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Tito 1:10-16 - Liderança pelo Contraste: Confrontando o Erro

02 de fevereiro de 202514 min de leitura

Tito 1:10-16 - Liderança pelo Contraste: Confrontando o Erro

Como pais, cônjuges ou profissionais, muitas vezes somos colocados diante de decisões difíceis, onde proteger e orientar quem amamos exige coragem e firmeza. Agora imagine isso no contexto espiritual: o que você faria se a verdade do evangelho estivesse sob ataque dentro da sua própria igreja? Esse é o chamado de Deus para nós: não apenas confortar, mas também confrontar quando a fé e a doutrina estão em risco.

Há diversas advertências na Bíblia sobre o falso ensino. Jesus adverte:

“Cuidado com os falsos profetas, que se apresentam a vocês disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes”. (Mt 7:15)

“22Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. 23Estejam de sobreaviso; tudo isso tenho predito a vocês. (Marcos 13:22-23)

Paulo também alertou:

29 Eu sei que, depois da minha partida, aparecerão no meio de vocês lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. 30E que até mesmo entre vocês se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás de si. (Atos 20: 29-30)

1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm a consciência cauterizada, 3que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com gratidão pelos que creem e conhecem a verdade. (1 Timóteo 4:1-3)

O Apóstolo Pedro também ensina: (2 Pedro 2:1-3)

1 Assim como surgiram falsos profetas no meio do povo, também haverá falsos mestres entre vocês. Eles introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, chegando a renegar o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 2E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, o caminho da verdade será difamado. 3Movidos por avareza, eles explorarão vocês com palavras fictícias. Mas, para eles, a condenação decretada há muito tempo não tarda, e a destruição deles não caiu no esquecimento. (2 Pedro 2:1-3)

O discípulo amado, João, também ensina:

1 Amados, não deem crédito a qualquer espírito, mas provem os espíritos para ver se procedem de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído mundo afora. 2Nisto vocês reconhecem o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; 3e todo espírito que não confessa isso a respeito de Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual vocês ouviram dizer que viria e que agora já está no mundo.(1 João 4: 1-3)

Porque muitos enganadores têm saído mundo afora, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne; este é o enganador e o anticristo (2 João 7)

Por fim, Judas também adverte, nos v. 3-4 e 17-19:

3 Amados, quando eu me empenhava para escrever-lhes a respeito da salvação que temos em comum, senti que era necessário corresponder-me com vocês, para exortá-los a lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. 4Pois certos indivíduos, cuja sentença de condenação foi promulgada há muito tempo, se infiltraram no meio de vocês sem serem notados. São pessoas ímpias, que transformam em libertinagem a graça do nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo. (Judas 3-4)

17 Mas vocês, meus amados, lembrem-se das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. 18Eles diziam a vocês: “Nos últimos tempos, haverá zombadores, andando segundo suas ímpias paixões.” 19São estes os que promovem divisões, seguem os seus próprios instintos e não têm o Espírito. (Judas 17-19)

Deus nos chamou para sermos ministros da reconciliação, mas também nos chamou para sermos ministros da repreensão. Ele nos chamou para confortar e para confrontar. Nossa passagem foca no dever de repreender e de confrontar.

Hoje, aprenderemos com Tito 1:10-16 como Paulo orientou Tito a lidar com falsos mestres que ameaçavam a igreja em Creta. Exploraremos como essa passagem nos ensina a preservar a verdade do evangelho e a proteger o rebanho de Cristo, sempre motivados pelo amor e pela glória de Deus.

O dever de confrontar os insubordinados. Tito 1: 10-11

O trecho lido está intimamente ligado aos vs. 5-9. A ligação é evidente no v. 10 que começa com a expressão pois ou porque. O. v9 diz que o presbítero deve ser capaz de exortar e convencer pessoas que contradizem o ensino, mas também devem ser capazes de refutar e de fazer calar pessoas que destroem casas inteiras.

É fundamental que os presbíteros tenham caráter piedoso e solidez doutrinária. Os falsos mestres são agradáveis e persuasivos. Eles misturam um pouco de verdade para enganar imaturos e pra seduzir os mais crédulos. Mas por debaixo da roupagem da eloquência e da simpatia, eles escondem o veneno de uma doutrina mortal. O que uma análise criteriosa sobre esses falsos mestres revela?

A fala deles não tem conteúdo sólido. (Tito 1:10)

O texto afirma que havia “muitos”, não poucos, falsos mestres em Creta. Essas pessoas haviam conseguido algum grau de destaque na igreja. Veja a descrição deles: Eles são “insubordinados, falam coisas sem sentido e enganam os outros. (v. 10). Insubordinação é a atitude. Falas vazias são seu modo de agir. Eles eram senhores de si mesmos e diziam ter um canal direto com Deus. Eles não queriam se submeter a ninguém, o que é uma característica de falsos mestres.

Esse espírito rebelde e egocêntrico produz o que Paulo chama de conversa vazia ou falas sem sentido. Suas palavras fazem barulho, mas não tem nenhuma substância. **Essas pessoas são perigosas.**10-11

Uma das características mais perigosas dos falsos mestres é que são enganadores. Enganam a si e aos outros. Eles são estelionatários espirituais que disfarçam a ambição pessoal e a agenda teológica subversiva nas roupas da piedade religiosa fingida e da prosperidade.

Em Creta, o problema era os judaizantes. Tem gente desse time solto por aí até hoje. Eles vendiam o evangelho como sendo Jesus mais alguma coisa. Jesus mais alguma coisa é sempre um Jesus menor e insuficiente. Se você soma algo a Jesus, você diminui Jesus. Esta era a matemática espiritual desses falsos mestres.

Com sua teologia corrompida, eles pervertiam casas inteiras, destruíam lares. Eles eram como uma metástase na igreja. Eles não infectavam apenas um, mas famílias inteiras ao mesmo tempo.

Quem prega um evangelho centrado no homem e não em Deus, ou um evangelho triunfalista, do tipo “minha fé é a razão da minha vitória”, desvia pessoas da adoração de Cristo para a adoração de si mesmo. Esse tipo de teologia ignora ou até mesmo nega a beleza e a grandeza de Jesus. Por causa disso é necessário “fazer com que se calem.” Eles arruínam a unidade na igreja e o fiel testemunho na comunidade.

Além disso, eles são desonestos na sua motivação de ensinar. (11) Paulo afirma que a motivação deles é a ganância vergonhosa. Paulo não poupou adjetivos neste ministério de confrontação. Os falsos mestres devem ser confrontados com a verdade do evangelho e com o resultado que eles provocam na destruição de lares pela sua ganância.

Eles são mercenários em busca de ganho independente da moralidade. Os falsos mestres amam o dinheiro, anseiam por dinheiro e falam muito sobre dinheiro. Eles fazem isso porque a boca fala do que o coração está cheio. Como diz 1 Timóteo 6:5, eles “imaginam que a piedade é fonte de lucro”.

Devemos tomar muito cuidado com a mentalidade que temos direito de exigir algo de Deus por sermos cristãos. Pessoas se aproveitam desse equívoco espiritual para prometer cura, poder, relacionamentos e deixam um rastro de desiludidos com Deus.

No exercício da confrontação, devemos confrontar o insubmisso e examinar nossos corações para não nos inclinarmos em direção às mesmas motivações erradas.

Devemos confrontar quem se deixa enganar Tito 1:12-14

As palavras de Paulo são fortes e diretas. Pessoas que se deixam enganar frequentemente replicam as artimanhas dos falsos mestres. O objetivo dessa confrontação está no v. 13: “Repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé” (v. 13).

O perigo espiritual é grave e os falsos mestres precisam ser expostos claramente. Paulo convoca o testemunho de um poeta e sacerdote cretense, chamado Epimênides. As palavras dele são cortantes e condenatórias. “Os cretenses são sempre mentirosos, feras terríveis, comilões preguiçosos.” Os habitantes de Creta eram tão caracterizados pela mentira que o verbo “cretanizar” em grego que significava mentir

Paulo estava citando o poeta cretense para dizer: vocês conhecem essas pessoas. Não confiem nestes mestres. Eles mentem para si mesmos e mentirão para você. Como diz o texto, “os cretenses são sempre mentirosos”. O poeta usa um exagero para comunicar uma verdade sobre o caráter do seu povo. Nossa nação é regida por um lei, a Lei de Gerson, de tirar vantagem em tudo. Todos tiramos vantagens? Talvez, não. Mas é certo que o jeitinho brasileiro é uma boa síntese.

Além de mentirosos, eles são “feras terríveis”. Isso indica pessoas erotizadas, controladas por seus apetites, luxúria e desejos. Como animais selvagens, eles destroem sem qualquer preocupação com o bem-estar dos outros. O deus deles são eles mesmos. Pastores envolvidos em escândalos de abusos sexuais são falsos mestres.

Eles são “glutões preguiçosos”. Pessoas sem domínio próprio que se alimentavam, viviam e festejavam às custas dos outros. Paulo concorda com a citação e diz: “Este testemunho é verdadeiro”. A aplicação de Paulo era direcionada especificamente aos falsos profetas que propagavam perversão espiritual no que ensinavam e como viviam. Estas pessoas precisavam ser repreendidas.

É necessário confrontar o que eles acreditam (Tito 1: 13-14)

A solução de Paulo para esta situação é direta e pastoral. Há um equilíbrio maravilhoso no ministério da confrontação. Devemos "repreender severamente". Aquela igreja havia sido negligente e hesitante para lidar com a crise. Paulo foi firme nas instruções.

Como devemos extrair tumores com bisturis, devemos tirar da igreja o ensino contrário ao evangelho. Mas qual é o objetivo desta cirurgia espiritual? O objetivo é pastoral e redentos: curar enganados e enganadores para que eles possam se tornar “sadios na fé”.

A ferida é para curar. Como quem drena o pus de uma chaga, a ação é feita para recuperar. A intervenção é para tirar as pessoas da desnutrição teológica e da escravidão espiritual mística.

A confrontação deve ser feita com amor. Nós devemos amar o suficiente para pontuar o erro com a esperança que brote saúde espiritual e vitalidade. Paulo diagnosticou o tumor das fábulas judaicas e mandamentos de gente (regras humanas, não divinas) que desviam da verdade. Paulo queria afastar da igreja as especulações religiosas que acrescentam ou contradizem as escrituras e as regras centradas no homem e não em Deus. Essas distorções desviam pessoas da verdade.

A ordem no v. 9 é para ser apegado à palavra fiel, mas aquelas pessoas estavam se desviando da verdade. Os que uma vez conheceram, estavam se afastando ou até negando a fé, abandonando a verdade. Os falsos mestres se tornam perigosos e contaminados.

Devemos confrontar aqueles que estão contaminados Tt 1: 15-16

Como você e como você age estão completamente ligados. Crenças e ações andam juntas. A sã doutrina e boas obras são gêmeas siamesas. O falso ensino, todavia, contamina tudo o que toca. Assim como uma gota de veneno contamina um copo com água, o falso ensino pode perverter o evangelho da graça e da misericórdia de Jesus.

Por que os contaminados devem ser confrontados? No interior, eles não têm pureza (Tito 1:15)

“todas as coisas são puras para os puros”. Essa expressão é um resumo do ensino de Jesus em Marcos 7:15-23, quando Jesus afirmou que o que contamina o homem é o que está dentro dele. Em contraste, “para os impuros e descrentes, nada é puro”; de fato, tanto a mente [como pensam] quanto sua consciência [seu julgamento moral] estão corrompidas” (v. 15).

Eles têm o espírito corrompido. Não espanta que eles “neguem a verdade”. Eles estão com a mente e com a moral corrompidas. Tudo está infectado com o pecado. Quando uma pessoa é corrupta e impura de coração e mente, suas perspectivas sobre todas as coisas são corruptas e impuras, e essa impureza interior produz impureza exterior.

Em relação ao exterior, eles precisam ser confrontados porque eles mentem naquilo que professam. (Tito 1:16)

A mente e a consciência estão conectadas a um pequeno órgão: a língua. Falamos o que pensamos. Minta para si e você mentirá para outros. Minta sobre si e você mentirá sobre Deus. Os falsos mestres dizem conhecer a Deus, mas negam esse conhecimento com suas obras.

Ao confiar nas obras, na justiça própria e na própria sabedoria, eles negam com suas vidas conhecer o Deus que professam conhecer. Ao centrar sua mensagem no homem e no que o homem pode fazer, eles fazem dos homens ídolos. Neste processo, eles negam a verdade das Escrituras, questionam a realidade do pecado e a incapacidade do homem de se salvar, barateiam a cruz, menosprezam o Espírito Santo e constroem um sistema falso de salvação.

Nossa mentalidade influencia nossas ações. Pergunte-se: meu coração e minha mente estão alinhados com a verdade de Deus? Ou estou permitindo que pensamentos corrompidos influenciem minha visão de mundo e minhas decisões?

Paulo olha para a crença dessas pessoas e conclui com um julgamento tríplice: Eles são “abomináveis", um termo que reflete a reação de Deus para com a idolatria. Eles são “desobedientes”, rebeldes, insubordinados — seu caminho e agenda eram para eles superiores à vontade de Deus. E ele são “reprovados” para qualquer boa obra. Eles mestres são falsificações e falharam nos testes.

Eles são como médicos que fingem curar pacientes, mas secretamente estão infectando-os com uma doença para lucrar mais. Assim são os falsos mestres: eles parecem oferecer cura espiritual, mas espalham contaminação.

Spurgeon conclui bem esse tema do dever da confrontação:

Embora sejamos obrigados a chegar à conclusão de que nossas mentes não são puras, não precisamos parar por aí, pois há meios pelos quais elas podem ser purificadas! Glória a Deus, se minha mente e consciência estão contaminadas, elas não precisam ser sempre assim. Há purificação. Eu não posso efetuá-la por mim mesmo, nem nenhuma forma externa pode fazê-lo. . . . Mas Deus estabeleceu Cristo para ser um Salvador — e Ele salvará Seu povo de seus pecados — de sua pecaminosidade também, e todo aquele que crê em Cristo Jesus, isto é, confia Nele, já há nele o princípio da pureza! Deus, o Espírito Santo, lhe dará cada vez mais a semelhança de Cristo, pois aquele que crê será salvo do pecado, do pecado interior, de todo pecado, do poder e também da culpa dele! A fé o purificará, aplicando a ele o precioso sangue e a água que fluem do lado de Cristo! A fé, pelo poder do Espírito Santo, se tornará uma graça purificadora e salvadora! Deus nos conceda isso, e que todos estejamos entre os puros, para quem todas as coisas serão puras.

“Confrontar não é fácil, mas é essencial para proteger a pureza do evangelho e a saúde da igreja. Paulo nos chama a sermos vigilantes: identificar os falsos mestres, expor seus erros e restaurar os que foram enganados.

Mas lembre-se: o confronto deve ser feito com amor e com o objetivo de cura, não de destruição. Assim como um médico trata uma doença para restaurar a saúde, confrontamos o erro para trazer vida e santidade ao povo de Deus.

Ao enfrentarmos esses desafios, confiemos na suficiência de Cristo. Ele é a verdade que nos liberta, o fundamento da nossa fé e a fonte da nossa pureza. Que possamos viver de maneira digna do evangelho, protegendo a verdade e edificando a igreja.

Nossa oração é que sejamos crentes habilitados para proteger e orientar quem amamos com coragem, sabedoria, graça e firmeza, para sermos fiéis à sua Palavra e glorificá-lo em todas as coisas. Amém.”

O dever de confrontar. (Tt 1:10-16) Ideia Principal: Para que a igreja seja sólida na fé, seus líderes devem confrontar falsos ensinamentos e falsos mestres.

I. Devemos Confrontar quem provoca divisão (1: 10-11).

A. Eles são destituídos na maneira como falam (1: 10).

B. Eles são perigosos no que pensam (1: 10-11).

C. Eles são desonestos no porquê ensinam (1: 11).

II. Devemos Confrontar Aqueles Que São Enganados (1: 12-14).

A. Quem eles são é claro (1: 12-13).

B. O que eles acreditam deve ser confrontado (1: 13-14).

III. Devemos Confrontar Aqueles Que São Impuros (1: 15-16).

A. Eles não têm pureza (o interior) (1: 15).

B. Eles mentem em sua profissão (o exterior) (1: 16).

ser apegado à palavra fiel, que está de acordo com a doutrina, para que possa exortar pelo reto ensino e convencer os que contradizem este ensino. 10Porque existem muitos, especialmente os da circuncisão, que 0são insubordinados, falam coisas sem sentido e enganam os outros. 11É preciso fazer com que se calem, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, movidos por vergonhosa ganância. 12Foi um dos cretenses, um próprio profeta deles, que disse: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras terríveis, comilões preguiçosos.” 13Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé 14e não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de gente que se desvia da verdade. 15Todas as coisas são puras para os puros; mas, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. 16Afirmam que conhecem a Deus, mas o negam por meio do que fazem; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para qualquer boa obra.