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Jeremias 7:1-8:3 - O Sermão do Templo: Uma Fé Sem Ilusões

02 de maio de 202514 min de leitura

Jeremias 7:1-8:3 - O Sermão do Templo: Uma Fé Sem Ilusões

Queridos irmãos, existe algo profundamente frustrante em descobrir que aquilo que parecia ser luz, na verdade escondia trevas. Poucas coisas nos decepcionam tanto quanto a hipocrisia — especialmente vinda daqueles que deveriam ser exemplos de fé.

Vivemos num tempo em que líderes carismáticos e instituições religiosas podem parecer saudáveis externamente, enquanto abrigam podridão por dentro. Jeremias 7 é um retrato doloroso desse problema e, ao mesmo tempo, um alerta vivo para todos nós.

**Contexto:**Neste trecho vemos Jeremias no templo pregando, mas o que temos aqui não é uma transcrição do sermão, mas o registro do que Deus instruiu Jeremias. Deus dá o roteiro do sermão, que é um diagnóstico divino da fé corrompida do povo de Judá, v. 1-15; o avisa para que ele não ore porque a ira de Deus já estava acesa (16-20) e, finalmente, Deus revela qual será o resultado da desobediência e da surdez do povo (7:21-8:3).

O esboço do sermão que Deus dá para Jeremias tem uma introdução, três aspectos e uma conclusão. A conclusão é uma profecia terrível sobre os resultados da desobediência à voz de Deus.

Hoje, vamos estudar esse sermão, refletindo sobre três aspectos centrais que Jeremias nos apresenta, e uma conclusão que nos chama à reflexão e ao temor.Vamos analisar esse sermão:

**Introdução ao Sermão.**Jr. 7:3-4

3 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações, e eu os farei habitar neste lugar. 4Não confiem em palavras falsas, dizendo: ‘Templo do Senhor! Templo do Senhor! Este é o templo do Senhor!’”

Jeremias começa seu sermão com um resumo. Uma síntese que trazia o recado logo de cara: corrijam sua conduta e parem de se enganar. Em seguida, ele desenvolve o ponto da mudança de vida, nos v. 5-7, e o do autoengano, nos v. 8-15.

A introdução já aponta para o primeiro ponto: corrijam sua conduta.

Corrijam sua conduta JEREMIAS 7:5–7

A ideia por trás da palavra "corrigir" não é meramente "mudar", mas algo mais profundo "é tornar algo bom ou agradável". A ideia de "corrigir" é tornar algo agradável aos olhos de Deus, e não apenas "menos errado". Se seu filho é grosseiro com sua esposa, você tem motivos para ficar preocupado com o que há dentro do coração dele. No imediato, ele deve parar de ser grosseiro e passar a ser respeitoso. A ideia é consertar: abandonar uma prática desagradável e colocar algo agradável no lugar.

5— Mas, se de fato emendarem os seus caminhos e as suas ações, se de fato praticarem a justiça, cada um com o seu próximo; 6se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva, nem derramarem sangue inocente neste lugar, nem seguirem outros deuses para o próprio mal de vocês, 7eu os farei habitar neste lugar, na terra que dei aos pais de vocês, desde os tempos antigos e para sempre.

Jeremias é específico. **Deus não busca ajustes cosméticos — Ele deseja transformação genuína.**Essa correção envolve tanto nossa relação vertical (com Deus) quanto nossa relação horizontal (com o próximo).

A opressão existe e ela na Bíblia se opõem ao conceito de mansidão. (Mateus 5:8). Mansidão é a virtude de usar toda a nossa força, todas as nossas energias, a serviço de Deus e dos outros. Jesus convida os seus discípulos a aprenderem dEle que era manso. A mansidão nos leva à misericórdia (Mt 5:7). O oposto da mansidão é usar nossa força e nossos recursos para prejudicar os outros e satisfazer interesses egoístas.

Deus chama seu povo a corrigir a conduta, a abandonar o abuso, a olhar ao redor e consertar as coisas. A aplicação para nós pode ser exatamente o que o texto diz: estamos oprimindo alguém? Estamos aproveitando da boa vontade de alguém para conosco? Oprimimos pessoas por não as perdoar quando nos ferem? Manipulamos pessoas ao invés de conceder misericórdia?

A opressão não se limita à justiça social de forma geral. Em seu sentido mais amplo, oprimimos pessoas quando não damos a elas o eu Deus nos concedeu: misericórdia. Na nossa mente pensamos que certas pessoas não merecem misericórdia. É neste ponto que precisamos da Bíblia para nos lembrar que é exatamente porque nós também não merecemos é que chamamos isso de misericórdia. Nós concedemos misericórdia não porque as pessoas merecem, mas porque Deus nos deu o que jamais mereceríamos.

Em que áreas da sua vida você tem apenas maquiado comportamentos, sem mudar o coração? Você tem usado sua força e posição para servir ou para se promover?

Corrigir a vida sem arrependimento é como polir um carro desalinhado: ele continuará saindo da estrada. Corrigir condutas externas é essencial, mas sem cuidar do coração, caímos no pior tipo de engano: o autoengano religioso.

**Não se engane.**JEREMIAS 7:8–15

O outro grande problema era as pessoas acreditavam que a fidelidade a um lugar de culto os salvaria. Jeremias foi instruído a dizer:

4 Não confiem em palavras falsas, dizendo: ‘Templo do Senhor! Templo do Senhor! Este é o templo do Senhor!’”

O povo confiava no templo como uma espécie de "amuleto religioso".

**Eles se convenciam de que sua simples presença no templo bastava para garantir o favor de Deus.**As palavras enganosas eram deles mesmos. Eles mentiam para si mesmos, colocando falsas esperanças em seus corações. Ele expande esse tema nos versículos 8 a 15.

8— Eis que vocês confiam em palavras falsas, que não servem para nada. 9O que é isso? Vocês roubam, matam, cometem adultério e juram falsamente, queimam incenso a Baal e seguem outros deuses que vocês não conheciam no passado, 10e depois vêm e se põem diante de mim neste templo que se chama pelo meu nome, e dizem: “Estamos salvos!” Sim, só para continuarem a praticar essas abominações! 11Será que este templo que se chama pelo meu nome é um covil de salteadores aos olhos de vocês? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz o Senhor.

A acusação é provocativa. Conforme o v.2, Jeremias foi instruído a pregar na entrada do templo (v. 2). Ele deveria dizer essas coisas enquanto as pessoas entravam para adorar! “Jeremias acusou o povo de violar pelo menos 6 dos 10 mandamentos. Deus denuncia essa falsidade: eles violavam os mandamentos descaradamente — roubavam, matavam, cometiam adultério — e ainda diziam 'Estamos salvos!'

Aquelas pessoas acreditam que a religião era uma apólice de seguro. Em algum sentido, caminhamos na mesma direção com frases de efeito que misturam conceitos e criam distorções teológicas: "Deus vai suprir todas as minhas necessidades"; "Deus vai perdoar todos os meus pecados"; "uma vez salvo, salvo para sempre". Se misturarmos isso sem discernir o contexto, podemos fazer com que pessoas pensem que apoiar uma instituição obriga Deus a nos dar uma vida boa. Podemos começar a crer num Deus bonzinho que não exige mudança.

Aquele povo apoiava o culto, mas não buscava mudança pessoal, santidade. Os pecados eram terríveis, mas eles nem se envergonhavam. Será que esse é o seu problema? Você apoia a Jardins ou o ser evangélico, mas tem uma fé falsa? Será que você se acha uma pessoa boa por participar de uma igreja ou culto e por isso teria direito de pecar?

Será que nossa participação nos cultos tem nos enganado?

Será que achamos que frequentar uma igreja basta, mesmo vivendo vidas que desonram a Deus em casa, no trabalho, nas finanças? É como usar perfume forte para disfarçar uma casa imunda: aos olhos atentos, a sujeira continua lá.

Jeremias termina esta seção lembrando-os do que aconteceu em Siló (vv. 12-15), o local da Tabernáculo depois que Josué entrou na terra prometida. Siló foi destruída pelos filisteus. A lógica é: se Deus não poupou o lugar onde o tabernáculo repousou, por que pouparia o templo?

12— Mas vão agora ao meu lugar que estava em Siló, onde, no princípio, fiz habitar o meu nome, e vejam o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo de Israel. 13Agora, visto que vocês fazem todas estas obras, diz o Senhor, e eu falei muitas e muitas vezes, mas vocês não me ouviram, chamei, mas vocês não me responderam, 14farei também com este templo que se chama pelo meu nome, no qual vocês confiam, e com este lugar, que dei a vocês e aos seus pais, o mesmo que fiz com Siló. 15Vou expulsar vocês da minha presença, como expulsei todos os seus irmãos, toda a posteridade de Efraim.

É como usar perfume forte para disfarçar uma casa imunda: aos olhos atentos, a sujeira continua lá. A gente pensa que o Deus irado é coisa do Antigo Testamento. Deus agiu assim, mas não age mais. Ele gosta mais da igreja do que gostava de Israel. Tem gente que gosta de pensar que a igreja substituiu Israel como uma espécie de filho temporão que agora é o favorito. A gente pensa que Deus ficou mais manso e calmo com o passar do tempo, como pais que tem fllhos quando já devia ser avó.

No entanto, não é muito difícil ver como repetimos pecados do AT. A história da igreja mostra que tendemos a adorar coisas acessórias ou pessoas no lugar de Jesus. Essa adoração deslocada nos engana. Achamos que temos todos os benefícios do reino, mesmo que nossos corações não sejam obedientes ao Rei. A constituição do Reino, prevista no sermão do monte, coloca tudo no nível do coração. Sim, a igreja é eterna, mas o povo de Deus não imunidade diante da disciplina de Deus.

Igrejas locais podem experimentar o favor de Deus ou a disciplina. Muitas vezes não pensamos na igreja dessa maneira. A igreja que peca corporativamente não está imune à disciplina de Deus. Pense nas igrejas de Apocalipse 2 e 3. Elas eram parte da noiva de Cristo, mas ouviram:

2:5 Lembre-se, pois, de onde você caiu. Arrependa-se e volte à prática das primeiras obras. Se você não se arrepender, virei até você e tirarei o seu candelabro do lugar dele.

2:16 Portanto, arrependa-se! Se não, irei até aí sem demora e lutarei contra eles com a espada da minha boca.

3:3Lembre-se, pois, do que você recebeu e ouviu; guarde-o e arrependa-se. Se você não vigiar, virei como ladrão, e você de modo nenhum saberá em que hora virei contra você., e não sabes a que hora virei sobre ti.

Jeremias poderia ter dito essas palavras, mas quem falou foi Jesus. Jesus ama a igreja, mas a responsabiliza como Deus responsabilizou Israel. Jesus disse isso com a maior veemência em Ap. 3:19:

19 Eu repreendo e disciplino aqueles que amo. Portanto, seja zeloso e arrependa-se.

Vamos ser claros: não é porque você ama ter uma religião ou participar de uma igreja que você pode imaginar que tem o direito de viver de forma leviana. Deus vai disciplinar tanto as pessoas, quanto as igrejas que vivem em pecado. Se não quisermos repetir os erros de Judá, precisamos ir além das palavras: devemos obedecer com sinceridade e constância.

ObedecerJr S 7:21–26

Deus quer um coração obediente. O que vai ser lido é muito duro. No entanto, lembre-se de que onde há advertência, há esperança. Judá teve a oportunidade de se corrigir e de acertar com Deus. Eles podiam ter consertado as coisas e parado de mentir para si mesmos. Essa era a resposta esperada de um coração obediente. Sem isso, o caráter de Deus o obriga a puni-los.

De fato, sua ira é tão intensa que Deus diz que Jeremias não deveria orar por eles (vv. 16-17). Ele os punirá. Mas o que eles fizeram de tão ruim? A lista é longa. Eles estavam oprimindo pessoas (vv. 5-6), adorando Baal (v. 8) e adorando uma tal de rainha do céu (18), mas o verdadeiro problema era um coração desobediente. Eles não queriam ouvir a Deus.

23 Mas o que lhes ordenei foi isto: “Deem ouvidos à minha voz, e eu serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo. Andem em todo o caminho que eu lhes ordeno, para que tudo lhes vá bem.” 24Mas eles não quiseram ouvir, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para a frente. 25Desde o dia em que os pais de vocês saíram da terra do Egito até hoje, muitas e muitas vezes, todos os dias, eu lhes enviei todos os meus servos, os profetas. 26Mas vocês não quiseram me ouvir, nem atenderam; foram teimosos e fizeram pior do que os seus pais.

O profeta já tinha advertido no v. 13:

Agora, visto que vocês fazem todas estas obras, diz o Senhor, e eu falei muitas e muitas vezes, mas vocês não me ouviram, chamei, mas vocês não me responderam,

A raiz de todo o pecado é desprezar a voz de Deus. As escrituras são ricas em exemplos. Adão e Eva ouviram conselhos de outra pessoa sem ser os de Deus. A história de Israel é cheia de narrativas de pessoas que sabiam o que deviam fazer, mas não fizeram. Elas não ouviram a Deus. Jesus alerta que tem ouvidos para ouvir, ouça.

Jesus, em Mateus 13:14-15 cita Isaias:

14 Assim, neles se cumpre a profecia de Isaías: “Ouvindo, vocês ouvirão e de modo nenhum entenderão; vendo, vocês verão e de modo nenhum perceberão. 15 Porque o coração deste povo está endurecido; ouviram com os ouvidos tapados e fecharam os olhos; para não acontecer que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.”

O problema não é a capacidade para ouvir, mas a disposição de ouvir. Jesus segue e conta a parábola do semeador. Nela há um solo que era tão duro que a semente da palavra não penetrou. Esse solo é como um arquétipo de quem tem o coração que não escuta. Um coração que rejeita a Palavra.

O que Deus tem dito a você que você tem se recusado a ouvir?

Em que áreas da sua vida sua surdez espiritual tem produzido frutos ruins?

Quando nossos corações estão endurecidos contra Deus, não há esperança em nós. Precisamos esperar que a picareta de Deus quebre nosso coração por sua misericórdia. Todos aqui fomos solos duros. Deus é quem trabalha em nós. Ele quem transforma corações de Pedra e corações de carne. Corações que anseiam pela Palavra, corações que amam o Senhor e e, portanto, desejam saber o que Ele diz.

Isso leva Jeremias à sua conclusão: Deus vai punir Israel.

Conclusão do Sermão JEREMIAS 7:30–8:3

A consequência da desobediência é a ira de Deus. A ira de Deus arde contra Judá porque eles ignoraram repetidamente os avisos. Judá não é um filho que comete um deslize, ele é um filho abertamente desafiador, que faz coisas terríveis, mas que domingo aparece na igreja, diz papai eu te amo e se pergunta: “oxe, o que esse velho tem para estar azedo?” A atitude desse filho rebelde é: “o problema são meus pais, não sou eu.”

Só que neste ponto aqui, Deus já disse basta. Então, um fim trágico é profetizado. A conclusão de seu sermão (7:30–8:3) poderia ser resumida nas palavras de 7:29:

29 “ Comece a prantear sobre o alto dos montes, porque o Senhor rejeitou e abandonou a geração que é objeto

Conclusão

Durante o tempo dos juízes, registramos uma das histórias mais famosas da Bíblia, a história de Sansão. Ele tinha tudo o que um homem poderia desejar. Ele era poderoso com sua personalidade, era esperto e tinha uma força monumental. Todo menino que cresceu na igreja já se imaginou com a força de Sansão. Ele, literalmente, arrebentava.

Ele finalmente conseguiu a garota que queria, e isso lhe custou tudo. Sua ascensão foi rápida, mas sua queda foi lenta. Seus inimigos o amarraram, zombaram dele, torturaram e escravizaram.

A evidência de sua derrota começou quando ele contou a Dalila o segredo de sua força. Ela cortou seu cabelo e, no dia seguinte, o inimigo veio para matá-lo. Aqui estão registradas algumas das palavras mais trágicas de toda a Bíblia. Sansão se levantou para lutar: "Mas ele não sabia que o Senhor o havia abandonado" (Juízes 16:20). Ele tinha tudo, menos Deus.

O problema com organizações (movimentos, instituições ou igrejas) é quando elas são eficazes, bem administradas e estão tendo sucesso. É fácil imaginar que o sucesso está na liderança ou nos recursos e talentos. Quando uma igreja — ou algo criado por uma igreja, como uma escola — pensa que é o fim em si mesma, o favor de Deus pode se afastar dela.

Você pode achar que esse trecho é assustador, e você está certo. A Bíblia registra isso para que temamos a Deus. Todos devemos amar a Deus acima de todas as coisas, mas há o perigo de amarmos organizações e atos religiosos e, por isso, deixarmos de buscar a santidade. Israel caiu nesta armadilha, a igreja primitiva também. Nós sofremos o mesmo risco. Ninguém está imune. Temer a Deus significa temer possuir uma fé falsa. Então, como está a sua fé?

Examine sua fé: ela é viva e obediente ou apenas uma casca vazia? Que hoje seja um dia de arrependimento sincero, retorno à Palavra e restauração do nosso coração diante do Senhor.

Refletir e Discutir

1. Onde este sermão foi pregado? Por que isso é significativo?

2. Como é possível ter uma fé falsa?

3. Quais passagens do Novo Testamento nos desafiam a ter uma fé verdadeira?

4. Jesus estava preocupado com uma fé verdadeira?

5. Como Jeremias chama as palavras dos falsos profetas (7:4)?

6. Qual é o significado de Siló para o sermão de Jeremias (vv. 12-15)?

  1. Em sua forma mais simples, o que Deus realmente deseja de seu povo (v. 13)? Se Deus não mudou, como isso afeta as decisões que estamos tomando agora?

  2. O que as cartas às igrejas em Apocalipse 2-3 nos ensinam sobre a consistência do sentimento de Deus em relação ao pecado no corpo?

9. O que devemos pensar de versículos desafiadores como Jeremias 7:29? Há alguma aplicação para nós hoje?

10. O que a vida de Sansão nos ensina sobre temer a Deus e andar em seu Espírito?