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Tiago 5:1-6 - O Perigo da Riqueza Iludida e a Justiça de Deus

25 de novembro de 202313 min de leitura

Tiago 5:1-6 - O Perigo da Riqueza Iludida e a Justiça de Deus

Chegamos ao último capítulo de Tiago. Um texto bem duro que condena firmemente os pecados dos ricos. Sim, o texto faz um alerta muito severo para os ricos.

O DF tem a maior renda familiar do País, R$ 2.913,00. A renda média brasileira é R$ 1600,00. O Jardim Botânico tem uma das maiores rendas domiciliares do DF, R$ 12.453,00. Para efeito de comparação, a cidade brasileira com maior média é Nova Lima, perto de Belo Horizonte, com uma renda média de 8.897,00.

De um modo geral, vivemos com muito conforto comparado com o resto do País. Imagine agora se comparado com países mais pobres? Num certo sentido, somos extremamente mais ricos comparados com outros lugares do Brasil e do mundo.

Ao ouvir essa mensagem, não pense no Elon Musk ou Bill Gates, nem no seu colega do Mackenzie, que é filho de milionários. Pense em você. Deixe que texto ferir seu coração a respeito de como você lida, pensa, ganha e gasta seu dinheiro.

A questão aqui, em última análise, não é sobre dinheiro, o quanto alguém pode ter ou não ter. A questão é onde você coloca sua esperança? no dinheiro, nas posses desse mundo? ou ela está em Jesus e nas riquezas da eternidade? Jesus disse em Mateus 6:24:

24 — Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou irá odiar um e amar o outro, ou irá se dedicar a um e desprezar o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas. "

Essa é a pergunta para nós. A quem você serve? Em qual você coloca sua esperança? Em qual você busca segurança, alegria, prazer ou contentamento? Em Deus ou nas riquezas?

I. Julgamento sobre os ricos (versículo 1)

“1Escutem, agora, ricos! Chorem e lamentem, por causa das desgraças que virão sobre vocês.”

Há aqui uma severa condenação. A palavra “chorar” é a mesma usada em 4:9, onde Tiago nos exorta a reconhecer a nossa miséria, a lamentar e a chorar por causa dos nossos pecados e a nos humilharmos diante do Senhor.

A próxima palavra no original significa uivo. Nós a traduzimos por lamento ou gemido. Seu uso sempre está associado com julgamento. Vejam Isaías 13:6, como exemplo:

“6Lamentem, pois o Dia do Senhor está perto; ele vem como destruição da parte do Todo-Poderoso.”

isso está por acontecer! Tiago fala como um profeta do AT que anunciava juízo sobre os ricos ímpios. Ele condena os que abusam do poder e da riqueza, os que depositaram suas esperanças nas riquezas. Ele condena pessoas que oprimem os pobres. Por essas razões, esse tipo de rico será condenado.

Observem que a Bíblia não condena ricos por serem ricos. O dinheiro, em si, não é o problema. Ser rico não é sinônimo de ser mau, mas Tiago repreende aquele que juntam tesouros nos tesouros nos últimos dias, que oprimem os pobres e que vivem um estilo de vida luxuoso e autocentrado.

O problema não é o dinheiro, é o amor ao dinheiro. O problema é viver com a perspectiva ignorante de que o que importa na vida é ter dinheiro e se considerar melhor do que outros por ter mais recursos do que outras pessoas.

Se essa perspectiva de vida dominar nosso coração, então atrairemos a ira de Deus sobre nós se não houver arrependimento.

O texto de 1 Tm 6:10 é muitas vezes citado de forma errada. O povo diz: O Dinheiro é a raiz de todos os males, mas a texto diz

10 Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e atormentaram a si mesmos com muitas dores.

A Bíblia não condena os ricos de forma geral, mas é muito dura contra aqueles que amam seu dinheiro, que acumulam e abusam dele e que nele depositam suas esperanças.

Os princípios aqui se aplicam também pra quem não tem grana. Pobres podem ser dominados pelo amor ao dinheiro. As loterias e os jogos de azar fazem sucesso entre os mais pobres que, amando o dinheiro, gastam o pouco que tem pelo sonho de riqueza.

Embora ser rico não seja automaticamente um problema, é algo bem perigoso porque somos tentados a depositar a nossa confiança no dinheiro e posses. É perigoso porque o dinheiro nos seduz com os prazeres e conforto que ele proporciona.

Assim, nossas almas correm sério risco quanto temos riquezas. Lembram do alerta de Jesus após o diálogo dEle com o jovem rico? Mateus 19:23-24:

“23Então Jesus disse aos seus discípulos: — Em verdade lhes digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. 24E ainda lhes digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. ”

Para ficar claro, Jesus não estava dizendo que era apenas muito difícil. Ele estava dizendo que era impossível. Vejam o v. 26:

26 Jesus, olhando para eles, disse: — Para os seres humanos isto é impossível, mas para Deus tudo é possível.”

Deus precisa operar um milagre para que o coração de uma pessoa deixe de ser atraído por suas riquezas e passe a acreditar que as riquezas celestes são muito mais preciosas.

Aqui está o ponto para os ricos: suas riquezas são um perigo para a alma de vocês. Seu dinheiro pode ser usado de formas maravilhosas para abençoar, mas podem ser grande fonte de tentação, preocupação e de distração. Tomem muito cuidado!

E os pobres? não invejem os prósperos, não cobicem as riquezas deles, vivam com contentamento, gratos por não terem o dinheiro como um potencial obstáculo para se relacionar com Deus.

O julgamento anunciado por Tiago é um lembrete de um julgamento que está chegando. Vejam os v. 8-9:

“Sejam também vocês pacientes e fortaleçam o seu coração, pois a vinda do Senhor está próxima. 9Irmãos, não se queixem uns dos outros, para que vocês não sejam julgados. Eis que o juiz está às portas. ”

A segunda vinda de Cristo é iminente. Ele está vindo em breve. Se arrependam de seus pecados para não chorar e lamentar por toda a eternidade. O aviso é muito sério:

Chorem e lamentem, por causa das desgraças que virão sobre vocês.”

Jesus não vem dar palmadas com chinelo. Nossos pecados são crimes contra o Deus Santo e a sentença é a morte eterna. Por isso, apenas o próprio Filho de Deus, sendo homem e Deus, poderia suportar esse castigo em nosso lugar para nos substituir na cruz.

Ou seus pecados são justificados na cruz pela graça, ou você enfrentará o castigo eterno por eles no inferno. É assim que Deus pode tratar com justiça o pecado. Na cruz ou no inferno. O espantoso é que, apesar de merecermos o justo castigo eterno, podemos ser perdoados pelo sangue de Jesus e ter a vida eterna.

Este é o Evangelho, todos os que se arrependem de seus pecados e abraçam Jesus como Sua única esperança serão perdoados.

Assim como Tiago condena os ricos neste versículo, todos nós somos desafiados a lembrar que o julgamento está próximo. Nossa única esperança é chorar nosso pecado agora. Devemos nos arrepender de nossa ganância, de nosso apego ao dinheiro e ao conforto. Precisamos nos arrepender e encontrar em somente em Jesus nossa esperança eterna.

II. A Futilidade da Riqueza (versículos 2-3a). Na sequência, Tiago descreve a futilidade da riqueza:

“2As suas riquezas apodreceram, e as suas roupas foram comidas pelas traças. 3O seu ouro e a sua prata estão enferrujados, e essa ferrugem será testemunha contra vocês e há de devorar, como fogo, o corpo de vocês.”

Em outras palavras, tudo o que você acha que tão valioso está desmoronando, desaparecendo, deteriorando, apodrecendo, sendo corroído. Seus bens estão apodrecendo, suas roupas comidas por traças, seus metais, corroendo e desbotando.

Isso lembra o que vimos na semana passada, no v. 4:14. Somos como neblina, nossas vidas são curtas, logo desaparecemos. É, portanto, tolice se agarrar em coisas que também são passageiras.

No cap. 1:9-11, Tiago trata sobre isso:

“9O irmão de condição humilde glorie-se na sua exaltação, 10e o rico, na sua humilhação, porque ele passará como a flor do campo. 11Porque o sol se levanta com seu calor ardente, a planta seca, a sua flor cai e a formosura do seu aspecto desaparece. Assim também o rico murchará em seus caminhos.”

Tiago, no cap. 5, vai além de ilustrar que a vida e as riquezas são passageiras. As riquezas não estão apenas desaparecendo. A corrosão delas servirá de testemunha contra vocês e há de devorar, como fogo, o corpo de vocês.

Essas palavras são assustadoras! Tiago está dizendo que nossas contas bancárias serão usadas como prova da nossa relação com o dinheiro no dia do julgamento. Quem acumulou riqueza de forma pecaminosa vai apenas demonstrar os desejos egoístas do coração e como passou a vida servindo ao dinheiro no lugar de Deus.

A punição não é agradável. Tiago afirma que será como a do fogo queimando a carne. Tiago está descrevendo a agonia do inferno.

O problema não é o dinheiro, é o acúmulo de riquezas, roupas e metais em detrimento dos outros. Você deixou de ser um canal de riqueza para ser uma represa de riqueza. Há um princípio bíblico de generosidade. Quando Deus nos dá recursos, devemos ser gratos e distribuir recursos. O que Deus nos dá deve continuar fluindo, afinal, tudo o que temos, recebemos de Deus. Quando represamos, há um problema. Começamos a ficar presos no acúmulo. Começamos a pensar em conforto, em luxo e em autoindulgência.

Não podemos ser assim. Não devemos ser como o rico tolo de Lucas 12 que queria armazéns maiores para ter conforto. Jesus o chama de louco e diz que seus bens iriam ficar para outros.

Veja esse pirncípio em Ef. 4:28:

28 Aquele que roubava não roube mais; pelo contrário, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado.

Percebem? O crente deve trabalhar não apenas para si, mas para ajudar o necessitado. Você trabalha para poder acudir os outros, não apenas para você. Trabalhamos para compartilhar, não para reter.

III. Pecados que podem acompanhar a riqueza (3b-6)

Vimos o julgamento no v.1 e a futilidade da riqueza nos versículos 2-3. Finalmente, vamos olhar alguns pecados que muitas vezes acompanham a riqueza. Na parte final do v. 3 e ss, Tiago mostra claramente alguns dos pecados que ele condena nos ricos donos das propriedades. Eles usavam as riquezas de forma perversa.

Claro que nem todo rico irá pecar assim, mas é verdade que os ricos são suscetíveis a esses pecados. Quais são eles? Então

**1) Acumular tesouros nos últimos dias (3b, 5b).**A parte final do v.3 diz: nos tempos do fim, vocês ajuntaram tesouros.

“Tempos do fim” é uma expressão importante. É o tempo entre a ascensão de Jesus e a sua volta. A segunda vinda de Jesus já está às portas e devemos estar preparados. Estejam prontos, porque o dia do julgamento está muito próximo.

Assim, é a busca por acumular riquezas aqui é tolice. Jesus nos manda acumular tesouros no Céu. Jesus usa essa expressão: juntar tesouros, em Mt. 6:19-20:

19 — Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem roubam.  21Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.

Estamos nos últimos dias e precisamos manter os olhos fixos na eternidade. É lá que devemos guardar nossos tesouros, não aqui.

Tiago usa o mesmo argumento, mas com outra abordagem. Vejamos o v. 5:

“têm engordado em dia de matança“

Estamos nos últimos dias, com um julgamento que vem em breve, mas quem acumula riqueza de forma pecaminosa apenas aumenta o julgamento sobre si. São como os frangos da granja do Fábio, que comem sem saber que morrerão em breve.

Que isso não seja a sua descrição. Não guarde tesouros aqui. Não engorde seu coração com as coisas do mundo nos últimos dias.

  1. Opressão aos pobres (4, 6).

4 Eis que o salário dos trabalhadores que fizeram a colheita nos campos de vocês e que foi retido com fraude está clamando; e o clamor dos que fizeram a colheita chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos.”

Tiago pensa nos diaristas que trabalhavam nos campos dos fazendeiros ricos. Aqueles trabalhadores precisavam do dinheiro de cada dia para alimentar suas próprias famílias. Muita gente vive assim ainda hoje. Precisam de sua paga imediatamente para ter o que comer ao final do dia e no próximo. Em DT. 24:14-15 lemos:

14 — Não oprima o empregado pobre e necessitado, seja ele um dos seus compatriotas ou um estrangeiro que está morando na terra e na cidade onde você vive. 15Pague-lhe o salário no mesmo dia, antes do pôr do sol, porque ele é pobre, e a vida dele depende disso; para que ele não clame ao Senhor contra você, e você seja culpado de pecado.

Tiago está repreendendo quem se aproveita de seus empregados. Os salários retidos com fraude gritam e Deus ouve.

A ganância por mais riquezas faz com que patrões desprezem o que é certo e bom. Os donos de terra estavam retendo o pagamento que era devido. Isso é ruim. Não atrase o pagamento de quem trabalha com você para ter mais lucro, mais capital de giro. Nunca faça isso. Mas eles fizeram pior. V. 6:

6 Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência.

É possível que os ricos estivessem expropriando judicialmente os pobres ou enganando-os em relação aos salários tirando-lhes o sustento. Eles eram considerados justos e não ofereceram resistência. Tiago poderia estar falando de situações concretas em que pessoas pobres da igreja foram perseguidas por ricos inescrupulosos.

Mas não podemos ler estas palavras no versículo 6 sem pensar em Jesus, que foi Justo, condenado e morto, sem oferecer resistência. Ele não merecia a punição, mas deixou-se condenar e ser punido para pagar a pena pelo nosso pecado.

A opressão aos pobres pode ser flagrante como aqui, ou sutil como vimos em Tiago 2, onde ele condenou dar favoritismo ao rico em detrimento do pobre. Sim, é muito fácil oprimir e não honrar os pobres. Devemos tomar cuidado com esses pecados que de forma geral acompanham a riqueza.

Você pode ser tentado a pagar menos do que alguém merece quando trabalha para você, ou algo mais sútil, como se achar superior à pessoa que faxina sua casa, só por ser mais rico do que ela.

  1. Vida luxuosa (5a). O terceiro pecado que vemos é estilo de vida luxuoso.. No versículo 5-a, vemos:

“ 5Vocês têm tido uma vida de luxo e de prazeres sobre a terra;”

Uma vida luxuosa é certamente uma tentação a que os ricos são muito mais suscetíveis. A expressão “sobre a terra”, sugere novamente o contraste entre riquezas daqui e do Céu.

Quem vive para ter luxo aqui, enebriado com suas experiências de viagens, gastronômicas ou com seu estilo de vestir ou de morar pode ter que lamentar por toda a eternidade, como o rico da parábola do rico e de Lázaro. Lembram da resposta de Abraão?

Lucas 16:25 Mas Abraão disse: “Filho, lembre-se de que você recebeu os seus bens durante a sua vida, enquanto Lázaro só teve males. Agora, porém, ele está consolado aqui, enquanto você está em tormentos.

Quem vive para seu conforto experimentará essa chocante inversão. A eternidade vai mostrar o que é a verdadeira riqueza e a verdadeira pobreza.

Em resumo: há um julgamento severo e iminente para aqueles que tem sua esperança no dinheiro. Uma sentença já foi pronunciada. Como vimos, é fútil confiar nas riquezas daqui, que são passageiras e que trazem consigo perigosas tentações: acumular tesouros aqui nos tempos do fim, oprimir os pobres e viver uma vida luxuosa.

Como então os ricos devem viver? Encerramos lendo 1 Timóteo 6:17-19.

“17Exorte os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para o nosso prazer. 18Que eles façam o bem, sejam ricos em boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; 19ajuntando para si mesmos um tesouro que é sólido fundamento para o futuro, a fim de tomarem posse da verdadeira vida.”

Ricos não sejam orgulhosos, não confiem nas riquezas, confiem em Deus. Façam o bem, sejam ricos em boas obras e generosos. Assim vocês ajuntarão um tesouro nos céus.