Por que temos a tendência de voltar para hábitos antigos que já nos fizeram mal?
Voltamos aos velhos costumes porque o conhecido parece seguro, mas você não é mais escravo do passado: você é um filho acolhido por Deus.

Nós costumamos voltar para hábitos que nos machucam porque aquilo que já é conhecido, por pior que seja, nos traz uma falsa sensação de controle e segurança. Quando a vida aperta ou a ansiedade bate à porta, nossa reação natural é recorrer aos velhos refúgios do passado para tentar aliviar a dor do momento. No entanto, você não nasceu para viver preso nesse vai e vem desgastante, e existe um caminho seguro para romper essa repetição.
A falsa segurança de uma velha prisão
Pense por um instante em um passarinho que nasceu em uma gaiola. Se você abrir a portinha, ele pode até sair e bater as asas, mas, no primeiro susto ou vendaval, a tendência dele é voar direto para dentro das grades. Não é porque a gaiola seja boa, mas simplesmente porque ele já se acostumou com o tamanho daquele espaço fechado.
Com a gente acontece a mesmíssima coisa. Na Bíblia, em uma carta chamada Gálatas, um homem cheio de carinho chamado Paulo fez uma pergunta sincera e dolorida para seus amigos: por que vocês estão voltando a se prender naquilo que antes escravizava a vida de vocês?
Aquelas pessoas tinham acabado de conhecer o amor acolhedor de Deus, que não cobra pedágio para nos aceitar. Mas, diante das dificuldades diárias, elas começaram a voltar para regras pesadas, rituais cansativos e manias antigas. Nós fazemos igual. Quando o dia fica pesado, voltamos para o vício antigo, para o relacionamento que nos destrói, para o isolamento ou para a mania de carregar o mundo nas costas. É o velho hábito dando a falsa promessa de que vai nos proteger.
Quando tentamos resolver a vida do nosso jeito
Para explicar isso de forma bem prática, Paulo lembrou de uma história antiga de família que está lá no início das Escrituras: a história de Abraão e Sara. Eles receberam de Deus a promessa de que teriam um filho, mas os anos se passaram, a velhice chegou e a promessa parecia demorada demais.
Tomados pela ansiedade e pelo medo do futuro, eles decidiram dar um "jeitinho". Em vez de confiarem no cuidado paciente do Criador, tentaram resolver tudo pela força do próprio braço. Abraão teve um filho com uma escrava chamada Agar. Essa atitude desesperada não gerou paz; pelo contrário, trouxe brigas, ciúmes, mágoas profundas e escravidão emocional para dentro de casa. Somente anos depois nasceu Isaque, o filho que veio como um milagre puro, fruto da bondade e da promessa de Deus, sem manipulações humanas.
Quantas vezes você não faz o mesmo na sua rotina? Em vez de respirar fundo e descansar no amor de Deus, você apela para velhos atalhos: engole o sentimento com comida, afoga as dores na bebida, explode com quem está por perto ou tenta comprar a aprovação dos outros sendo perfeito em tudo. Esse esforço próprio só gera desgaste e nos joga de novo nos braços do passado.
De escravo cansado a filho querido
A chave para você parar de voltar para o que te faz mal está em compreender quem você é de verdade. O cristianismo autêntico não é uma lista de tarefas ou uma obrigação religiosa para você tentar convencer Deus a gostar de você. Não é um contrato de trabalho onde você precisa bater metas para não ser demitido.
A mensagem de Jesus é sobre paternidade e adoção. Isso significa algo muito simples: graça é um presente imerecido, um favor comovente que você não precisou pagar para receber. Deus não é um capataz exigente anotando suas falhas em um caderninho; Ele é um Pai atento que conhece você pelo seu próprio nome.
Pense nos seus filhos ou em alguém que você ama profundamente. Você não exige que eles façam um relatório diário de boas ações para que possam entrar na sala de estar e receber o seu abraço. Você os ama simplesmente porque são seus. Da mesma forma, quando você compreende no fundo da alma que já é amado e aceito por Deus, você perde a necessidade doentia de buscar alívio em porcarias que só estragam a sua saúde e a sua mente.
A coragem de ouvir quem realmente se importa
Paulo amava tanto aquelas pessoas que chegou a dizer que sentia dores de parto por elas, querendo vê-las firmes e felizes. Ele teve a coragem de perguntar: "Será que virei inimigo de vocês só porque estou dizendo a verdade?".
Mudar de vida dói no começo. Romper com costumes prejudiciais exige abrir mão de velhas amizades que só te empurram para trás e parar de ouvir conselhos de quem não quer o seu bem. Viver em liberdade muitas vezes gera estranhamento ao redor. Mas é preferível o desconforto temporário da mudança do que a vergonha contínua de voltar para a lama de onde você foi resgatado.
Próximo passo prático
Hoje mesmo, quando a ansiedade, a tristeza ou a vontade de recorrer ao seu velho hábito ruim baterem no peito, pare tudo por um minuto. Não pegue o telefone para desabafar em compras, não abra a geladeira por compulsão e não se entregue ao vício.
Em vez disso, feche os olhos, respire fundo e faça uma oração simples e sincera com suas próprias palavras: "Pai, eu não sou mais escravo desse hábito. Eu sou Teu filho querido. Cuida da minha dor agora". Dê esse passo de entrega imediato e lembre-se de que a porta da gaiola está aberta: você é verdadeiramente livre.
Deseja se aprofundar nesta passagem?
Este artigo é baseado na mensagem expositiva pregada na Igreja Cristã Evangélica Jardins. Você pode conferir o estudo bíblico completo aqui:
Ver sermão de Gálatas 4:8-31 →