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Jeremias 46-51 - A Palavra de Deus às Nações: O Juiz de Toda a Terra

16 de novembro de 202511 min de leitura

Jeremias 46-51 - A Palavra de Deus às Nações: O Juiz de Toda a Terra

O livro de Jeremias de um modo geral profetiza a ruína de Israel por ter, há muito tempo, abandonado Deus como sua fonte de esperança e ter ido atrás de cisternas que não podiam reter águas. Como resultado, Deus usou as nações para castigarem Israel como sendo Sua disciplina. Agora Deus fala sobre o castigo dessas nações.

Deus vai usar nações e vai puni-las. Isso pode nos surpreender, mas não é surpresa que Deus defende o seu povo. Isso é tema que aparece em toda a Bíblia. Deus é eternamente comprometido em socorrer aqueles que não podem se defender. Todos os profetas do AT, maiores e menores, abordam a necessidade de cuidar dos pobres, órfãos e viúvas.

A primeira crise na igreja que Jesus fundou aconteceu em Atos 6. A liderança diaconal foi levantada para cuidar das viúvas não judias. Tiago repreende duramente aqueles que não se importam com os necessitados e afirma que cuidar deles evidencia a fé verdadeira (Tg 1:27).

Talvez o exemplo mais chocante da defesa dos indefesos seja a volta de Jesus para buscar Sua noiva, a igreja. Jesus defenderá a sua noiva. Enquanto os crentes vestem roupas brancas, Jesus vai para a guerra com um manto encharcado de sangue, lembrando que Ele morreu por sua noiva e vai defende-la. O texto de Ap. 19:11 diz que ele vai julgar e combater com justiça.

O v. 12 diz que Ele tem olhos como de fogo, um Deus que vê tudo e que sabe de todas as coisas. Um juiz habilitado para julgar corretamente toda injustiça que há no mundo.

O povo de Deus estava sob a disciplina do próprio Deus, mas, mesmo assim, Deus os queria proteger. Nosso texto de hoje trata disso, do julgamento dos povos que abusaram do povo de Deus. Deus está falando sério e o julgamento será definitivo e poderoso.

A ideia central desses capítulos é bem clara. Deus castigaria as nações que puniram Israel. A maldade delas selou o seu destino. O que era implícito fica bem claro: Deus pune quem fere seus filhos.

Egito JEREMIAS 46

O Egito na Bíblia simboliza tudo o que o mundo pode oferecer. O Egito aponta para poder, riqueza, prosperidade e segurança. Fugir para lá era buscar alívio no mundo e não em Deus, uma tentação fascinante.

O cap. 46 tem duas profecias sobre o Egito. A primeira ainda no reinado de Jeoaquim, quando Nabucodonosor derrotou os egípcios (vv. 2–12). A segunda profecia é após a queda de Jerusalém quando Nabucodonosor ataca o Egito. Essas profecias se dirigem àqueles que confiam mais no poder dos homens no que de Deus. É por isso que Jeremias os advertiu para não irem para o Egito. Aquela nação seria punida severamente, conforme os (vv. 25-26).

A profecia termina com uma promessa maravilhosa para Israel, nos v. 27-28. Israel será salvo; Jacó retornará. Portanto, eles não deveriam desanimar. Eles seriam disciplinados por Deus, mas também libertos por Ele. Deus queria a obediência e não a disciplina, mas agora Seu povo precisava aprender a perseverar sob a disciplina divina.

FILISTEUS: JEREMIAS 47

A metáfora das águas que sobem era conhecida para quem morava naquela região. O deserto carece de chuvas regulares, mas elas podem cair com intensidade, e isso provoca rápidas enchentes. A chuva enche rapidamente os desfiladeiros e as grotas e a água acaba por inundar grandes áreas. Por isso a parábola de Jesus, em Mateus 7, a do construtor sábio e do tolo, é tão provocativa. O tolo não previu a subida das águas que se acumulariam mais rápido do que ele poderia reagir.

Da mesma maneira, a Babilônia viria para afogar os Filisteus. A paciência de Deus com os Filisteus terminaria. A impossibilidade de defesa é bem descrita nos v. 6-7. A espada de Deus não podia descansar até cumprir seu propósito.

MOABE JEREMIAS 48

A moabita mais famosa da Bíblia é Rute, a bisavó do Rei Davi. Ela é uma ascendente direta de Jesus. Moabe era talvez o vizinho mais próximo de Judá. Eles não foram castigados por lutarem contra Judá, mas por causa do orgulho, da complacência e da idolatria. O versículo 42 diz que Moabe “se exaltou contra o SENHOR”.

Contudo, o capítulo tem um final maravilho, v. 47. Deus promete restauração àquele povo não judeu. É impressionante como Deus se preocupa com a criação e com as nações. Deus é compassivo além da nossa compreensão.

NAÇÕES MENORES. JEREMIAS 49

O capítulo 49 contém profecias contra outras nações.

AMONITAS (49:1-6) A primeira profecia é contra Amom. Eles confiavam no falso deus Milcom ou Moloque. O culto a Moloque envolvia o holocausto de crianças. Mais uma vez, como Deus fez com Moabe, a profecia termina com a promessa de restaurar a sua sorte, v.6.

EDOMITAS (49:7-22)

Edom sofre uma terrível condenação por parte de Deus. Ao contrário das profecias para Moabe e Amom, não há qualquer esperança ou promessa de restauração.

DAMASCO/SÍRIA (49:23-27)

Damasco ficará tão vulnerável como uma mulher na hora de dar à luz, na angústia do parto. Uma vez iniciado o processo dessas dores, elas seguiram terríveis até o fim (v. 24). O v. 25 fala que Damasco era conhecida com a cidade da alegria, mas seus jovens e valentes de guerra iriam tombar pelas praças.

Quedar/Hazor/Arábia(49:28-33)

A posição dessas cidades, com sua grande extensão territorial, lhes dava uma falsa sensação de segurança. No entanto, diante da ira de Deus, a Babilônia se levantaria para despojar os camelos e pegar as lonas das tendas daqueles que viviam despreocupados.

Elão/Pérsia (49:34-39)

O interessante sobre essas nações é que, diferentemente das outras, elas estão mais distantes de Judá. Mesmo assim, nenhum país ficará fora do alcance do Seu julgamento. Deus, contudo, promete que após a dispersão daquele povo, Deus mudaria a sorte deles.

Nós sabemos que Deus usou a Babilônia como seu instrumento, como um martelo para esmagar as nações. O julgamento de Deus também alcançaria a maior potência daquela época.

BABILÔNIA JEREMIAS 50–51

A longa profecia contra a Babilônia mostra que ninguém foge ao alcance de Deus. Não há nação, pessoa ou poder que pode fugir da justiça de Deus. Outro significado importante é que o julgamento de Deus é imparcial. Ao julgar a Babilônia, Deus vai resgatar Sua noiva e punir seus opressores.

Esta profecia está dividida em seis temas.

a. A violência da Babilônia será vingada.

b. A ​​arrogância da Babilônia será abatida.

c. Os deuses da Babilônia serão impotentes para salvá-los.

d. A terra da Babilônia será devastada por inimigos do norte.

e. A queda da Babilônia sinalizará a restauração e o retorno de Israel.

f. O destino da Babilônia carrega um significado cósmico.

Esta profecia contra a Babilônia nos remete ao cap. 1 de Jeremias, quando falamos que uma esperança brilha na escuridão do julgamento.

Em 50:6, Deus novamente se refere ao seu povo como ovelhas, estabelecendo o tom para toda esta passagem. Eles foram ovelhas perdidas e abusadas por maus pastores. Deus vai punir a Babilônia e redimir o seu povo. O capítulo poderia ser resumido em 50:34:

34 Mas o Redentor deles é forte; Senhor dos Exércitos é o seu nome. Certamente defenderá a causa deles, para aquietar a terra e inquietar os moradores da Babilônia.”

A redenção do povo de Deus se dá apenas pela força de Deus. O contraste entre os punidos e os que são libertos está no cap. 51:18–19, quando Jeremias escreve primeiro sobre os deuses babilônios:

18 São vaidade, obras ridículas. Quando chegar o tempo do seu castigo, virão a perecer. 19Aquele que é a Porção de Jacó não é semelhante a essas imagens, porque ele é o Criador de todas as coisas, e Israel é a tribo da sua herança. Senhor dos Exércitos é o seu nome.

Conclusão. 

Observem que o objetivo de Deus não é castigar seu povo, mas ensiná-lo que Deus é o único poder confiável. Confiar em qualquer coisa além de Deus é ter uma fé insustentável que vai se mostrar um erro.

Além disso, em última análise, Deus está em busca de cumprir suas promessas. Tudo o que vai acontecer a partir dessas profecias tem um objetivo que será revelado em 2 Crônicas, quando Ciro chegar ao poder e autorizar o retorno dos judeus do exílio após 70 de cativeiro.

O plano divino envolve trazer o Seu povo de volta para a Terra da promessa. É nesse lugar especial que Deus vai cumprir a promessa da vinda do Messias. Esse é o objetivo final. É impossível exagerar a importância disso. Deus mostra misericórdia a Israel porque Ele deseja preparar o momento e o lugar em que o Messias virá para morrer em nosso lugar e oferecer redenção ao mundo.

No meio desse processo todo, vemos Deus julgando, mas também ofertando misericórdia para nações que ainda não temem Seu nome.

Isso nos lembra de Apocalipse 7:9 em que pessoas de todas as tribos, línguas e nações estarão unidas louvando a Deus. O coração de Deus não se volta apenas para Israel. Ele se volta para Israel para que este povo seja bênção para as nações, conforme Gn 12:2-3:

2 Farei de você uma grande nação, e o abençoarei, e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção! 3Abençoarei aqueles que o abençoarem e amaldiçoarei aquele que o amaldiçoar. Em você serão benditas todas as famílias da terra.

Há, portanto, duas lições notáveis ​​aqui.

Deus é Deus de Aliança, mas não é um Deus de uma tribo

Deus sempre fez alianças e prometeu que as cumpriria. Ele prometeu e cumpriu suas promessas. Israel deveria ser uma nação separada para revelar Deus. Eles ainda se mantém como um povo separado.

Contudo, vemos aqui nas profecias de Jeremias que a misericórdia do Senhor vai além de Israel. Isso está no texto, mas não foi percebida pelos sacerdotes e escribas, tampouco pelos fariseus. Eles não compreenderam. Para eles, os gentios estavam tão distantes da graça de Deus que era pecado qualquer associação entre judeus e gentios.

Este é um ponto crucial nos Evangelhos. Jesus não era contra a religião judaica, mas ele criticava quem a deturpava. João 5:45, lemos:

45 Não pensem que eu os acusarei diante do Pai; quem acusa vocês é Moisés, em quem puseram a sua esperança.

Jesus os alertou que Moisés iria reprová-los. Uma das razões é que eles transformaram a aliança em algo tribal. Eles não entenderam os sinais. Deus os abençoava para que eles abençoassem outras nações.

Será que Jesus nos condenaria pela mesma prática? Será que estamos tão centrados em nós mesmos que não temos tempo para amar os de fora. Como não podemos saber quem Deus escolheu, precisamos compartilhar a fé com todos, partindo do pressuposto que Deus é misericordioso para salvar quem Ele quiser.

Precisamos chamar todos ao arrependimento; precisamos tratar todo mundo como pré-cristãos, até que as evidências mostrem que são, de fato, cristãos. Precisamos enxergar as bençãos que Deus nos concede como um presente confiado a nós para abençoar outros.

1 Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o seu rosto; 2para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação.

Deus Disciplina, mas Não Rejeita Para Sempre

Isso é incrível. Pelo exílio, Deus livrou seu povo do desastre. Ler sobre o destino da Babilônia e do Egito deixam as coisas mais claras. Deus não mandou o povo para o exílio por os odiar. Ele não os proibiu de ir para o Egito por não os amar. Pelo contrário, uma das razões para o exílio foi protege-los da destruição que atingiria a Babilônia e o Egito.

Neste penúltimo serão em Jeremias, temos a impressão que Deus estava protegendo o seu povo no exílio, não apenas os disciplinando. A declaração mais clara sobre isso está no livro das lamentações que Jeremias compôs para processar sua esperança em meio a dor: Lamentações 3:25-33.

25 O Senhor é bom para os que esperam nele, para aqueles que o buscam. 26Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio. 27Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

Aqui diz que o jugo do Senhor é bom. Claro que é bom! Nós, que estamos na nova aliança dada a igreja, que une judeus e gentios, usamos uma linguagem mais clara para descrever a bondade de Deus. Romanos 8:28-29 nos diz que tudo coopera para o bem de Deus, tornando-nos conformes à imagem de Cristo.

Isso não significa que todas as coisas pareçam boas logo de cara. Mas significa que coisas difíceis, como neste caso a disciplina do Senhor, são realidades que podemos considerar úteis e que nos santificam, ensinam a perseverar e a depender mais de Deus.

Nenhum soldado em um treinamento militar deseja naturalmente estar sujeito à pressão do treinamento. Mas nenhum soldado deveria batalhar sem ter treinamento. O treinamento é indispensável.

Nossa esperança como cristão não está na remoção do sofrimento. Deus nos ama demais para deixar isso acontecer. Nossa esperança está em que Deus não desperdiça dores, não despreza lágrimas, não permite dificuldades inúteis. Deus remite dores, lágrimas e dificuldades.

O encorajamento continua em Lamentações: (Lm 3:28–33)

28 Que ele se assente solitário e fique em silêncio, porque esse jugo Deus pôs sobre ele. 29Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança. 30Dê a face ao que o fere e suporte todas as afrontas. 31O Senhor não rejeitará para sempre. 32Ainda que entristeça alguém, terá compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias. 33Porque não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens.

Deus os enviou para um tempo certo no exílio conforme os avisou várias vezes. O Senhor não os rejeitaria para sempre. Deus prometeu bençãos para eles e não deixaria de cumprir. A disciplina para quem é filho de Deus pode ser severa, mas não é eterna. Deus disciplina e nos capacita a suportar a disciplina. Ele é um Deus bom e sábio.