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Juízes 1:1-2:5 - O Ciclo da Convivência com o Pecado e a Necessidade de Redenção

15 de outubro de 202119 min de leitura

Juízes 1:1-2:5 - O Ciclo da Convivência com o Pecado e a Necessidade de Redenção

O livro de Juízes é um livro histórico narrativo que traz algumas das histórias mais interessantes da Bíblia. ... Infelizmente, essas histórias são histórias de declínio espiritual. Histórias de pessoas necessitadas de socorro espiritual. Nós precisamos desse tipo de história. Cada um de nós precisa reconhecer a própria necessidade de Deus, a necessidade desesperadora por um Juiz Perfeito, de Cristo. O Livro dos Juízes nos ajuda a fazer isso.

Warren Wiersbe tenta despertar o interesse no Livro usando manchetes para descrever algumas dessas histórias:

Guerra em família deixa 69 irmãos mortos!

Figurão é enganado pela esposa e humilhado por adversários!

Estupro coletivo causa mortes e vítima é esquartejada!

Mulheres sequestradas são forçadas a casar com estranhos!

Essas manchetes poderiam ser encontradas nesses jornalecos de esquina, mas elas serviriam para descrever eventos em Juízes. Keller diz: Juízes é a história de pessoas desprezíveis fazendo coisas deploráveis.

Juízes faz um contraste com o livro anterior Josué. Em Josué, Israel termina com paz, usufruindo das riquezas da terra prometida. Mas Juízes mostra Israel sofrendo com invasões, escravidão, pobreza e guerra civil. O que aconteceu, o que levou a essa situação?

Fato é que a nação de Israel entra em colapso rapidamente logo que uma nova geração, que não conheceu Josué, nem o Deus de Josué, assumiu a direção. Essa nova geração se distanciou de Deus e viveu confiante em suas escolhas, negando a realidade de que precisavam de Deus. Juízes 2: 7-10

7 O povo serviu o Senhor todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras que o Senhor tinha feito por Israel. 8Josué, filho de Num, servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos. 9Foi sepultado em sua própria herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás. 10Toda aquela geração também morreu e foi reunida aos seus pais. E, depois dela, se levantou uma nova geração, que não conhecia o Senhor, nem as obras que ele havia feito por Israel.

O fervor espiritual de Josué deu lugar à apatia. A obediência deu lugar à apostasia. Ao invés de “ordem e progresso”, eles vivenciaram a anarquia. Juízes narra um dos pontos mais baixos da história de Israel.

O tema do Livro dos Juízes está no último versículo do livro: 21:25:

25Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo.

Juízes aponta para a necessidade de um Rei. O rei que precisamos é Cristo. Ele também mostra para onde caminha uma sociedade quando ela valoriza demais a independência. Será que nossa cultura está assim? O que acontece quando todos fazem o que acham ser certo aos próprios olhos?

A conquista de terra não foi concluída por Josué. Israel derrotou muitos inimigos e superou muitas barreiras. Mas havia muito a ser feito. O maior desafio, contudo, não era militar, era espiritual. As muralhas de Jericó eram fraca comparadas às tentações oferecidas pelo estilo de vida dos canaanitas. Juízes mostra os israelitas atraídos pelas práticas pagãs, renunciando sucessivamente convicções espirituais.

Enfrentar os desafios com recursos humanos é abraçar a tentação. Deus, muitas vezes, permite que enfrentemos situações difíceis, como lutas financeiras, relacionais ou de saúde para nos lembrar dEle. Nessas horas recorremos a Ele, depois seguimos nossas vidas: Deus, está tudo certo comigo agora, eu te ligo se precisar de ajuda para algo sério.

Israel clamou pela ajuda de Deus para entrar na Terra, mas logo se desligou dEle. O mesmo acontece conosco. Esse é o começo do fim. Para manter a fé, precisamos praticá-la. Bons começos acabam com pequenas concessões.

Juízes nos mostra também que é importante perceber que a vida com Deus não é uma corrida de velocidade. É uma maratona. Israel teve um início cheio de entusiasmo, mas não teve constância. Essa é outra razão de seu declínio moral e espiritual.

Debaixo da liderança de Josué, Israel começou bem e unido. Eles foram vitoriosos pelo poder de Deus e juraram ser fiéis a Deus. Quando o território foi dividido entre as 12 tribos, cada uma delas ficou responsável por expulsar os inimigos remanescentes. Assim tribo por tribo, cada uma deveria ser responsável por expulsar os inimigos.

Unidos como nação em um só exército eles foram fortes. Como tribos, em pouco tempo, eles se amedrontaram, cansaram, sofreram com a falta de disciplina e com prioridades equivocadas. Logo a fé deixou de importar e eles fizeram o que parecia correto aos próprios olhos.

Por causa disso, eles foram punidos, masDeus cheio de misericórdia, levantou uma série de líderes tribais, chamados de “juízes” (Eles julgavam questões jurídicas, mas as principais funções eram as de libertar e defender Israel, bem como liderar avivamentos”). Assim que os juízes morriam, logo reiniciava o ciclo de desobediência.

Mais tarde, Deus providenciaria algo mais estável, um rei segundo o seu coração, Davi. Juízes serve para serve para demonstrar que as tribos precisariam de um rei justo para conseguir se manterem unidas e para permanecerem fieis a Deus.

Davi e os reis que lhe seguiram também foram temporários. Uns bons, outros maus. A morte de cada um deles aponta para a necessidade de um rei eterno, Jesus. Na verdade, todos desejamos esse Rei, esse perfeito juiz.

Hoje começamos nossa jornada por Juízes na primeira das duas introduções do livro. Vamos até o cap. 2.5. Essa primeira introdução apresenta o relativo sucesso da conquista da terra na frente sul (v. 3-21) e a campanha mais fracassada na frente norte. (22-36).

Vejamos o sucesso parcial na conquista da parte sul. Jz 1-21

O livro começa com a declaração da morte de Josué. (1:1) e segue com a narrativa das tentativas tribais de ocupar Canaã. Como é natural, o falecimento de um líder bom inicia uma crise política. Quem iria assumir?

Josué foi um grande comandante e guia espiritual. Ele conduziu vitórias espantosas e manteve o povo focado em Deus e os seus propósitos. O povo devia ter se sentido vulnerável com a morte de Josué e dos anciãos.

Na crise de liderança, Israel deveria aprender que o verdadeiro líder é o próprio Deus. Nossa principal necessidade sempre é Deus. Muitas vezes colocamos nossa esperança em pessoas. Fazer isso é esquecer quão essencial Deus é. Deus é nosso líder. É isso que Israel precisava compreender, é disso de que trata Juízes, é isso que precisamos entender.

Israel começou com o pé direito a busca pela liderança divina. Eles começaram com sinceridade e com zelo,mas logo terminaram em fraqueza. A maior ameaça não era militar, mas espiritual. Logo eles começaram a seguir seus sentimentos, intuições e opiniões. Quem vive baseado em si, pode descobrir numa tragédia anunciada o quanto se é insuficiente.

2 O Senhor respondeu: — A tribo de Judá será a primeira; eis que entreguei a terra nas mãos desta tribo. Josué 1: 2

A abertura desse livro tem grandes promessas. Uma missão divina vem com o apoio divino. Tudo está certo até aqui. Israel demonstra sensibilidade à vontade de Deus e Deus responde com bondade e Misericórdia. Se tudo continuasse assim, seria tão bom, né? Mas não foi assim. As coisas logo se complicariam, concessão após concessão, Deus foi sendo abandonado por seu povo.

Deus ordena que Judá fosse a primeira tribo a lutar, mas eles pedem ajuda para a tribo de Simeão. Aqui encontramos a primeira concessão. Judá provavelmente não tinha plena confiança em Deus. Mas tarde sua falta de fé ficará ainda mais evidente neste mesmo capítulo.

Judá e Simeão eram irmãos consanguineios, filhos de Jacó e Lia. As tribos ficaram próximas na divisão das terras. A área de Simeão ficava dentro das terras de Judá. Se Judá fosse ameaçado, naturalmente, Simeão também correria riscos.

Do ponto de vista humano, Judá pedir ajuda a Simeão faz todo o sentido. As concessões geralmente fazem algum sentido, elas parecem obedecer ao bom senso, mas quando Deus dá uma diretriz, devemos seguir à risca, abrindo mão de nossas contribuições que parecem boas e lógicas.

Vimos a primeira concessão. A próxima também parecia como uma decisão muito defensável. Juízes 1: 4-7

4 Os filhos de Judá atacaram, e o Senhor lhes entregou nas mãos os cananeus e os ferezeus; e, em Bezeque, mataram dez mil homens. 5Em Bezeque, encontraram Adoni-Bezeque e lutaram contra ele; e derrotaram os cananeus e os ferezeus. 6Adoni-Bezeque fugiu, mas eles o perseguiram e, prendendo-o, lhe cortaram os polegares das mãos e dos pés. 7Então Adoni-Bezeque disse: — Setenta reis, a quem haviam sido cortados os polegares das mãos e dos pés, apanhavam migalhas debaixo da minha mesa. Assim como eu fiz, assim Deus me retribuiu. E o levaram a Jerusalém, onde morreu.

A mutilação de Adoni-bezeque é um exemplo de uma longa lista que demonstra a tendência de Israel de trocar a obediência às ordens de Deus por uma obediência parcial. A ordem era que os reis inimigos fossem executados, não humilhados.

Deuteronômio 20:16-17 — Porém, das cidades destas nações que o Senhor, seu Deus, lhes dá como herança, não deixem ninguém com vida. 17Pelo contrário, como o Senhor, seu Deus, ordenou, vocês devem destruí-las totalmente: os heteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.

O rei Adoni-Bezeque reconheceu que o castigo que ele recebeu era justo e vinha de Deus. Ele tinha mais clareza da justiça de Deus do que muita gente hoje. O certo é que é muito perigoso entender o que Deus diz e fazer diferente do que ele ordenou.

A mutilação daquele rei tinha como objetivo humilhar e garantir que ele nunca mais pudesse lutar ou se locomover de forma insegura. Os mutilados eram exibidos como um troféu de guerra e viviam do resto da comida. Ironicamente, Adoni-Bezek foi tratado da mesma forma que ele tratou outros setenta reis. Olho por olho, dente por dente. Parece tão lógico, né?

O senso comum... A questão aqui é a necessidade da obediência completa. Rapidamente os israelitas adotaram a ética da guerra cananéia e não as instruções de Deus. Aquele homem foi sentenciado a morte por Deus, mas os israelitas usaram o padrão canaanita para julgar o padrão de Deus.

Deus dá instruções de como devemos agir em um mundo descrente. Devemos abençoar, ao invés de amaldiçoar quem nos ofende. Devemos oferecer graça, como recebemos graça por intermédio de Jesus. Mas muitas vezes usamos o padrão do mundo para nos justificar.“Eu não levo desaforo para casa”; “eu tenho meus direitos”; “Qualquer outra pessoa teria feito muito pior com ele; eu peguei foi leve...”

Juízes 1: 11-15

11 Dali os filhos de Judá marcharam contra os moradores de Debir, que antes era chamada de Quiriate-Sefer. 12Então Calebe disse: — Darei a minha filha Acsa por mulher ao homem que atacar e conquistar Quiriate-Sefer. 13Quem conquistou a cidade foi Otniel, filho de Quenaz, o irmão de Calebe, mais novo do que ele. E Calebe lhe deu a sua filha Acsa por mulher. 14Esta, quando foi morar com Otniel, insistiu com ele para que pedisse um campo ao pai dela. Quando ela desceu do jumento, Calebe lhe perguntou: — O que é que você quer? 15Ela respondeu: — Quero que me dê um presente. Já que o senhor me deu uma terra seca, me dê também algumas fontes de água. Então Calebe lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.

Parece estranho para nós um pai oferecer a filha como um prêmio de guerra. Sim, é uma cultura diferente. Não devemos impor a nossa ao texto. Acsa não se queixou de ter sido entregue para seu primo, herói de guerra, mas tinha outra reclamação para fazer para seu pai. Ela se queixou de ter recebido terras secas, ruins para o cultivo.

Não sabemos se Otniel pediu terras ao sogro, mas fato é que Acsa aproveitou um momento oportuno para pedir fontes de água para seu pai. Calebe responde imediatamente e de forma favorável.

O que isso ensina? Penso que Calebe não estava consciente de que seu presente fora incompleto e que isso poderia dificultar a vida de sua filha e seus descendentes. Mesmo um homem fiel como Calebe precisa de conselho e ouvir apelos. Acsa agiu com sabedoria e as gerações de Calebe foram preservadas. O presente de Calebe foi incompleto. Fazer coisas pela metade não é bom. Isso me remete a Jesus e sua obra. Jesus ao morrer disse: está consumado. Está completo. Em Jesus somos completos.

Última observação sobre o sucesso parcial na região sul: v. 19

19 O Senhor esteve com os filhos de Judá, e estes ocuparam a região das montanhas. Porém não expulsaram os moradores do vale, porque estes tinham carros de ferro.

Se o Senhor estava com eles, que diferença carros de guerra fariam? Por que pararam? Os cananeus tinham as armas de guerra mais sofisticados daquele tempo e os israelitas eram impotentes diante delas. Eles ficaram com medo. Mas no fundo, a verdade é que eles pararam pelo mesmo motivo que nós paramos. Pedro falhou da mesma forma em Mt. 14:24-31.

Pedro saiu do barco caminhando sobre as águas até tirar os olhos de Jesus. Quando ele olhou para as ondas, ele começou a afundar. Quando tiramos os olhos de Cristo ficamos perdidos e nosso relacionamento com Deus se deteriora. O fracasso de Judá logo iria afetar o restante da nação.

Eles ainda tomaram Jerusalém no v.8, mas não a ocuparam imediatamente. Ela foi novamente habitada pelos jubesus, no v.21, e dessa vez, eles não os expulsaram, como Deus havia ordenado.

Essa foram as vitórias parciais feitas na região sul. Eles foram vitoriosos, mas muitas concessões morais e espirituais foram feitas. No norte, as concessões foram maiores e provocou um fracasso ainda maior.

Fracasso no Norte Juízes 1: 22-26

22 A casa de José atacou Betel, e o Senhor estava com eles. 23A casa de José enviou homens a espiar Betel, que antes se chamava Luz. 24Os espias viram um homem que saía da cidade e lhe disseram: — Mostre-nos a entrada da cidade, e teremos misericórdia de você. 25O homem mostrou a entrada da cidade, e eles mataram os moradores ao fio da espada; mas deixaram ir aquele homem e toda a sua família. 26Então ele foi para a terra dos heteus, edificou uma cidade, e lhe deu o nome de Luz. E este é o seu nome até o dia de hoje.

Betel era uma cidade fortificada como Jericó. Os espias viram um homem saindo da cidade e prometeram que teriam misericórdia dele caso ele os ajudasse. A cidade tinha entradas secretas e aquele homem mostrou com acessar a cidade. Qual foi a concessão? Eles prometeram o que não deviam ter prometido. Aquele homem não foi como Raabe que se converteu. Ele fundou outra cidade, chamada Luz, e continuou com seus velhos hábitos. Juízes 1: 27-36

27 A tribo de Manassés não expulsou os moradores de Bete-Seã, nem os de Taanaque, nem os de Dor, nem os de Ibleão, nem os de Megido, todas com as suas respectivas aldeias; os cananeus continuaram a viver naquela terra. 28Quando, porém, Israel se tornou mais forte, sujeitou os cananeus a trabalhos forçados, mas não os expulsou de todo.

29 A tribo de Efraim não expulsou os cananeus, moradores de Gezer. Assim, continuaram a viver com eles em Gezer.

30 A tribo de Zebulom não expulsou os moradores de Quitrom, nem os de Naalol. Os cananeus continuaram com eles, sujeitos a trabalhos forçados.

31 A tribo de Aser não expulsou os moradores de Aco, nem os de Sidom, os de Alabe, os de Aczibe, os de Helba, os de Afeca e os de Reobe. 32Os aseritas continuaram no meio dos cananeus que moravam na terra, porque não os expulsaram.

33 A tribo de Naftali não expulsou os moradores de Bete-Semes, nem os de Bete-Anate, mas continuou no meio dos cananeus que moravam na terra. No entanto, os moradores de Bete-Semes e Bete-Anate ficaram sujeitos a trabalhos forçados.

34 Os amorreus levaram os filhos de Dã a se retirar para as montanhas e não os deixavam descer ao vale. 35Os amorreus conseguiram permanecer nas montanhas de Heres, em Aijalom e em Saalabim; no entanto, a mão da casa de José prevaleceu, e os amorreus foram sujeitos a trabalhos forçados. 36O território dos amorreus ia desde a subida de Acrabim e desde Sela para cima.

No norte, as tribos de Israel falharam em expulsar os cananeus. Como resultado, os cananeus viveram entre eles. Os israelitas toleraram viver em companhia dos pagãos. As tribos de Aser e de Naftali, como relatado, viveram no meio dos cananeus. Primeiro, os israelitas permitiram que os cananeus continuassem vivos, então, os cananeus permitiram que israelitas vivessem entre eles. Os amorreus prevaleceram e forçaram a tribo de Dã a viver longe da terra que lhes foi dada com herança.

Finalmente, os israelitas são moradores dentro dos limites dos amorreus. Parte da Terra Prometida ainda é descrita como pertencente aos povos que deveriam ter sido desalojados. A desobediência é muito clara. Eles não se esforçaram para cumprir o que Deus havia ordenado. Antes, foram complacentes e acabaram por se acomodar com as concessões feitas.

A experiência deles nos desafia. Muitas vezes nos acomodamos com o que já recebemos de Cristo. Obter mais exige disciplina, dedicação e energia. Envolve ofertar recursos e a si mesmo. O resultado da acomodação é trágico: começamos a confiar menos em Deus e mais em nossa intuição, bom senso e instinto de preservação. Em pouco tempo, somos encharcados de mundanismo. Acabamos por agir e pensar como os que não tem Deus.

Jesus trouxe salvação e vitória para nós. Ele fez de si uma nova aliança para que fossemos capacitados pelo Espírito Santo para adorar e servir a Deus de forma plena.

Ás vezes, Como Judá e Simeão, obtemos vitórias parciais e as coisas parecem estar indo bem. Outras vezes, parecemos com as tribos do norte. Deixamos de buscar os propósitos de Deus e de confiar nEle e fazemos acordos com o pecado. De alguma forma, adquirimos uma convicção tola de que não precisamos de Deus e que mandamos nos nossos narizes.

Aí passamos a buscar falsos deuses para resolver nossos problemas. Adoramos o dinheiro, o sexo, o poder. Tentamos com essas coisas preencher o vazio de Deus satisfazendo nossas paixões.

O pecado é um ditador que precisa ser expulso de nossas vidas. Quando ele se instala é difícil expulsá-lo. Ele é como o espião de Betel que constrói uma cidade maligna dentro do nosso coração e a chama de Luz.

O pecado é insaciável. Um pouco de pecado nunca é suficiente. Ele dá um retorno cada vez menor. No princípio, um pouco de pecado produz muita satisfação. Com o tempo, ele se torna insuficiente e passa a exigir mais. Com o passar do tempo, o pecado deixa de satisfazer e simplesmente escraviza. Ele exige cada vez mais e lança a pessoa cada vez mais fundo.

Um pensamento impuro satisfaz por um segundo, logo ele exige imagens. Elas rapidamente serão insuficientes e seremos tentados a obter satisfação em envolvimentos sexuais inadequados. Logo isso também será substituído por formas pervertidas de sexo. Você entendeu como funciona? Quando abraçamos um pecado, ele logo vai tentar nos sufocar.

Os judeus se acostumaram com a vida pecaminosa dos vizinhos. Logo aquele estilo de vida foi considerado normal e então foi incorporado. Os crentes não devem ser pegos na mesma armadilha. Primeiro, toleramos o pecado, da mesma forma que as tribos do norte toleraram os pagãos. Então, permitimos que o pecado more perto de nós.

Quando abraçamos o pecado, ele nos afasta de Deus e da fé. Finalmente, de forma sútil, o pecado assume o controle de nossas vidas. Algo controla sua vida e excluiu a devoção a Deus? Seu trabalho, seus compromissos pessoais? Sua agenda, seu telefone, sua internet? Até ferramentas neutras como essas podem assumir o lugar de Deus em nós.

O desejo pelo dinheiro, pelo poder, pelo sexo, pelo sucesso, pela estabilidade te controla? Você é dominado por substâncias como álcool ou drogas? Essas coisas eliminaram a fidelidade a Cristo em sua vida? Ele é o único que pode colocar essas coisas em ordem.

Se o pecado é tão perigoso assim, como podemos lidar com Ele? Ouça as palavras do Anjo do Senhor. Juízes 2: 1-5

1 O Anjo do Senhor foi de Gilgal a Boquim e disse:

— Eu tirei vocês do Egito e os trouxe à terra que, sob juramento, havia prometido aos seus pais. Eu disse: “Nunca invalidarei a minha aliança com vocês. 2Quanto a vocês, não façam nenhuma aliança com os moradores desta terra; pelo contrário, derrubem os seus altares.” No entanto, vocês não obedeceram à minha voz. O que é isso que vocês fizeram? 3Por isso, também eu disse: “Não expulsarei esses povos da presença de vocês; pelo contrário, eles serão seus adversários, e os deuses deles serão uma armadilha para vocês.”

4 Quando o Anjo do Senhor acabou de falar estas palavras a todos os filhos de Israel, o povo levantou a sua voz e chorou. 5Por isso aquele lugar foi chamado de Boquim. E ali ofereceram sacrifícios ao Senhor.

Algumas pessoas pensam que Deus não se importa com o pecado. “...Deus não liga muito para o que eu faço. Ele vai me perdoar.” Quero te assegurar: Deus liga sim. O Senhor perguntou: "O que foi isso que vocês fizeram? Porque não obedeceram a minha voz?“ Deus não mudou. Ele ainda se importa com nossa desobediência.

Se Deus aparecesse aqui para falar contigo, Ele faria essa declaração? “Você não obedeceu a minha Palavra! O que você fez?” Essa pergunta não é apenas uma acusação. Ela é um convite a reflexão.

Muitas vezes não temos clareza do porquê desobedecemos, mas precisamos dessa consciência. Descobrir as motivações pode ajudar no processo de arrependimento. Porque você cobiçou aquele carro, aquele emprego? Você acha que Deus é injusto com você? As palavras do anjo do Senhor mostram um caminho para lidar com o pecado.

Primeiro, o anjo lembra a Israel o que o Senhor fez por eles. Precisamos nos lembrar do que Deus fez por nós em Cristo, como Ele venceu Satanás e a morte e nos comprou para sermos sua igreja. Precisamos nos alegrar de novo com esta linda história.

Também precisamos nos alegrar em ver como Deus nos abençoou de formas particulares no transcorrer de nossas vidas. Coloque fotos da sua família nos locais em que você passa mais tempo. Faça memoriais. Olhe para essas coisas e se lembre do amor e da fidelidade de Deus.

Em segundo lugar, responda a pergunta: "Por que você fez isto?" Nosso coração é corrupto, mas Deus conhece nossos corações e o Espírito Santo nos guia nessa jornada. Precisamos escavar nossas motivações. Nossas motivações e ações derivam do que cremos. Se descobrirmos as crenças erradas poderemos corrigí-las com a verdade. Jesus perguntou aos discípulos: "Por que você está com tanto medo?" (Mc 4:40).

Terceiro, precisamos nos entristecer. Os israelitas responderam com tristeza. Lembrar do que Deus fez traz alegria, mas isso deve nos levar a tristeza que produz arrependimento.O arrependimento deles foi manifesto em adoração com sacrifícios.

O pecado é uma adoração a um Deus errado. Precisamos substituir a adoração equivocada com a adoração a Deus. O pecado substitui de forma conveniente Deus em nossos corações. Queremos ao pecar, obter a alegria que só Deus pode nos oferecer.

A adoração a Deus é o reconhecimento de que Ele é superior a qualquer outro deus falso. Nada se compara a ter a companhia de Deus. Qualquer prazer temporário do pecado murcha perto de Deus.

Ao confessarmos nossos pecados, descobrimos que Ele nos perdoa em Cristo. O pecado é um tirano mau, mas o arrependimento, a confissão e a adoração quebram o seu jugo. Adore ao Senhor. Encontre-se com Ele diariamente!

Podemos viver um tempo sem nos encontrar com Deus, mas jamais conseguirmos a prosperidade da alma sem Ele. Sempre que negligenciamos nossa fidelidade a Deus, corremos para outros deuses. A pergunta é se o choro daqueles homens era de arrependimento. O texto termina aqui. Só o choro não é suficiente. Vejam o que Joel 2:12-13 ensina:

12 Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: “Convertam-se a mim de todo o coração; com jejuns, com choro e com pranto. 13Rasguem o coração, e não as suas roupas.” Convertam-se ao Senhor, seu Deus, porque ele é bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia, e muda de ideia qu+anto ao mal que havia anunciado.