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Jeremias 39-41 - A Queda de Jerusalém e os Caídos

01 de novembro de 202512 min de leitura

Jeremias 39-41 - A Queda de Jerusalém e os Caídos

Chegou o dia fatídico. Aconteceu. Lemos 38 capítulos sobre o futuro julgamento de Deus, agora chegou a hora.

A queda de Roma foi, possivelmente, a queda mais conhecida de uma potência mundial. Do ponto de vista político, não houve, nem antes e nem depois, algo maior. A queda de Roma faz parte da memória coletiva do fim de grandes civilizações. Mas recentemente, nós vimos a queda do regime de Saddam Hussein. Isso nos lembra que podem ser dissolvidos e isso geralmente a revelação de elementos perversos e totalitários.

A queda de Jerusalém é mais uma demonstração de que Deus governa a história. Para quem vivenciou o processo, ela pareceu repentina. O Rei Zedequias parece ser pego de surpresa com os acontecimentos. Mas não podemos esquecer o contexto processo. Desde o enfraquecimento da reforma espiritual de Josias, Jeremias profetiza a chegada desse momento. Só quem rejeitava a mensagem de Jeremias não cria que ela aconteceria.

A queda de Jerusalém é claramente um ato de Deus na história. Ela foi profetizada e Deus usou forças humanas malignas que de forma inconsciente cumpriram a Sua vontade. Deus havia decretado o que aconteceria e usou pessoas para cumprir Sua vontade.

A Queda JEREMIAS 39:4–10

A queda é descrita em termos horríveis envolvendo os momentos de captura, julgamento, tortura, destruição e exílio.

**Captura e Julgamento (39:4–5).**Quando Zedequias e sua guarda perceberam a invasão da cidade pelos babilônios, eles tentaram fugir para o sul; mas foram capturados, presos e condenados. Jeremias, naquela conversa particular com Zedequias, narrada em 38:17–18, afirmou exatamente o que iria ocorrer se o rei não se rendesse. O profeta afirmou:

“— Assim diz o Senhor, o Deus dos Exércitos, Deus de Israel: “Se você se render voluntariamente aos oficiais do rei da Babilônia, então a sua vida será poupada, esta cidade não será queimada, e você e a sua casa ficarão vivos. 18Mas, se você não se render aos oficiais do rei da Babilônia, então esta cidade será entregue nas mãos dos caldeus, eles a queimarão, e você não escapará das mãos deles.”

Se o rei tivesse obedecido à voz de Deus por intermédio do profeta, a destruição teria sido muito menor. Ele teve todas as oportunidades para se render, mas não o fez. Ele seguiu fazendo o que achava ser melhor na sua opinião. Nada o deteve, nem a aproximação do exército babilônico.

**Tortura (39:6-7).**Os v.6-7 mostram que após a captura, veio a tortura.

6 Em Ribla, o rei da Babilônia mandou matar os filhos de Zedequias à vista deste; também mandou matar todas as autoridades de Judá. 7Mandou furar os olhos de Zedequias e amarrou-o com correntes de bronze, para o levar à Babilônia.

Os filhos de Zedequias foram mortos, as autoridades foram mortas. Provalvemente Zedequias preferia ter sido morto, mas eles optaram por cegá-lo. Eles não tiraram a vida do rei, mas a capacidade de ver a vida.

**Destruição e exílio (39:8-10).**Na sequência, os caldeus incendiaram o palácio real, as casas e derrubaram os muros de Jerusalém. Os que haviam permanecido na cidade, crendo que Deus a protegeria, foram deportados. A descrição é horrível. Zedequias passou de ser rei para ser um cego e deportado, destinado a morrer sozinho.

Contudo, em meio à história, há uma nota de resgate e libertação. Jeremias é resgatado e Ebede-Meleque é liberto. JR 39:11-14; 40:1-6

Não sabemos porque Nabucodonosor deu um tratamento especial para Jeremias. Apenas imaginamos que Nabucodonosor ouvi falar de Jeremias e quis tratar bem dele, por causa das profecias. Jeremias pode escolher entre ir para a Babilônia e ficar em Judá, junto a Gedelias.

A Libertação de Ebede-Meleque JEREMIAS 39:15-18.

Outro que receber favor é Ebede-Meleque, o cuxita, que salvou Jeremias da cisterna. Ele não foi premiado por isso. Qual foi a razão? O v. 18 responde:

18 Pois eu certamente o salvarei. Você não cairá à espada. A sua vida lhe será por despojo, porque você confiou em mim”, diz o Senhor.

Esta personagem menor aqui no texto tem uma função. Ela mostra um contraste enorme entre ela e o rei. Ebede-Meleque é como Raabe, um estrangeiro disposto a arriscar a própria vida por confiar em Deus. Essa confiança, essa fé, foi demonstrada no que eles fizeram, nas suas obras.

A Queda JEREMIAS 40:7–41:18é comum que quando uma organização começa a ter problemas, esses se acumulam. Um restaurante que não consegue pagar seus funcionários, logo vai ter um atendimento e uma comida pior. É mais fácil empurrar alguém que já está caindo. Os problemas se acumulam e a recuperação fica cada vez mais difícil.

Foi o que aconteceu com Jerusalém. Jerusalém não apenas caiu, ela seguiu caindo. Os capítulos 40–41 registram a trágica história da primeira tentativa de governo naquela região após o exílio. Há 3 cenas aqui.

Gedalias Nomeado Governador (40:7–15)

Os v.1-6 narram que Gedalias foi rapidamente nomeado governador na região. Jeremias optou por permanecer em Jerusalém em sua companhia, mas o profeta não é mais mencionado nessa parte da história. A cidade foi queimada, está num caos. Não há senso de direção nem propósito. Contudo, há uma calmaria aparente. Uma sensação de normalidade. O povo restante colheu as frutas e vinho (vv. 10,12). Eles retornaram para onde haviam sido expulsos. As coisas pareciam caminhar para a estabilidade, mas durou pouco.

Gedalias assassinado por Ismael (41:1-8)

Havia um rumor de um complô para assassinar o governador. Joanã ouve sobre isso e decidiu aconselhar Gedalias a matar preventivamente Isamel. Gedalias não deu ouvidos e afirmou confiar em Ismael. Um erro terrível. Ismael, com mais dez homens, matou Gedalias durante um jantar. (41:1-3). Depois disso, eles mataram mais 80 homens que tinham adorar o Senhor em Jerusalém.

**Ismael Derrotado (41:11-18).**Finalmente, Joanã que havia avisado Gedalias, reuniu homens e perseguiu Ismael. Ismael fugiu e o povo que sobrou resolveu ir para o Egito com medo dos caldeus que poderiam vingar Gedalias. É isso. Jerusalém caiu, o rei foi capturado, a cidade foi incendiada, o governador substituto morreu e um massacre de gente fiel a Deus aconteceu. Os avisos de Jeremias não eram fakenews. Tudo se cumpriu.

Conclusão: Como eles chegaram a esse ponto? Jeremias havia profetizado que Zedequias seria preso e que a cidade seria incendiada caso o rei não se rendesse. Era evitável. Poucos dias antes da invasão final, o rei Zedequias pediu conselho ao profeta apenas para rejeitar a voz de Deus mais uma vez. Mesmo assim, nova oportunidade foi dada: a rendição.

Ao pensar sobre isso, nós lamentamos a destruição de Jerusalém e ficamos impressionados com o orgulho real. Uma rendição não é uma opção agradável. Quem se rende não salva a reputação, não há saída boa para que se rende. É difícil admitir a fraqueza pessoal e a falência de uma nação.

Quando foi a última vez que você viu um presidente afirmar que sua política externa é errada e que precisa corrigir os rumos? É algo muito difícil de se admitir. Já imaginou o Zelensky afirmando que a Rússia tinha razão de invadir a Ucrânia ou o Putin pedir perdão por ter invadido o vizinho? Qual seria o discurso imaginário de Zedequias?

Meu povo, nós falhamos. Tentar ficar aqui fingindo que não seremos derrotados não adiantou. Nós erramos. Nossas informações mais recentes apontam que certamente seremos derrotados em breve. Se tentarmos nos defender ou fugir, a situação ficará ainda pior. Por isso iremos nos render. Ao fazer isso, estamos confiando nossos destinos e o dos nossos filhos nas mãos de Deus e não mais nas nossas. Que Ele tenha misericórdia de nós.

Por mais difícil que fosse proferir esse discurso, o rei derrotado, torturado, que perdeu sua família e sua visão teria dado tudo que tinha para voltar no tempo e obedecer a Deus.

Creio que nenhum de nós enfrentou uma situação assim, mas pergunta é: como Zedequias se rebelou tanto contra Deus? Sabíamos que a queda viria, mas as consequências poderiam ser menores. Deus deixou isso bem claro. Então, por que aconteceu? A resposta poderia ser chamada de "Anatomia de uma Queda". Aqui estão algumas razões que contribuíram.

Um ambiente que reforça a rebeldia. O rei vivia em uma espécie de câmara de eco. Você conhece a expressão? Câmara de eco é um ambiente construído para que os sons reverberem. Elas servem para o estudo das ondas sonoras e os músicos as usam para produzir efeitos sonoros. A ideia simples: o som que foi emitido não se perde. Ele retorna várias vezes.

Esse termo é também usado para uma metáfora. Ela descreve uma pessoa, igreja, empresa ou qualquer outro grupo que se isola e passa a ouvir apenas sua própria voz. Os outros sons viram mero ruído ambiente. Esse efeito se revela na vida dos reis de Israel. Eles se cercavam de gente que falava apenas o que eles queriam ouvir. Eles preferiam ouvir profetas que diziam coisas que não contrariavam o pensamento do rei.

De uma forma geral há sabedoria na multidão de conselheiros, mas esses conselheiros precisam ser motivados pela verdade. Um conselheiro não é realmente útil se o que ele disser não for verdadeiro.

O último encontro de Zedequias com Jeremias foi uma graça divina. Deus tirou o rei de sua bolha para ouvir o profeta. Por algum motivo, talvez o medo da derrota, ajudou o rei a questionar o que ele ouvia no palácio. Zedequias consultou em segredo Jeremias no cap. 38:14-28. Ele ouviu a voz da verdade, mas não foi suficiente. Ele decidiu não ignorar a voz da verdade.

**Conselhos Rejeitados.**Outro fator envolve isso, rejeitar a verdade. Salomão instruiu seu filho a ouvir conselhos. Salomão deixou claro que o sucesso ou o fracasso de um rei depende de sua disposição para receber conselhos. Leiamos Provérbios 1:1-7:

Uso dos provérbios1Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, 2para aprender a sabedoria e o ensino; para entender as palavras de inteligência; 3para obter o ensino do bom proceder, a justiça, o juízo e a equidade; 4para dar prudência aos simples e conhecimento e discernimento aos jovens. 5Que o sábio ouça e cresça em prudência; e que o instruído adquira habilidade 6para entender provérbios e parábolas, as palavras e os enigmas dos sábios. 7O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os insensatos desprezam a sabedoria e o ensino.

A Bíblia não menciona todos os filhos de Salomão, mas conhecemos aqueles que reinaram no trono de Davi. Esses homens, em sua maioria, rejeitaram a voz de Deus, que graciosamente ofertava proteção.

Ler esse trecho nos lembra de filmes de suspense. Nós sabemos que as pessoas estão em perigo e temos vontade de avisar elas... olha o tubarão, olha o homem com a faca... Zedequias nos dá essa sensação. Por que ele não escuta conselhos? A resposta está no pecado central, o orgulho.

**Coração Orgulhoso.**Bill Elliff, no livro o pecado que impede o avivamento, afirma: “O orgulho é a mãe de todos os pecados”. O orgulho impulsionava Zedequias a rejeitar os conselhos. O orgulho ensurdece pessoa que podem escutar. O orgulho cria filtros, é uma espécie de fone de ouvido que filtra sons indesejados.

Havia uma câmara de eco ao seu redor, mas também dentro dele. Essa câmara interna é mantida por um coração que não quer o governo de Deus. Esta é a questão fundamental. Todos nós lutamos com o orgulho. No entanto, quando o orgulho atinge o coração da liderança, as coisas pioram muito. O orgulho no coração de Zedequias lhe custou a família, seus líderes, sua visão física e o próprio reino. (39:6-7).

Os olhos vazados pelos babilônios aponta para uma cegueira anterior: o orgulho o cegou antes. Não era para ser assim. Ele agora era um exilado cego, mas poderia ter se rendido, mantido sua vida e das pessoas que ele amava. Ele morrer cego foi mais uma triste ironia. Zedequias virou uma metáfora para nos ensinar e alertar sobre o mesmo perigo.

A vida de Zedequias me assusta. Sabe quando você leva um susto quando você se vê num espelho que você não sabia que estava lá? Já viram aqueles vídeos de espelhos deixados nas florestas, em que ursos se assustam ao se enxergarem?

O mostro do orgulho mora dentro de mim e ele sou eu. Estamos conectados. Às vezes eu aceito o mérito por algo que foi Deus quem fez. Dou comida para o mostro. Às vezes eu alimento com elogios que pertencem apenas a Deus. O orgulho vai se alimentando da glória que eu roubo de Deus. Com o tempo, o monstro do orgulho cresce tanto que ele passa a ser o centro.

A percepção de quem somos vai sendo pervertida e alimentada ao ponto de se tornar a própria forma como nos enxergamos. Essa imagem distorcida não consegue e nem quer mais ouvir quem a desafia. Ela só ouve quem a alimenta. Ela é exigente e exige adoração somente a si mesma.

Cristo veio para nos curar e libertar do pecado. Sabemos que essa libertação só será completa quando nosso ego descontrolado morre. A versão orgulhosa não aceita ser isolada e mantida num cantinho. Não funciona assim. Não dá para manter um animal selvagem vagando pela nossa casa e esperar que ele fique só na garagem.

O orgulho é essa fera selvagem que destrói e mata. Então, a ação mais corajosa e amorosa que podemos fazer por amor a Deus e aqueles que amamos além de nós é matar diariamente esse orgulho. Mate seu orgulho.

Foi exatamente isso que Zedequias não quis fazer. Ele nutriu o orgulho, ao invés de matá-lo. O orgulho nutrido cresceu e passou a reivindicar tudo para si. Descontrolado, o orgulho cobrou seu preço engolindo os filhos, a visão, os servos, o reino. Zedequias alimentou o orgulho que o destruiu.

Ao vermos a história da queda de Jerusalém, enquanto enxergamos a coluna de fumaça subindo das casas queimadas, o choro das mulheres e crianças que perderam parentes, ponderamos sobre os mistérios de Deus.

É interessante pensar em Zedequias cego como consequência do seu orgulho. A gente chega a ter certa compaixão dele, não? Por quê? A minha resposta é porque ele se parece comigo. Ele se parece conosco. No nosso orgulho, sacrificamos nossas famílias, gritamos com nossos filhos porque eles não fazem da forma e do jeito que gostaríamos, esquecendo que não fazemos as coisas da forma e na prontidão que agradaria ao Senhor.

No nosso orgulho, queremos provar nosso valor pelo nosso trabalho, confiando em nós mesmos para nos proteger com nosso plano de saúde dos perigos das infecções. No nosso orgulho, desprezamos a instrução do Senhor, deixamo-nos de congregar, consideramos os outros hipócritas, mas não tiramos a trave dos nossos próprios olhos. O nosso orgulho nos leva a morte e às vezes nem percebemos que foi uma morte lenta.

A morte do nosso orgulho só acontece quando descansamos na humildade de Jesus, na sua morte em nosso lugar, na certeza de que foi um presente não completamente imerecido.

Ao aceitar Jesus, percebemos que nossa alma esteve completamente intoxicada por si mesma e agora ela consegue respirar o bom perfume de Cristo. Nessa jornada, seguimos matando, dia a dia, aquele monstro que vivia escondido e confortável dentro de nós.

Sem Cristo, estávamos perdidos e sem perceber o juízo de Deus que vem contra aqueles que vivem em rebeldia consciente ou inconsciente contra Ele. Se você vive ainda assim, corra para a Jesus, negue sua própria vida e receba a vida eterna.