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Tito 2:9-10 - Evangelismo no Trabalho: Uma Vida que Adorna o Evangelho

17 de fevereiro de 202512 min de leitura

Tito 2:9-10 - Evangelismo no Trabalho: Uma Vida que Adorna o Evangelho

Quantos aqui deixaram o carro aberto de propósito no estacionamento? Isso é uma prova que você crê na depravação da humanidade. Algo que revela com mais profundidade e amplitude a total depravação da humanidade é a escravidão que consiste no ato de reduzir pessoas feitas à imagem de Deus à mercadorias a serem exploradas.

A escravidão é antiga, mas seus abusos ainda podem ser encontrados hoje. Na época de Jesus, um terço da população de Roma era composta de escravos e essa proporção era próxima de um quinto no resto do mundo.

Você poderia ser escravizado se fosse capturado numa guerra, deixasse de pagar dívidas, por vontade própria, ao ser vendido por seus pais, você nascesse filho de escrava ou se praticasse crimes.

Escravos não tinham direitos, eram considerados propriedades. Alguns trabalharam na lavoura e na extração mineral. Outros eram t qualificados, sendo até mordomos de confiança, como José foi no Egito. Alguns escravos viviam em melhores condições do que pessoas livres.

O avanço do cristianismo não findou a escravidão. Após a queda do império romano, a escravidão se misturou com a servidão. As cruzadas ampliaram a oferta e o comércio de escravos. Em Veneza, cristãos eram vendidos para mulçumanos. O advento do tráfico negreiro deslocou algo perto de 25 milhões de africanos. Para o Brasil, vieram quase 5 milhões.

É importante reconhecer que cristãos lideraram o debate público abolicionista. Wilberforce, John Wesley e Charles Finney usaram de seus discursos e sermões para atacar a escravidão. Os Quakers, os morávios, os metodistas e alguns batistas lutaram, oraram e foram ouvidos por Deus.

A Inglaterra proibiu a escravidão em 1807. O tráfico de escravos foi proibido em 1808 pela Inglaterra e em 1850 no Brasil, por medo de uma guerra com a Inglaterra. Os EUA aboliram a escravidão em 1865. No Brasil, em 1888, pela Lei Aúrea. Fomos os últimos a abolir tal prática nas Américas.

É triste, mas a escravidão é ainda tolerada em lugares onde o Evangelho de Jesus ainda não se consolidou. Pior ainda é ver que nossa maldade ainda dá as caras em confecções de roupas de grife e na escravidão doméstica em condomínios de luxo.

Mas, para encerrar a longa introdução, vou fazer uma pergunta, responder e esclarecer alguns pontos. O que a Bíblia diz sobre a escravidão? Como podemos resumir o ensino bíblico sobre o tema?

1 - A Bíblia disciplina aspectos da escravidão, mas nunca a ordena ou exige.(Êx 21; Lv 25; Dt 15; Ef 6:5-9; Cl 3:22–4:1; 1 Tm 6:1-2; Tt 2:9-10; 1 Pe 2:18-25). Assim, a escravidão não é uma instituição divina como o casamento ou a igreja. Em Efésios 6:5-9, Paulo não faz referência ao AT. Ele se limita a descrever como as pessoas envolvidas numa relação escravo/senhor devem viver para a glória de Deus.

  1. Paulo ensinou que se você podia se tornar livre, que buscasse isso, mas que não fosse consumido por essa ideia. (1 Co 7:21-24)

3. O novo testamento semeou os meios para revelar o pecado da escravidão e para minar o seu poder.

  1. A Bíblia nunca apoia a rebelião ou confronto para derrubar estruturas sociais ou culturais malignas. Essas estruturas devem ruir sob o peso da beleza do evangelho, da graça de Deus e da ética do amor.

  2. **Paulo muda a perspectiva da escravidão com o olhar da eternidade!**Sob o prisma da eternidade, o escravo redimido é senhor do seu senhor para o Senhor Jesus! O dono de escravos que não conhece Jesus tem seu destino eterno ligado ao testemunho eficaz de seu escravo. Para Jesus, o escravo crente é o liberto e o senhor incrédulo é o verdadeiro escravo de si mesmo.

Agora vamos para nosso texto. Dois versículos apenas. Pr. Kelvin até assustou com a divisão que propus... Os v. anteriores mostram que o evangelho deve mudar a vida dos homens idosos, das anciãs, das mulheres recém-casadas, dos jovens e dos pastores, como Tito.

O testemunho da vida de um crente deve maravilhar os descrentes. Assim, os subalternos, empregados e até escravos, precisam viver o evangelho para que seu serviço piedoso seja uma proclamação da vitória da cruz. Paulo traça, nos v. 9-10, uma estratégia de evangelismo para os crentes empregados.

Quem tem um chefe descrente, tem um campo missionário. Seu emprego, sua função, sua relação com as autoridades, como seus professores, que devem ser respeitados, são campos missionários.

Como essas pessoas com posição de autoridade verão Deus em nós? Como essas pessoas desejarão servir a Deus e deixarão de confiar em suas riquezas e poder para confiar em Deus? Paulo propõe seis condutas que auxiliam essa influência santa que parte de debaixo para cima.

9 Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação. Que não sejam respondões, 10nem furtem, mas que deem prova de toda a fidelidade, a fim de que, em todas as coisas, manifestem a beleza da doutrina de Deus, nosso Salvador.

1 - Seja úteis ao seu superior Tito 2: 9

9 Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor,

Ser produtivo, ser útil, envolve receber e cumprir ordens. O texto afirma que devemos ser obedientes em todas as coisas. Outras traduções usam “sejam submissos em todas as coisas”. Como podemos viver assim? Por que deveríamos viver assim? Colossenses 3: 22-24 fornece a resposta:

22 Servos, obedeçam em tudo a seus senhores aqui na terra, não servindo apenas quando estão sendo vigiados, visando somente agradar pessoas, mas com sinceridade de coração, temendo o Senhor. 23Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoas, 24sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.

Na verdade, vivemos num mundo em que toda autoridade foi confiada àquele que ressuscitou, Jesus. Em última instância, os servos crentes servem a Cristo. Nossa motivação para servir é elevada a um patamar muito superior. Nós queremos servir nossos chefes, ajudá-los, cumprir suas ordens, honrá-los porque ao agirmos assim estamos honrando a Jesus.

O problema é que nossos chefes não são Jesus. Por que deveríamos obedecê-los? Nosso exemplo sempre maior sempre é Jesus. Por que ele se submeteu à autoridades romanas que cobravam impostos forçados? Porque ele entendia que estas autoridades tinham delegação divina para agir. Toda autoridade vem de Deus, mesmo as más.

Então sempre devemos obedecer aos chefes em qualquer situação? Não. Existem exceções a essa submissão em tudo. Há quatro situações que exigem que o crente seja insubmisso: quando as ordens forem antibíblicas, ilegais, antiéticas ou imorais.

A desobediência de um escravo era considerada uma rebelião. Um escravo desobediente enfrentava açoites e morte. As exceções são na verdade obrigações de se posicionar ao lado de Deus e sofrer as consequências. Desobedecer a uma ordem antiética pode redundar na sua demissão, na paralização da ascensão profissional e outras retaliações.

Mas se a ordem não ofende a Deus, então nossa conduta deve ser a de submissão em todas as coisas. Para isso, precisamos enxergar por detrás dele, o nosso verdadeiro Senhor, Jesus.

2 -Tenham um espírito disposto a agradar seus superiores.

9 .... dando-lhe motivo de satisfação.

O texto ordena ao servo “ser obediente em todas as coisas e dar motivo de satisfação aos superiores. Ser um empregado ou um aluno que dá satisfação ao patrão ou professor envolve tanto a finalidade, quanto a forma. Quem obedece deve buscar não apenas cumprir ordens, mas a alegria do seu mestre, senhor ou patrão. Isso envolve estar disposto não apenas a ser útil, mas também uma decisão de ser agradável, abençoador, leve, entregue e não resistente ao serviço. É um obedecer mais profundo, um obedecer de coração. Ef 6: 6-7:

não servindo apenas quando estão sendo vigiados, somente para agradar pessoas, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus. 7Sirvam de boa vontade, como se estivessem trabalhando para o Senhor e não para pessoas,

É necessário um passo além da obediência, é necessária uma atitude de boa vontade, de coração. Essa segunda etapa colabora para mostrar a beleza da doutrina de Deus, no v. 10 e para demonstrar a graça a todos os homens, inclusive para os patrões e senhores.

O serviço obediente deve ser feito com alegria, não com relutância. De forma alegre e não ressentida. Ter alegria sendo um escravo é um milagre. Esse tipo de atitude só é possível como fruto do Espírito, como reflexo de ter a mente de Cristo. Só a graça faz disso algo possível e natural.

Jesus serviu a humanidade de forma alegre e de coração. Ele se humilhou para nos abençoar. Só Ele pode nos estimular a viver assim.

3 – Controle a língua, seja educado ao falar. 2:9

“que não sejam respondões”. A submissão exigida tem relação com a fala. O texto aqui é não ser respondão. No original seria algo como “não falar contra”. Assim, empregados cristãos não devem responder ou falar mal. Os crentes não devem ser argumentativos, contenciosos ou desagradáveis.

Servos crentes não devem reclamar do chefe nem pela frente e nem pelas costas para não comprometer o testemunho a respeito de Jesus. As palavras são poderosas. Em questão de segundos, palavras tolas podem destruir um testemunho construído ao longo de uma vida. Provérbios diz:

(Pv 6:12) 12Perverso e vil é o que anda com a iniquidade na boca,

(Pv 13:3) Quem vigia as suas palavras conserva a sua vida, mas o que fala demais arruína a si mesmo.

(Pv 18:6-7) 6Os lábios do tolo entram na discussão, e a sua boca clama por açoites. 7A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios são uma armadilha para a sua alma.

PV 18:21 morte e a vida estão no poder da língua; quem bem a utiliza come do seu fruto.

Davi, escreveu o seguinte no Salmo 39:1:

1 Eu disse comigo mesmo: “Guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua; porei mordaça à minha boca, enquanto os ímpios estiverem na minha presença.”

A boca fala do que o coração está cheio. A fala indica claramente o que se passa dentro de alguém. O servo de Cristo precisa ser respeitoso ao falar, e aqui, especialmente ao falar com o seu chefe e sobre o seu chefe. A Bíblia fala que a língua é indomável. Se o seu coração não for transformado, você irá pecar com sua língua. Apenas a presença de Deus em nós pode mudar a forma como pensamos e isso vai determinar como falamos.

4 - Trabalhe observando princípios: Tito 2:10: “não furtem”.

Além de não ser responder e não falar mal dos chefes, os servos cristãos não podem ser desonestos. Um servo de Jesus não pode continuar a ser um ladrão. Ladrões podem se tornar servos de Jesus, como o ladrão da cruz, mas o furto precisa ser parte de um passado redimido.

Um empregado cristão deve ser alguém a quem podemos confiar coisas valiosas, alguém que não precisa ser vigiado pelas câmeras. Nós somos chamados a sermos confiáveis, honestos e íntegros nas relações de trabalho. Um cristão empregado não pega algo do patrão e se justifica dizendo que a mais-valia precisa ser combatida ou que o patrão é mal.

Um empregado cristão não pede reembolso de despesas inexistentes, não usa recursos do trabalho para proveito pessoal. Dos clipes ao jatinho da FAB, o evangelho exige de nós honestidade e integridade. Se um cristão serve seu patrão como se estivesse servindo a Jesus, passaria pela cabeça dele furtar algo de Cristo?

5 - Seja fiel de forma explícita: Tito 2:10

“mas que deem prova de toda a fidelidade”

Em contraste com “não responder, nem roubar”, o servo de Cristo deve deixar evidente sua total fidelidade”. A conjunção “mas” é rejeição completa do que a antecede: “Não furtem, mas demonstrem fidelidade”. A expressão “deem prova” significa “demonstrem”. A ideia é que nossa fidelidade aos nossos superiores seja evidente e visível a todos.

Nossa confiabilidade deve estar à mostra de todos. Nossa lealdade e integridade devem ser públicas. Outros podem enganar o chefe, mas não um crente. Outros podem trair a confiança de um chefe, mas não um crente. Pessoas podem ficar amarguradas com o chefe tiranos e exploradores, mas não os que seguem a Cristo.

Por sermos primeiro servos de Cristo, o contraste precisa ficar evidente. Empregados confiáveis de forma evidente demonstram o poder transformador do evangelho que permite amar os inimigos, abençoar em vez de amaldiçoa e servir em vez de roubar.

6 - Testemunhe abertamente sobre Jesus. Tito 2: 10

Ser um servo fiel, honesto, gracioso, gentil e submisso tem uma finalidade nobre: ​​“manifestar a beleza da doutrina de Deus, nosso Salvador” em todas as coisas. Um crente servo com estas características torna belo e atraente o ensino de Deus, nosso Salvador, e ele vivencia isso em todas as dimensões de sua vida.

Na sua condição de escravo, de subalterno, ele tem a oportunidade e o dever de mostrar a beleza da realidade da soberania divina na forma como ele faz do seu trabalho algo produtivo, agradável, respeitoso, baseado em princípios de honestidade e fidelidade. Um serviço assim expõe o caráter de Deus por intermédio de seus filhos. Griffin está certo quando afirma:

O efeito do comportamento cristão individual sobre os descrentes não deve ser subestimado. Inevitavelmente, os descrentes julgam a mensagem do evangelho pelas vidas daqueles que a abraçam. À medida que vivemos e nos identificamos como cristãos, podemos tornar a mensagem do evangelho atraente e digna de aceitação por nossas atitudes e comportamento piedosos. No entanto, se formos percebidos como desamorosos e hipócritas, damos aos descrentes bons motivos para serem céticos sobre o poder do evangelho. As exortações de Paulo, tanto para os cretenses, como para os cristãos de todas os tempos, devem nos alertar para a tremenda importância de sermos na realidade o que professamos em palavras.

Spurgeon comentou assim este versículo:

“A vida do cristão, mesmo que ele seja um escravo, deve embelezar o cristianismo. Cristo não busca o ornamento de Sua religião nas riquezas ou nos talentos de Seus seguidores, mas em suas vidas santas, “para que manifestem a beleza da doutrina de Deus, nosso Salvador”, em todas as coisas. Esta é a piedade que é digna do louvor de nosso Salvador.

Conclusão: Por que Paulo dá essas instruções aos servos cristãos? A resposta não é complicada, mas ela só é possível pelo milagre da fé. Sem a mente de Cristo, sem a presença do Espírito Santo e sem a compreensão de que a vida é mais do que o que vemos, nossa tendência é a de sermos:

  • rebeldes, e não submissos;
  • irritáveis, e não pessoas que são de presença agradável;
  • grosseiros, não educados; • ladrões, não honestos;
  • infiéis, ao invés de sermos marcados pela fidelidade; obstáculos, e não meios de proclamação do Salvador que dizemos adorar.

Quando você está em posição subalterna, inferior, quando você é o escravo, não o mestre, então você descobrirá com muita facilidade quão real e genuína é a sua profissão de fé. Um verdadeiro cristão não ocupa uma função apenas por acidente ou por decisões acertadas ou equivocadas na carreira. Um Deus soberano colocou você lá para que, por intermédio da sua vida, pessoas vejam a beleza de Deus, do nosso Senhor Jesus, enquanto você serve essas pessoas como serviria Jesus.