Judas 1-25 - A Garantia do Crente: O Deus que Guarda
10 de fevereiro de 2024 • 12 min de leitura

A Garantia do Crente: o Deus que Guarda.
A carta de Judas começa e termina com palavras muito reconfortantes para os cristãos. No versículo 1 descreve os crentes como “aqueles que foram chamados, amados em Deus Pai e guardados para Jesus Cristo”. Todos os três verbos são passivos. Eles enfatizam a ação de Deus. Deus chama, Deus ama e Deus guarda ou mantém. Somos chamados, somos amados e somos guardados. Judas inicia sua carta enfatizando a segurança do crente no amor de Deus que nos elege e nos preserva.
Ao final da carta, no v. 24, Judas afirma: “
E ao Deus que é poderoso para evitar que vocês tropecem e que pode apresentá-los irrepreensíveis diante da sua glória, com grande alegria, 25a este que é o único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam a glória, a majestade, o poder e a autoridade, antes de todas as eras, agora, e por toda a eternidade. Amém!
No v. 1, Judas afirma que somos guardados por Jesus e, no v.24, que Deus impede que tropecemos. Judas começa e termina garantindo-nos que Deus usa seu poder para impedir que nos afastemos da fé.
Algumas pessoas ficam frustradas e julgam os crentes porque esses acreditam na segurança que a Bíblia afirma que temos. Eles questionam: “como você pode ter tanta certeza de que manterá a fé até o fim e será salvo no julgamento?” e acusam: “é muito orgulho”.
A reposta para essa pergunta deve ser algo assim: "Deus me encontrou em meu pecado e me chamou. Eu sei que Ele me elegeu e me ama de forma pessoal. Portanto, sei que é Ele vai me guardar e me impedir de tropeçar. O mérito é dEle, não meu. É Deus quem opera em mim o “Seu querer e o efetuar” (Hb 13:21), e Ele quem vai me apresentar com alegria diante da sua glória”.
**O Chamado do Crente: Lute pela Fé.**Judas começa e termina sua carta com essa lembrança. Sou objetivo não é o de apenas nos alegrar, mas também nos dar um sentido de urgência. Há um perigo que nos chama a estar alertas: precisamos lutar para defender a fé.
3 Amados, quando eu me empenhava para escrever-lhes a respeito da salvação que temos em comum, senti que era necessário corresponder-me com vocês, para exortá-los a lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
Em outras palavras, apesar de nossa vitória garantida, não estamos dispensados de lutar. Não é por ter a promessa da vitória, que estaremos livres de batalhar. A promessa da vitória não é uma autorização para ir para o sofá.
Precisamos empunhar a espada do Espírito e, confiando em Deus, buscar forças para lutar e para vencer. Quem usa a promessa como desculpa para fugir da luta é, provavelmente, um desertor. Judas está aqui assegurando nossa vitória, para nos animar para um combate.
Quatro Aspectos do Ponto Principal de Judas. O ponto central desta carta está no v.3. É dever de todo crente genuíno batalhar pela fé que foi entregue de uma vez por todas aos santos. Piper vê aqui 4 pontos: Há uma fé foi entregue de uma vez por todas aos santos; vale a pena lutar por essa fé; Essa fé sofre repetidamente ameaças internas por crentes professos, e; todo crente genuíno deve lutar pela fé.
Fé é muitas vezes usada para descrever o sentimento de confiar em Cristo. Aqui o sentido vai além e abrange as verdades que cremos a respeito daquele em quem confiamos.
Sim, a fé cristã é primariamente um relacionamento com Jesus, e não um conjunto de ideias sobre Ele. Ninguém é salvo por acreditar num conjunto de ideias. Os demônios acreditam nas verdades do evangelho. Por isso, sem uma confiança viva e pessoal em Jesus como seu salvador, não adianta crer em certos fatos. Não são as crenças corretas que nos salvam. Você pode crer na ressurreição e não ser salvo. Para ser salvo, você precisa participar da ressurreição pela fé.
**Verdade Objetiva.**O relacionamento com Jesus pela fé é essencial, mas não existe relacionamento real baseado em mentiras. Não podemos desistir de verdades essenciais do cristianismo. Há verdades sobre Deus, sobre Cristo, sobre quem somos e sobre a igreja que são essenciais para a vida cristã. Se elas forem perdidas ou distorcidas, o resultado não será apenas ideias erradas, mas também uma fé equivocada.
A fé que temos não pode ser desconectada do que é declarado a respeito da fé. Se a doutrina é ruim, ela vai contaminar o coração. Há doutrinas que precisam ser preservadas e defendidas.
O v. 3 diz que essa fé já foi “entregue aos santos”. Ela foi transmitida pelos apóstolos, não inventada pela igreja. Ela foi revelada por Deus aos seus apóstolos e seus associados próximos e depois foi ensinada às igrejas como “todo o conselho de Deus” (Atos 20:27) ou a “doutrina que foi entregue” (Romanos 6:17).
"De uma vez por todas". Uma das expressões importantes do v.3 é “que uma vez por todas foi entregue”. 2000 anos depois dessa fé ter sido entregue, apareceram centena de seitas e religiões que afirmam terem recebido uma nova revelação para completar a Bíblia. Maomé diz ter recebido o Alcorão. Joseph Smith, o livro dos Mórmons. Muitos acabam por crer nessas revelações como uma alternativa para a Bíblia.
Mas Judas ensina que a fé já foi entregue de uma vez por todas aos santos. A revelação de Deus a respeito do conteúdo doutrinário da fé está concluída. A igreja é edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Efésios 2:20). Quem apresentar algum complemento, acréscimo ou supressão das Escrituras, rompendo com o que já foi entregue de uma vez por todas, se faz um inimigo das Escrituras.
Nós temos uma Bíblia nas mãos porque a igreja reconheceu, nos sec. III e IV o que Deus já havia falado de uma vez por todas. O cânon está completo. Qualquer reivindicação de verdade precisa ser julgada pelo padrão da fé que foi uma vez por todas entregue aos santos.
A Unidade da Fé Apostólica.
Uma fé foi entregue, não diversas. Há uma unidade apostólica que deve nos levar para uma unidade em torno do que é essencial. O corpo doutrinário que nos une é chamado de fé e deve ser preservado. Nós somos chamados a defender essa fé.
2. Vale a pena lutar por esta fé
Judas nos estimula a lutar por aquilo que acreditamos. Há verdades pelas quais vale a pena morrer.
Sim, há verdades pelas quais vale a pena lutar e das quais não podemos abrir mão. Há, contudo, aplicações secundárias dessas doutrinas sobre as quais não deveríamos nem discutir uns com os outros. Mas marque isso em sua mente: há verdades pelas quais vale a pena lutar. Existe verdades pelas quais vale a pena morrer.
Nossa cultura relativista tem dificuldade para entender isso. Alguns imaginam ser capazes de morrer pela família, mas não acreditam que existam verdades tão preciosas que são dignas de nosso sacrifício para lutar e até mesmo morrer por elas.
**O Sangue dos Mártires.**A rainha Maria I, a Maria sanguinária, mandou queimar 288 reformadores protestantes entre 1555 e 1558. E por que eles foram queimados? Porque eles defendiam uma verdade – a verdade de que a presença real do corpo de Jesus não está na eucaristia, mas no céu, à direita do Pai. Por essa verdade, eles suportaram a dor excruciante de serem queimados vivos pela rainha que defendia sua fé romana.
O sangue dos mártires é um testemunho poderoso de que vale a pena lutar pela fé entregue de uma vez por todas aos santos. Mas aqui no v. 3, Judas diz que é necessário “exortá-los a lutar pela fé”. A salvação estava em jogo. Quando a verdade se perde, a salvação corre perigo. Os apóstolos e reformadores estavam dispostos a morrer pelo desejo de preservar a mensagem de salvação. Eles se preocupavam com as pessoas e com a glória de Deus.
3. Esta fé é repetidamente atacada a partir de dentro da igreja.
Maria sanguinária se dizia cristã, ela não era uma rainha bárbara ou oriental. Os piores inimigos da fé cristã são os que dizem ser cristãos, mas que atacam a fé que foi entregue uma vez por todas aos santos.
Tanto Paulo, quanto Judas, fizeram advertências. Em sua última mensagem para os presbíteros de Éfeso, em Atos 20, Paulo advertiu que, nos v. 29-30, sobre a chegada de lobos vorazes que não iriam poupar o rebanho. Que de dentro deles, surgiriam homens falando coisas perversas para arrastar consigo discípulos.”
Esses lobos profetizados por Paulo seriam cristãos professos. Pastores, presbíteros, líderes de igreja, teólogos, missionários. No v. 4, Judas afirma que era necessário lutar porque:
certos indivíduos, cuja sentença de condenação foi promulgada há muito tempo, se infiltraram no meio de vocês sem serem notados. São pessoas ímpias, que transformam em libertinagem a graça do nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.
A ameaça vinha de gente de dentro da igreja. Eles provavelmente diziam que a graça era tão grande que não era necessário lutar contra o pecado. Gente que transformava graça em libertinagem. Eles colocavam a graça em oposição aos mandamentos de Deus, negando a soberania de Jesus.
A igreja enfrenta esse desafio desde o primeiro século. Paulo avisou e Judas viu isso acontencendo. Ele viu o cumprimento do que os apóstolos disseram (v.17-19)
17 Mas vocês, meus amados, lembrem-se das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. 18Eles diziam a vocês: “Nos últimos tempos, haverá zombadores, andando segundo suas ímpias paixões.” 19São estes os que promovem divisões, seguem os seus próprios instintos e não têm o Espírito.
Lutas com cristãos professos: Praticamente todas as cartas de Paulo, algumas com lágrimas, tratam de lutas com gente que se dizia cristã. Não devemos ficar espantados de ver gente que se diz cristã ensinar e escrever coisas que contradizem a fé que foi de uma vez entregue aos santos. O NT afirma repetidamente que a fé sofre muitas com ameaças internas. Isso nos leva a última advertência:
4. Todo crente genuíno deve lutar pela fé
A carta de Judas foi escrita para os crentes, chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (v. 1). Assim, o dever de lutar pela fé não é exclusivamente dos líderes, embora esses tenham responsabilidade especial, mas de todo crente genuíno.
Os v. 20–21 falam sobre como podemos nos preparar para lutar pela fé. E os versículos 22–23 enumeram algumas maneiras pelas quais lutamos pela fé.
**Preparando-se para lutar pela fé.**V 20-21:
20 Mas vocês, meus amados, edificando-se na fé santíssima que vocês têm, orando no Espírito Santo 21mantenham-se no amor de Deus, esperando a misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo, que conduz para a vida eterna.
A melhor coisa que podemos fazer para sermos eficazes na luta pela fé e sermos uma igreja bem edificada na fé. "Edificando-se na fé santíssima." Estudem! Leiam! Meditem! Edifiquem! Cresçam! Amadureçam! Há muitas verdades maravilhosas sobre Deus para aprender. A melhor defesa é conhecer a fé e amá-la.
Nesse sentido, convido você a viver uma vida cristã além do domingo. Uma vida cristã que invade as rotinas. Escute sua Bíblia nos deslocamentos no trânsito. Memorize versículos, peça indicação e leia ou escute bons livros, participe de um pequeno grupo, restaure o culto familiar, volte a jejuar, volte a participar com toda animação e expectativa de uma caminhada de amadurecimento em um grupo de discipulado, abra sua casa para a comunhão, pratique a hospitalidade. Edifique-se na fé santíssima.
O segundo passo é a oração. Ela é parte indispensável dessa luta. "Orem no Espírito Santo." Sem buscarmos a ajuda do Espírito Santo enquanto oramos, não vamos crescer no manejo da fé e seremos fracos na defesa dela.
O terceiro passo de preparação é se manter no amor de Deus. Confesse seus pecados, participe da comunhão, participe da ceia do Senhor, lembre-se do evangelho quando você pecar. Lembre do evangelho quando pecarem contra você.
Lembre da sua identidade. Lembre da sua eleição, do amor de Deus, que ele vai te guardar. Mantenha-se no amor de Deus.
Por fim, espera na misericórdia de Deus. Lembre que podemos esperar o melhor dEle, nosso Pai sabe nos dar boas coisas. Num mundo volátil, líquido, temos uma rocha inabalável a nos sustentar.
**Lutando pela fé.**Vimos quatro maneiras de nos preparar para defender a fé, mas como essa defesa, essa luta é exemplificada por Judas? v. 22-23:
22 E tenham compaixão de alguns que estão em dúvida; 23salvem outros, arrebatando-os do fogo; quanto a outros, sejam também compassivos, mas com temor, detestando até a roupa contaminada pela carne.
Há pelo menos duas frentes de batalha. Uma delas envolve um esforço para ajudar pessoas que estão em dúvida, para ajudá-las a mudar de pensamento. A outra frente envolve a luta pela recuperação moral. Procure as pessoas. Precisamos ir para o meio da confusão de ideias perversas e trazer de volta pessoas para o lugar seguro da fé, mesmo quando tivermos repulsa por suas atitudes.
Essas coisas andam juntas: o esforço para mudar a mentalidade e o esforço para mudar a moral. Lutar pela fé não é apenas um exercício acadêmico, algo exclusivamente mental. Lembrem que a fonte da falsa doutrina é o orgulho e não a fraqueza da mente.
É por isso que Judas nos diz para que nos edifiquemos na fé, para que oremos e nos mantenhamos no amor de Deus. Sim, devemos aguardar a misericórdia do Jesus como preparação para o combate da fé. A melhor defesa da fé é viver a fé. Por isso Pedro diz: 1 Pd. 3:15:
15... estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm.
Precisamos saber como argumentar, e não apenas ter bons argumentos. Não adianta vencer uma discussão no campo das ideias, se perdemos a guerra em como vivemos.
Em resumo: Uma fé foi entregue de uma vez por todas aos santos; vale a pena lutar por essa fé; Essa fé sofre repetidamente ameaças internas por crentes professos, e; todo crente genuíno deve lutar pela fé.
1 Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, são amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo. 2Que a misericórdia, a paz e o amor lhes sejam multiplicados. 3Amados, quando eu me empenhava para escrever-lhes a respeito da salvação que temos em comum, senti que era necessário corresponder-me com vocês, para exortá-los a lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. 4Pois certos indivíduos, cuja sentença de condenação foi promulgada há muito tempo, se infiltraram no meio de vocês sem serem notados. São pessoas ímpias, que transformam em libertinagem a graça do nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.