando o lar definitivo vive num exílio temporário. Antes de tudo, nosso coração pertence a um reino que ainda não enxergamos. Essa ideia de alguém expatriado, refugiado, deslocado nesta vida é apropriada para a experiência cristã. Somos estrangeiros, peregrinos e forasteiros. Estamos aqui, mas não somos daqui.
Portanto, somos desafiados a viver como Abraão viveu e como Jeremias aconselha o povo exilado a viver: Devemos ser abundantes nesta terra, mesmo que ela não seja nosso lar definitivo.
Mas a orientação para o povo é ainda mais abrangente. Eles não deveriam prosperar apenas numa perspectiva individual. Eles deveriam buscar Mas a diretriz é ainda mais específica. Eles não deveriam prosperar apenas pessoalmente, mas também “buscar o bem-estar da cidade, procurar a paz para aquela cidade. Porque se a cidade tivesse paz, eles também teriam paz. (v. 7).
Lembram da promessa feita à Abraão: “em ti serão benditas tosas as famílias da terra”? O povo de Deus presente em um determinado lugar deve agir para que aquele local tenha paz. Eles deveriam orar pelo bem estar do País para onde forma exilados, pela razão prática de que se o País prosperasse, eles também prosperariam.
Eles deveriam fingir que os deuses babilônicos eram deuses? Que ali era uma terra que adorava Iwaheh? Eles deveriam fingir que tudo estava bem ali? Claro que não! Eles eram exilados. Eles eram escravos, as colheitas de lá eram diferentes daquele eles gostavam e estavam acostumados. Tudo era diferente e Deus nunca nos pede para fingir ou para nos acomodar com o erro.
Mas há uma razão específica para que eles busquem prosperar no exílio: Eles tinham uma promessa de libertação futura.
Prosperar no Exílio por Causa da Libertação Futura 29:10–14
10 Assim diz o Senhor: “Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vocês e cumprirei a promessa que fiz a vocês, trazendo-os de volta a este lugar. 11Eu é que sei que pensamentos tenho a respeito de vocês”, diz o Senhor. “São pensamentos de paz e não de mal, para dar-lhes um futuro e uma esperança. 12Então vocês me invocarão, se aproximarão de mim em oração, e eu os ouvirei. 13Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração. 14Serei achado por vocês”, diz o Senhor, “e farei com que mude a sorte de vocês. Eu os congregarei de todas as nações e de todos os lugares para onde os dispersei”, diz o Senhor, “e trarei vocês de volta ao lugar de onde os mandei para o exílio.”
A motivação para o comportamento liberto, não rancoroso, abundante naquele lugar, é que ali era um lar temporário. Assim como Abraão, seu pai biológico e espiritual, eles deveriam buscar algo maior.
Deus já havia profetizado que o tempo do exílio seria relativamente curto (25:11–12). Babilônia cairia e o povo seria restaurado. Como mencionado anteriormente, isso é notável. O povo desobedeceu a Deus, e sua disciplina é punitiva, mas também restauradora. Ele os levou para o exílio para que voltassem a buscar a Deus e para reuni-los mais uma vez.
Deus lhes faz uma promessa gloriosa que Seus planos finais não são para destruição, mas para dar um futuro e uma esperança”. (v. 11).
Deus assegurava ao seu povo que a sequência de tragédias, o exílio, a destruição do templo e tudo mais não era uma sequência aleatória de infortúnios. Nada foi acidental ou fruto do acaso. Deus disse: Eu é que sei os pensamentos que tenho. Há uma ênfase no original para essa ideia de “Eu que sei”. Algo premeditado, planejado, orquestrado. A intenção de Deus não era causar o mal pelo mal, mas dar-lhes esperança e futuro. Deus os encoraja a orar sobre isso e garantia que ira ouvir essas orações.
Isso é encorajador, ao tempo que é muito difícil. Como crer que Deus vai lhe garantir um futuro cheio de esperança se no agora você é um desterrado, um sem teto, alguém que tem memórias ligadas a uma terra que você não sabe se voltará a ver, logo após ter sido deslocado por centenas de quilômetros por uma terra estranha. Como crer nisso sabendo que você é um povo vivendo numa terra pagã e está para lá foi levado literalmente por um julgamento divino? Essa é difícil para nós. O que Deus lhes pedia era para que confiassem nos planos dEle.
A segurança não está nos planos humanos; está naquele que sabe e que faz Seus próprios planos (v. 11). Deus sabe. Para que aquele povo pudesse viver o presente ali de forma abundante, Deus lhes conta o que planeja fazer por eles no futuro.
Percebam o valor desta carta. Deus nos assegura no presente o que faria por eles no futuro. Percebam o valor da Palavra de Deus para você. Ele nos assegura um presente confiante revelando o que fará por nós no futuro. Este é sempre o padrão da revelação de Deus.
- Para Abraão ele disse que mais adiante ele teria descendência, uma terra e uma bênção (Gn 12:1-3).
- Para Davi, ele disse que seu reinado seria um reinado eterno. (2 Sm 7:8-17).
- Para os discípulos, Jesus disse que eles teriam um lar com ele nos céus. (João 14:1-6).
- Para nós, há a promessa de que reinaremos com Ele (2 Tm 2:12). As promessas de Deus são gloriosas, mas são futuras. Deus nos diz agora o que fará mais tarde para que não sejamos esmagados no presente. Deus não promete aliviar todo o sofrimento aqui. Em vez disso, Ele nos dá a promessa em sua Palavra de que, em última análise, o reino falso do qual somos cidadãos será substituído pelo reino dos céus.
Todas as injustiças serão corrigidas, todos
adorarão a Cristo, e Jesus porá fim a todas as guerras e trará julgamento sobre todos aqueles que se opuseram a ele e à sua noiva. Isso vai acontecer. Isso pode não mudar o meu presente, mas muda a minha esperança.
O que estava em jogo para os exilados não era uma libertação imediata, mas confiar que Deus iria agir no futuro, se eles podem confiar em Deus até que ele mudasse a sorte deles. A bênção no futuro não anula a dor no presente. Mas, mais importante, a dor no presente não anula a bênção no futuro.
O fato de não enxergamos a linha de chegada não significa que ela não está lá; significa apenas que não temos condição ainda de ver o que já está lá. Deus está aqui, mesmo quando está invisível.
Diante desse cenário, a ordem é para agir. Não é para aquele povo marcar passo, abraçar uma vida de preguiça em relação ao presente, nem de remorso pelo passado. É um chamado para não se afogar no desespero, um chamado para não desistir da corrida antes do fim.
Pelo contrário, corremos pela fé. Corremos para uma linha de chegada que ainda não vemos, em direção a um Deus que não enxergamos e cuja invisibilidade não nos assusta. Corremos por fé. O que precisamos é ter fé nEle e Ele nos diz o que fará no futuro para que nós percamos nas dores e nas distrações do presente.
A propósito, como Deus sabe os planos que faz, os pensamentos que têm, isso significa que Ele é mais valioso do que Ele pode nos dar ou prover. Ele é mais valioso do que seus planos sobre nós. Não conhecemos todos os seus planos sobre nós, mas conhecemos o Deus dos planos. Ele os planos, então corra por fé em direção a Ele.
Pensem no valor desta carta que compõe o cap. 29. Ela não foi escrita às pressas com promessas impensadas. As palavras são declarações de Deus para eles. Lembrem-se: a presença de Deus acompanha suas palavras. Deus conosco, Emanuel, Jesus, é a presença de Deus que habitou entre nós. Temos a sua presença conosco, somos alvos do Seu plano redentor.
Aqueles que Recusam a Disciplina de Deus são avisados 15–31
A seção seguinte é tão assustadora quanto a anterior foi gloriosa. Deus avisa aqueles que, como vimos no capítulo 24, não foram exilados na primeira leva. (29:15–19).
15 Vocês dizem: “O Senhor nos suscitou profetas na Babilônia.” 16Mas assim diz o Senhor a respeito do rei que se assenta no trono de Davi e de todo o povo que vive nesta cidade, os irmãos de vocês que não foram com vocês para o exílio. 17Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Eis que enviarei contra eles a espada, a fome e a peste e farei com que sejam como figos ruins, que são tão ruins que não se podem comer. 18Eu os perseguirei com a espada, a fome e a peste. Farei deles um motivo de espanto para todos os reinos da terra e os porei por objeto de maldição, de horror, de vaias e de deboche entre todas as nações para onde os tiver dispersado. 19Porque eles não deram ouvidos às minhas palavras”, diz o Senhor, “que sempre de novo lhes enviei por meio dos meus servos, os profetas. E vocês também não quiseram ouvir”, diz o Senhor.
Em seguida, Ele avisa os falsos profetas Acabe e Zedequias que tentam enganar o povo de Deus e cometiam adultérios e diziam falar em nome de Deus. No v. 22, Jeremias os avisa que eles seriam assados vivos pelo rei da Babilônia.
O restante do capítulo é uma série de três cartas a respeito de um outro falso profeta chamado Semaías, que rejeitou as palavras dadas por Deus a Jeremias.
Semaías liderou um grupo que não creu e era fácil não crer. Quem quer acreditar que os planos de Deus podem envolver dificuldades, dor e sofrimento? Não é mais natural achar que Deus deseja para nós uma vida feliz? E se Deus quer minha felicidade, qualquer inimigo dela é inimigo de Deus. Este livro de Jeremias serve para mostrar que essa ideia é completamente falsa.
Deus pode ter planos que envolvem nosso sofrimento. Deus pode ter planos que podem nos trazer dor. Deus tem planos misteriosos que podem envolver usar a maldade das pessoas para nosso bem. Esses planos e pensamentos são dEle, Ele é bom e sua vontade é boa, perfeita e agradável, mesmo quando soe ilógica, injusta ou cruel do ponto de vista humano.
Conclusão.Temos aqui uma dupla aplicação. Primeiro, às vezes Deus planeja usar o mal para realizar o bem. Deus não aprova o que os babilônios faziam e no que criam. De fato, Deus iria puni-los. Deus usa coisas ruins, pessoas com más e mal-intencionadas para cumprir seus planos. Segundo, quando Ele age assim, devemos nos submeter aos seus planos, isso significa submeter-se à disciplina do Senhor.
Começamos lembrando que a Palavra de Deus é uma forma de termos de forma palpável sua presença conosco. Vimos na carta escrita por Jeremias que Deus tinha pensamentos de paz em relação a Eles e Ele aponta para o que fará no futuro, para que eles não fiquem presos no passado ou sem visão para o presente.
O segredo, então, não é conhecer os pensamentos de Deus, mas a Pessoa de Deus. Isso confirma o que Jeremias disse em 9:23-24:
23— Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas. 24Mas aquele que se gloria, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.
Nossa confiança está em Deus. Nossa confiança está em Deus porque Ele sabe como as coisas acontecerão e está trabalhando em Seus planos para um bom fim. Se Deus diz agora o que fará no futuro, o mais importante é a mente de Deus que vem da presença de Deus.